Pensar sobre isso me fez lembrar de quando eu era criança e o quanto gostava de completar os meus álbuns, no entanto, na época, os recursos limitados da família não faziam desse desejo uma tarefa fácil, mas também deixou ensinamentos que carrego até hoje.
Fez-me perceber que na vida tudo tem limite, que não podemos tudo, que não recebemos tudo pronto e de forma imediata. Ensinou-me a valorizar as pequenas conquistas, a lidar com a espera da próxima oportunidade de comprar mais um ou dois pacotinhos, a buscar os meus objetivos, sem depender totalmente dos outros.
Atualmente muitos pais querem dar aos pequeninos tudo aquilo que não tiveram. Atendem prontamente aos anseios dos filhos, proporcionando a satisfação imediata de todos os seus desejos, no caso do álbum, entopem os meninos de figurinhas.
Não percebem que não serão capazes de dar tudo aos filhos. Podem presenteá-los com milhares de figurinhas, podem colaborar para completarem o álbum em tempo recorde, podem satisfazê-los materialmente, mas ao mesmo tempo estão tirando deles o gosto da expectativa e o saber da conquista.
O atendimento imediato de todos os desejos dos filhos, sem limites, mesmo quando estes não estão merecendo, não é valorizado, não é reconhecido e com a mesma rapidez com que recebem, descartam, não se interessam, não cuidam e estão prontos para outras exigências.
Com essa atitude não ensinamos os filhos a esperar, a lidar com as frustrações que terão de lidar ao longo da vida, a perceberem que as conquistas são consequências de um processo, e que não acontecem em um passe de mágica. Futuramente podem encontrar dificuldades em receber um "não" como resposta, buscar o prazer imediato, o sucesso sem esforço e o poder a qualquer custo etc.
Não precisamos privar os filhos se podemos alegrá-los com o álbum e as figurinhas da copa do mundo, mas podemos aproveitar para transmitir ensinamentos. Reclamamos tanto que os filhos não saem do celular e quando temos a oportunidade de sentar com eles, abrir pacotinhos de figurinhas e preencher o álbum juntos, queremos fazê-lo num instante, ou entregamos o álbum preenchido. Podemos aproveitar para fazê-los adquirir noções de limites, ensiná-los a esperar, a batalhar para conquistar e a valorizar o esforço e não apenas a conquista.
Podemos aproveitar a atual febre do momento para trabalhar na educação preventiva dos filhos, conscientes de que o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo, portanto, de tudo o que pretendemos dar aos nossos filhos não podemos deixar de fora noções claras de limites, porque mais importante que um álbum completo é uma vida plena.
Celso Garrefa
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e
"O primeiro dia da minha nova vida"
Obs.: Texto sugerido pelo amigo Júlio Bottrel
































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