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sábado, 17 de janeiro de 2026

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estudos? Quantos de nós foi o primeiro a romper um ciclo de violências reproduzidas por longo período? Quantos de nós foi o primeiro a não fazer uso de nenhuma substância que cause dependência, mesmo vivendo em uma família em que o uso do álcool ou do cigarro são culturalmente aceitos?

Pode até parecer simples, mas é preciso coragem e sabedoria para romper ciclos de comportamentos enraizados na família, e que se reproduzem geração após geração. Aqueles que ousam romper com padrões pré-estabelecidos parece incomodar, mesmo que a busca da mudança vise melhorar a sua condição de vida. 

Esses padrões comportamentais muitas vezes soam como verdades absolutas na família, e assim sendo, são copiados e reproduzidos ao longo do tempo, sem questionamentos, e quem ousa rompê-los e abandonar esse jogo é visto como um estranho, um exibido. 

Não é simples pular desse barco, mesmo que furado, porque quem ousa fazê-lo costuma ser bombardeado por críticas, por julgamentos e visto como um traidor.  Incomoda, para muitos, ver que alguém está fazendo diferente, está se sobressaindo e por isso ele pode ser vítima de todo o tipo de ataque. 

O primeiro princípio do Programa Amor-Exigente nos leva a refletir sobre nossas raízes culturais e a lançarmos um olhar sobre o passado, refletindo e realizando uma autoanálise, visando sabermos de onde viemos, em quem nos tornamos e onde queremos chegar. 

A partir disso podemos nos posicionar: o que foi saudável e queremos preservar? o que vale a pena resgatar? e o que não foi bom e precisamos descartar, romper o ciclo, abandonar padrões comportamentais não saudáveis e buscar uma nova maneira de viver? 

Quem o fará? Que seja eu, que seja você, só não dá para continuarmos girando na mesma roda feito um ramister em seu brinquedinho, girando, girando e girando, sem sair do lugar. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e

"O primeiro dia da minha nova vida"







terça-feira, 11 de novembro de 2025

SEM DISCIPLINA FAZEMOS O NOSSO MÍNIMO E NÃO CHEGAMOS A LUGAR ALGUM

Um dos objetivos da disciplina é ordenar e organizar a nossa vida e também a vida da nossa família. Para tanto, todos os membros da casa devem assumir suas responsabilidades, visando essa organização; porém, não é nada fácil cobrar disciplina de quem não a tem.

Na tentativa de mantermos a ordem e a organização familiar, acabamos por fazer aquilo que é dever do outro e quanto mais fazemos por ele, mais ele se torna indisciplinado e folgado. Não dá para esperar disciplina sendo permissivos com toda espécie de maus comportamentos; não conseguimos organizar nada com ausência de regras e falta de planejamento na casa, não conquistamos cooperação sem permitir que cada um assuma as suas funções. 

O ato de exigir do outro é cobrar dele, com autoridade, aquilo que é sua obrigação, seu dever. É obrigação dos filhos tratar os seus pais com respeito, e assim sendo, temos o direito de exigir que nos respeitem. E para exigir com autoridade precisamos, primeiro, cuidar dos nossos comportamentos e fazer deles um modelo a ser seguido, caso contrário, tornamo-nos autoritários. 

Devemos, ainda, ter claro que não é necessário utilizarmos de gritos, ameaças ou escândalos para disciplinar. Quando buscamos esse objetivo através do medo, ele possui data de validade e termina quando as forças se equiparam. O ideal é conquistá-la com comportamentos equilibrados, coerentes e responsáveis, transmitindo e incentivando a disciplina como meio de alcançar objetivos, de organizar nossa vida, de realizar sonhos, conscientes de que sem disciplina fazermos o nosso mínimo e não chegamos a lugar algum.  


