sábado, 3 de setembro de 2022

SÓ SABE O QUANTO DÓI, QUEM PASSA PELA DOR

(Imagem da internet)
Certa vez, atendendo a uma adolescente que havia autolesionada, provocando cortes nos braços, perguntei o porquê, tendo em vista que os ferimentos causam dores. E ela me respondeu que provocava as dores externas para aliviar uma dor interna, que era infinitamente superior à externa. E quem somos nós para julgá-la?

Sem experimentar a dor, podemos até imaginar o que ela significa, mas não sabemos exatamente o quanto ela dói e assim sendo, não nos cabe medir a intensidade da dor alheia, mas respeitar.

É comum, ao nos depararmos com uma queixa de nossos semelhantes, tentar diminuir o tamanho do seu sofrimento, apresentando receitas prontas e simplistas como solução para o seu drama. Tal comportamento não costuma diminuir a dor do outro. Não se resolve problemas complexos com “achismos” ou teorias de sofá.

Quando a dor não é física, mas atinge o fundo da alma da pessoa, parece-nos que os julgamentos ganham contornos ainda mais dolorosos. É cruel, e contribuímos para aumentar sua angústia, sempre que rotulamos tais sofrimentos como “frescura”. Não menos cruel é taxar e transmitir aos nossos semelhantes que o drama que estão vivenciando é motivado pela falta de Deus.

É possível ajudar aqueles que passam por grandes sofrimentos, respeitando a sua dor e nos abrindo ao diálogo, conscientes de que o mais importante não é aquilo que transmitimos, mas a escuta atenta e interessada, sem críticas, sem julgamentos, sem receitas prontas e sem minimizar a dor do outro. Exigem momentos em que a pessoa precisa apenas de um abraço acolhedor, nada mais. Portanto, diante do sofrimento alheio, que sejamos colo e orientemos a buscar a ajuda adequada.




Celso Garrefa
Pedagogo Social
Assoc. AE de Sertãozinho SP

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