Celso Garrefa




quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Entre folgados e sufocados

- Você não presta para nada, reclama a mãe para a filha durante a realização de uma tarefa em conjunto. A filha abaixa a cabeça, para o que está fazendo e se retira. Com essa atitude, a mãe perde uma preciosa oportunidade de estreitar os laços e estabelecer o diálogo, atitudes fundamentais para o fortalecimento dos vínculos afetivos. 

Outras vezes queremos poupar os filhos de realizar quaisquer tarefas dentro de casa, preferindo fazer sozinhos aquilo que podemos realizar em parceria.

A cooperação exerce uma função determinante na aproximação entre pais e filhos, desenvolve a empatia e transmite a ideia de pertencimento, no entanto, para que haja essa construção não basta fazer juntos, é preciso aproveitar o momento.

Dependendo da maneira como nos comportamentos podemos colher resultados opostos. Ninguém se sente valorizado e incentivado a cooperar se, durante as atividades estamos despejando broncas, externando nosso mau humor, resmungando e reclamando de tudo.

Por sua vez, se valorizamos o apoio recebido, realizando as tarefas de forma prazerosa, incentivando e elogiando quando há merecimento, criamos uma via de mão dupla, dar e receber, eu preciso de você, assim como você precisa de mim. Isso favorece o respeito mútuo.

Nossa casa pertence a todos que nela habita e uma convivência familiar sadia exige que a cooperação seja valorizada nas relações, pois sem ela, os seus membros transitarão entre dois extremos: os folgados e os sufocados.

 


Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida".

sexta-feira, 2 de maio de 2025

LIBERTE-SE DA CULPA QUE TE PRENDE AO PASSADO

"Culpas, desculpas e culpados são pesos desnecessários que travam os passos, correm os laços e dificultam o caminhar"

Toda vez que nos vemos diante de um grande problema costumamos olhar para trás, tentando identificar em nós as suas causas. Essa busca dos porquês, em doses homeopáticas, pode ser útil para identificarmos suas raízes e corrigir os rumos daquilo que precisa ser melhorado, mas, em doses elevadas e cobrança desmedida sobre nós mesmos pode resultar num forte sentimento de culpa, e consequentemente, causando-nos sofrimentos internos e intensos.

As causas de um problema, geralmente, não estão associadas apenas a um fator, mas a um conjunto de circunstâncias que atuam na vida de uma pessoa; no entanto, costumamos ignorar essa realidade, assumimos para nós a culpa pelo contratempo e menosprezamos todo o resto.

Afetados pelo sentimento de culpa nos autocondenamos e, consequentemente, paralisamos qualquer tentativa de ação, isso porque esse sentimento está relacionado ao passado e não há como modificarmos o que passou. 

Para seguirmos em frente, vamos precisar nos libertar do peso causado pelo sentimento de culpa, soltar as correntes que nos prendem ao passado e assumir responsabilidades no presente, como citado pela frase, de autor desconhecido: "Culpas, desculpas e culpados são pesos desnecessários que travam os passos, corroem os laços e dificultam o caminhar. Portanto, assuma as responsabilidades que lhe cabe, repare o que for possível e avance, sem olhar para traz". 


Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "Primeiro dia da minha nova vida"




terça-feira, 8 de abril de 2025

QUAL É O SEU PAPEL?


Percebemos, nos dias atuais, uma confusão em relação aos papéis que cada um ocupa no contexto familiar. Pais deixando de exercer seu papel, para se tornarem apenas amiguinhos dos filhos, outras vezes tratando filhos adultos como se esses fossem crianças incapazes. Esposas assumindo o papel de mães do companheiro, avós anulando o papel dos pais e assumindo para si a responsabilidade pelos netos, pais transferindo suas responsabilidades para professores etc. 

Sem uma clareza nos papéis que cada um desempenha no ambiente familiar, a casa pode se tornar disfuncional. Não se constrói um ambiente familiar adequado e equilibrado, se deixarmos de assumir ou reassumir as nossas funções de acordo com a posição hierárquica que ocupamos.

Além das diferenças nos papéis que pais e filhos ocupam no contexto familiar, também devemos considerar outras diferenças, como, por exemplo, o fato de que cada um deles viverem momentos diferentes. Os pais, hoje adultos, já foram adolescentes, enquanto muitos filhos ainda não amadureceram e essa diferença pode gerar conflitos geracionais.

É necessário buscarmos o equilíbrio nessa relação, compreendendo as mudanças de mundo. Dialogar com a atual geração, da mesma forma com que lidávamos no passado, significa não respeitar as mudanças ocorridas ao longo do tempo, tornando nossa missão menos eficiente. 

Os filhos da atual geração exigem novas formas de abordagens. Isso não significa igualar os papéis. Os pais continuam sendo pais e os filhos continuam sendo filhos; isso não muda e precisa ser preservado. Se o autoritarismo do passado não se encaixa na educação moderna, a autoridade dos pais é legítima, é necessária e deve ser exercida com firmeza, de forma responsável, consciente e coerente. 

Se deixarmos de exercer uma função que nos é de direito, abrimos espaço para outros assumirem. Agindo assim, perdemos o controle da nossa vida e passamos a viver sob os domínios dos outros, inclusive por quem ainda não está preparado para isso ou por quem não gostaríamos que estivesse no comando.



Celso Garrefa 

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"


terça-feira, 4 de março de 2025

LIMITES NÃO SÃO FREIOS

Problemas complexos e de difíceis soluções costumam minar nossas energias, atingir nossos limites e, como consequência experimentamos, por vezes, a sensação de haver tentado de tudo, e não enxergamos uma saída.

É verdade que os nossos recursos são limitados, mas não devemos fazer disso uma barreira paralisante, que nos mantém estagnados, presos ao problema e incapazes de enfrentar o desafio, pelo contrário, significa que precisamos buscar meios de ampliar nossas potencialidades. 

O primeiro passo é resguardar os recursos já existentes, preservando nossas estruturas. Não resolve abandonar emprego porque estamos com um problema familiar, ou deixar de dormir à noite enquanto o filho não chega, ou ainda deixar de nos alimentar porque temos uma dívida etc. 

Essas são atitudes disfuncionais que minam nossos recursos materiais, físicos e emocionais e, quanto mais desrespeitamos esses limites, mais adoecemos, mais nos fragilizamos e, consequentemente, diminuímos nossas forças para lidarmos de forma assertiva com o problema.

Mais do que preservar os recursos já existentes, precisamos ampliá-los e para isso, é fundamental  buscarmos ajuda, orientação e apoio. Cada um de nós possui conhecimentos e experiências que são de extrema importância para a solução do desafio, no entanto, essas vivências são limitadas, mas não precisamos nos limitar a nós mesmos. 

Varias cabeças pensando juntas funcionam melhor que uma sozinha. Quando adotamos a coragem de buscar ajuda ampliamos de forma substancial os recursos necessários para enfrentarmos um grande desafio e passamos a enxergar novas possibilidades que até então não havíamos percebido. Em grupo ampliamos nossos recursos e assim deixamos de enxergar limites como freios para encará-los como alavancas. 



Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "Primeiro dia da minha nova vida"





sábado, 22 de fevereiro de 2025

MAIS "GENTE", MENOS "COISA"

Parece-nos que o ser humano está perdendo sua humanidade. As relações entre as pessoas estão cada vez mais frias, ausentes de sensibilidade e pouco empáticas e isso nos deixa um questionamento: será que estamos perdendo nossa essência humana e nos tornando mais "coisa" e menos "gente"?

As evoluções tecnológicas fizeram com que os seres humanos se distanciassem e com isso, estamos vivendo cada vez mais as relações virtuais e menos as presencias. A frieza das redes sociais, de certa forma, fez com que muitos de nós esquecêssemos que somos seres humanos. Nas redes, desejamos mostrar o sucesso, as conquistas e escondemos nossos desafios e dificuldades. Ignoramos que somos gente e que o outro também o é. 

Quantas vezes nos deparamos com postagens nas redes sociais e, mesmo sem conhecer a fonte e a veracidade, friamente, compartilhamos ou fazemos comentários inapropriados e esquecemos que existe uma vida humana do outro lado da tela, uma pessoa que possui sentimentos e sofre as consequências de um ataque desnecessário e gratuito?

Mesmo diante de toda a tecnologia que nos cerca, ainda continuamos a ser gente e como gente possuímos sentimentos que precisamos proteger, com posicionamentos firmes, não permitindo ser invadidos, explorados, manipulados, massacrados, inclusive dentro da nossa própria casa. Todo grande abuso começa com pequenos ataques, que se ignorados ganham em intensidade ao longo do tempo.

O primeiro passo é aceitarmos o óbvio, somos gente, e reconhecendo isso, não aceitar e não permitir sermos tratados como qualquer coisa, como algo sem valor, que não merece respeito e assim, que possamos ser cada vez mais "gente" e menos "coisa".


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O Primeiro dia da minha nova vida"

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

"VOCÊ NÃO É TODO MUNDO

A atual estruturação da sociedade nos impõe padrões comportamentais que muitas vezes copiamos sem refletir, como por exemplo, consumir determinada marca para parecer modernos, usar aquela grife porque está na moda, beber aquele produto para nos sentir inseridos em um grupo, adotar certos comportamentos porque atualmente todos agem assim.

Somos diariamente pressionados a nos enquadrar em padrões pré-estabelecidos por essa sociedade marcadamente excludente, consumista e permissiva, que valoriza mais o ter que o ser, mais as coisas que as pessoas e que não possui nenhum pudor em descartar aqueles que não se encaixam em suas regras. Além disso, a explosão tecnológica dos últimos anos trouxe os chamados influenciadores digitais.

No entanto, aquilo que nos tornamos não é resultado dessas influências, mas sim das nossas próprias escolhas. Possuímos o livre-arbítrio para decidir, escolher e nos posicionar. Personalidade não é seguir e copiar cegamente o que os outros nos impõem, mas traçar o nosso caminho a partir de nós mesmos e de acordo com nossas crenças pessoais.

Como dizia minha mãe, quando eu era pequeno – você não é todo mundo. Diante destes valores superficiais precisamos nos posicionar e assim podemos viver o nosso eu, focados em nossos objetivos, balizados por valores éticos, morais e espirituais e não apenas viver em função dos outros, visando agradar a massa.

Celso Garrefa


 

domingo, 6 de agosto de 2023

CRISE: OPORTUNIDADE DE MUDANÇA

As crises incomodam e causam desconforto e por essa razão lutamos bravamente para evitá-las. Com isso, acostumamos a ser desrespeitados para não contrariar, calamos para não entrar no embate, permitimos ser invadidos para parecer bonzinhos, minimizamos um problema para não o encarar.

Acontece que quanto mais calamos, mais somos invadidos; quanto mais minimizamos um problema, mais ele se intensifica; quanto mais cedemos, mais somos manipulados e explorados.

Facilmente o outro percebe que não suportamos encarar uma crise e com isso, ele a provoca para continuar obtendo vantagens para si próprio. Para tanto, utiliza de manipulações, chantagem e ameaças. Ele cria as crises e as administra para seu o benefício.

Para encarar as crises é necessário tomarmos atitudes e nos posicionarmos e isso nos coloca diante de um dilema: Se estamos diante de uma crise, por que tomar atitudes sabendo que elas irão provocar novas crises? Acontece que aqueles que provocam os conflitos os administra de acordo com o seu interesse, enquanto nós arcamos com as consequências.

A partir do momento em que nós tomamos atitudes, em relação aos seus comportamentos, quem vai precisar se ajustar às nossas ações é ele. Porém, devemos ter ciência de que poderão haver reações. Acostumados com nossa postura de ceder, de permitir e facilitar, quando contrariado, certamente utilizará todas as armas possíveis para recuarmos e assim, continuar sendo beneficiado pela nossa boa fé.

Não é fácil reverter esse processo, mas é necessário encarar os conflitos e administrá-los com equilíbrio e tranquilidade. Enquanto cedemos aos caprichos alheios para evitar o impasse, estamos sujeitos às consequências das crises provocadas pelos comportamentos de outros, mas quando a encaramos, abrimos a possibilidade das mudanças positivas que tanto desejamos. 



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP


sábado, 20 de maio de 2023

O PAPEL DE VÍTIMA NO JOGO DA CULPA

A culpa é um sentimento que provoca muita dor e sofrimento, tendo em vista que ela produz o ódio de si mesmo e, consequentemente, a autocondenação. Ela costuma estar relacionada a algo que já aconteceu e como é impossível modificarmos o que já passou, paralisamos.  

Não podemos ficar presos ao passado e isso exige de nós o abandono do jogo da culpa, acabando com culpas, desculpas e culpados. Decidir abandonar este perverso jogo nos coloca diante de dois pontos importantes a serem pensados, sendo que um deles proporciona alívio e o outro, desconforto.

Aceitar a ideia de que não somos os culpados pelos problemas do outro é como retirar uma carga pesada das costas. Esta atitude traz conforto, alivia nossas angústias, diminui as exageradas autocríticas que fazemos de nós mesmos e assim podemos soltar as correntes que nos prendem ao passado e projetar o futuro.

Por outro lado, abandonar este jogo cruel também pode nos causar certo incômodo, pois, não basta não nos sentir culpados, precisamos também parar de culpar os outros, cessar as buscas de justificativas fora de nós mesmos para tudo o que acontece conosco e à nossa volta. Precisamos abandonar o papel de vítima.

Para tanto, vamos precisar nos encarar, nos enxergar, reconhecer também as nossas falhas, nossos defeitos, sem arranjar desculpas para não assumirmos nossas responsabilidades e isso costuma incomodar. Muitas vezes não gostamos do que vemos em nós e preferimos culpar os outros.

Mas, não existe outro caminho para nos livrarmos deste sentimento. Só conseguimos parar de jogar este jogo quando trocamos a culpa pela responsabilidade. Pode ser difícil nos encarar, admitir nossos defeitos sem ter onde justificá-los, mas é o primeiro passo para a nossa libertação, rumo a uma vida nova, plena e consciente.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

sábado, 4 de março de 2023

OS MEUS LIMITES SÃO MEUS E QUEM OS DEFINE SOU EU

Os nossos recursos são limitados e são nossos, no entanto, muitas vezes damos poderes para outras pessoas invadirem nossa vida, abusar da nossa boa vontade, sugar todos os nossos recursos e energias. Quem não respeita os próprios limites, certamente não respeitará os limites do outro.

Diante dessa realidade, somos nós que devemos estabelecer os limites do aceitável, em relação a outras pessoas, criando uma barreira protetora capaz de nos proteger daqueles que não possuem escrúpulo algum, que não têm controle sobre a própria vida e, se encontrarem espaço em nós, também vão nos arrastar para o mesmo abismo.

Para evitarmos tamanho prejuízo precisamos nos posicionar com firmeza, diante de pessoas tóxicas, e para isso, precisamos aprender o valor do “não”, essa palavra mágica capaz de frear manipuladores, chantagistas e sanguessugas de plantão.

Mas, esses “nãos” precisam ser ditos com convicção e clareza. Na dúvida, podemos pedir um tempo para pensar no assunto e, definida a resposta, ela deve ser transmitida sem rodeios. Devemos saber que o manipulador está sempre preparado para nossas desculpas, encontrando nelas o que precisa para continuar o ataque.

O Programa Amor-Exigente nos transmite uma grande verdade: não possuímos o poder sobre a vida do outro, porém, possuímos o poder sobre nossa própria vida e não devemos abrir mão disso. Portanto, se os meus limites são meus, quem os define sou eu.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 12 de junho de 2022

PAIS E FILHOS: O COMPORTAMENTO DE UM AFETA O OUTRO

O comportamento dos filhos afeta os pais e o comportamento dos pais afeta os filhos, no entanto, parece-nos que não afetam no mesmo compasso. Enquanto que para muitos pais é um desafio gigantesco exercer qualquer influência sobre os filhos, em se tratando do contrário, os comportamentos dos filhos costumam afetá-los com enorme facilidade e intensidade.

Não há como nos isentar totalmente de sermos afetados pelos comportamentos negativos dos filhos, mas não podemos permitir que isso seja tão intenso a ponto de nos desestruturar, de nos adoecer. Para tanto, devemos trabalhar, com apoio do grupo, o equilíbrio necessário para lidarmos com situações adversas, sem esquecermos de nós mesmos, do nosso autocuidado. 

Precisamos preservar uma mente sã, independentemente dos comportamentos do outro. Este é o primeiro passo para lidarmos com comportamentos desafiadores e inadequados, preservando nossa saúde física e mental. Cego guindo cego podem cair os dois no buraco. 

Não conseguimos avanços adotando o papel de vítimas, de coitadinhos. Nem sempre um filho está em condições de perceber o quanto os seus comportamentos fazem mal aos pais. E quanto mais debilitados, mais sofrem as consequências dos comportamentos deles.

É importante adotarmos posturas firmes, e nos posicionarmos diante das atitudes dos filhos. Enquanto continuarmos adotando o papel de coitadinhos, a desproporcionalidade do quanto um afeta o outro tende a se intensificar, Por outro lado, comportamentos assertivos e equilibrados ajudam a diminuir este descompasso.



Celso Garrefa

Assoc. AE. de Sertãozinho SP

 


sábado, 16 de abril de 2022

RESPEITE O SEU "EU", ELE É ÚNICO

A população mundial já ultrapassou a marca dos oito bilhões de habitantes e, apesar do número astronômico de pessoas, não existe uma sequer igual à outra, no entanto, v
ivemos em uma sociedade que insiste em nos tratar como se fôssemos todos iguais.

Diariamente somos bombardeados e pressionados a adotar comportamentos que não condizem com nossa personalidade. As campanhas publicitárias ditam ordens e criam padrões o tempo todo: compre determinada marca, beba este produto, vista esta grife etc.

Diante dessa pressão, muitos de nós cedemos e adotamos comportamentos padronizados. Compramos coisas que não precisamos, consumimos produtos que não gostamos, fazemos coisas que não desejamos. Vivemos mais preocupamos em agradar aos olhos dos outros, que a nós mesmos. 

Não somos todo mundo e não precisamos fazer o que os outros fazem, não precisamos gostar daquilo que os outros gostam, nem precisamos atuar apenas para agradar a massa. 

Não se trata de paralisarmos no tempo. O mundo e a vida mudam em alta velocidade e precisamos nos ajustar às novas realidades, mas é importante desenvolvermos em nós a habilidade do questionamento. Para que eu preciso disso? Por que devo adquirir esta marca? Que necessidade tenho de adotar determinado comportamento? 

Além de assumirmos nossa identidade também devemos enxergar os outros em suas diversidades e aceitá-los como são. A expansão das redes sociais trouxe à tona o quanto o ser humano é intolerante em relação aqueles que julga diferentes de si. É com tristeza que vemos, ainda hoje, a necessidade de campanhas para combater a intolerância, seja ela, racial, sexual, política, religiosa etc.

A maravilha da vida está na diversidade e cada um de nós é uma versão única e exclusiva de nós mesmos. Aceitemo-nos como somos, respeitemos as diferenças e que cada um seja feliz a seu modo.


Celso Garrefa 
Amor-Exigente de Sertãozinho SP





domingo, 6 de fevereiro de 2022

SOMOS SOMENTE "GENTE", E ISSO É MUITO

(imagem extraída da internet)
Somos gente. Isso nos parece tão óbvio, porém, por vezes esquecemos essa verdade e desejamos atingir uma perfeição que não está ao nosso alcance. Ser gente é reconhecer que possuímos obrigações, mais também direitos. Direito de viver sem sermos massacrados pelos comportamentos desajustados do outro; direito de sermos respeitados; direito ao lazer, ao silêncio quando desejado; direito de cuidarmos também da nossa vida; direito de dizer não como resposta; direito de mudar de opinião e de comportamento.

Reconhecer-nos como "gente" é o primeiro passo para aceitarmos nossos limites. Não somos máquinas, nem bancos. Não damos conta de tudo, nem conseguimos viver a vida do outro. Não somos o todo poderoso, prontos para tudo, capazes de tudo. Somos tão somente humanos, carregados de sentimentos que não precisam ser camuflados.

Precisamos  abandonar o discurso de que vivemos em função do outro, pois quem vive em função do outro, não vive. Abandonar também o discurso de que para mim qualquer coisa serve, pois se assim o fizermos, assim seremos tratados: como algo sem valor e não como pessoa humana.

Por vezes esquecemos essas verdades e nos posicionamos como se fôssemos uma imponente rocha, capaz de absorver todo impacto, sem se desfazer, porém, ao transmitirmos essa ideia ao outro, não possibilitamos que nos enxerguem como gente, frágeis como somos e após cada pancada, vem outra. Se mesmo a rocha se despedaça quando golpeada, imaginem nós que somos humanos!

Ser gente também significa respeitar as nossas individualidades, mesmo diante de uma sociedade que insiste em nos tratar como números, como estatísticas, condicionando-nos a pensar como um todo e não em nossas peculiaridades.  

Reconhecer-nos como pessoas humanas significa acordar para nós mesmos, cobrar nossos direitos, valorizar nossas qualidades, respeitar nossas limitações e viver também em função do meu eu e não apenas para agradar a terceiros. 

Celso Garrefa

Sertãozinho SP

domingo, 9 de maio de 2021

O PASSADO JÁ PASSOU, LIBERTE-SE

Ao confrontarmos com um grande problema no presente, costumamos olhar para o passado, analisando nossos comportamentos na tentativa de descobrir onde erramos e essa atitude é o gatilho para o sentimento de culpa.

Esse olhar sobre o passado costuma vir carregado de lamentações e cobranças desmedidas, como se tivéssemos a obrigação de nunca falhar, de saber tudo, de conhecer tudo, de possuir o dom de prever as consequências futuras dos atos realizados naquele momento.

Somado a isso, colocamos nesse passado o nosso eu de hoje, num processo comparativo, porém devemos compreender que o eu de hoje não é o mesmo daquele eu do passado. Com o tempo ganhamos novas visões de mundo, novos conhecimentos, novas experiências, novos recursos. Essa é uma cobrança desmedida, injusta e cruel conosco.

Devemos nos conscientizar de que naquele momento o nosso eu fez aquilo que estava ao nosso alcance, aquilo que acreditávamos ser o correto, aquilo que nossos recursos possibilitaram e cientes disso, devemos abandonar as lamentações paralisantes e a carga pesada provocada pelo sentimento de culpa, para assumirmos responsabilidades a partir do nosso novo eu e do momento presente.

Não devemos fechar os olhos para o passado, pois dele tiramos lições importantes para nosso crescimento, mas não deve ser um olhar carregado de lamúrias que apenas causam sofrimentos profundos e nos mantém paralisados no tempo, mas sim visando assumirmos responsabilidades, para corrigirmos os rumos, acertarmos as arestas, desprovidos dos arrependimentos produtores de culpas.

Na vida tudo são aprendizados, e libertando-nos do peso provocado pelo sentimento de culpa soltamos as amarras do passado, valorizamos os aprendizados, assumimos novas responsabilidades e seguimos nossa jornada com leveza e paz. 

Celso Garrefa - Sertãozinho SP

domingo, 22 de março de 2020

AMOR-EXIGENTE E O CORONAVÍRUS (Doze princípios do Amor-Exigente adaptados para o enfrentamento do Covid-19)


1-    Raízes Culturais

Somos brasileiros e culturalmente gostamos do contato, de beijos no rosto, de abraços, de aconchegos e carinhos. Mas, nesse momento de enfrentamento da Covid-19 é necessário nos adequarmos a essa realidade, modificando temporariamente nossos hábitos, evitando o contato físico com quem convivem conosco ou com aqueles que nos relacionamos no nosso dia a dia.

2-    Também somos gente

Não somos super-heróis, nem super-humanos, somos tão somente gente e também corremos sérios riscos em relação à Covid-19. Adotar a ideia da imunidade não é medida capaz de nos proteger. Precisamos aceitar que isso também poderá acontecer conosco, e assim adotar todo o autocuidado necessário para a nossa proteção.

3- Os Recursos são limitados

Não podemos esperar o problema atingir níveis alarmantes para começarmos a agir. Precisamos nos antecipar, adotando atitudes de respeito aos limites, inclusive limitando ao máximo nosso contato com as pessoas. Sabemos que nosso sistema de saúde também é limitado e uma explosão de casos poderá levá-lo ao colapso. Nossas ações serão importantes para o achatamento da curva de contaminação.

 4-    Pais e filhos não são iguais
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Este é o momento de retribuirmos o que nossos pais ou avós fizeram por nós. As pessoas acima de 60 anos fazem parte dos grupos de risco. Devemos nos proteger para protegê-los. Por mais que eles desejam sair, precisamos segurá-los em casa e oferecer a eles toda a atenção possível. Somos diferentes: se corremos menos riscos, eles não.

5-    Culpa

Não é hora de procurar culpados, nem arranjarmos desculpas para descumprir as determinações das autoridades de saúde, mas assumir responsabilidades, sem esperar tudo do outro, do sistema, da saúde ou do governo. Cada um deve fazer a sua parte, sem transferir responsabilidades, lembrando que a culpa nos paralisa, enquanto a responsabilidade nos convida a ação.

6-    Comportamento

Mesmo diante desse momento complexo devemos buscar o nosso equilíbrio comportamental. Histeria, desespero, pânico em nada ajudam, pelo contrário, adoecem. É importante adotarmos as medidas recomentadas pelas autoridades de saúde, porém precisamos manter a calma, evitando, inclusive, o sofrimento por antecipação ou a dramatização do problema. 

7-    Tomada de atitude

Não precisamos esperar para ver o que acontece, mas entrar em ação. E a atitude neste momento é de recuo, de confinamento, de autocuidado, de cuidado com os outros. Devemos agir mesmo em confinamento para evitar o estresse e o tédio. Podemos ler um livro que nos tire por alguns momentos das notícias ruins, fazer um curso a distância, aprofundar nossos conhecimentos, etc.

8-    Crise

É evidente que a crise ora instalada mexe conosco, deixando-nos apreensivos, inseguros e com medo, sem saber ao certo o que vem pela frente. Mas essa crise também vai passar e dela também vamos tirar lições positivas, de aprendizado e superação. Após atravessarmos essa turbulência, sairemos mais fortes e certamente aprenderemos grandes lições.

9-    Grupo de apoio

Os grupos de apoio são fantásticos, mas o momento exige distanciamento. Podemos suspender as nossas reuniões de grupo e nem por isso deixarmos de manter contato. Vamos usar a tecnologia para nos manter conectados, trocando experiências, inclusive sobre essa ameaça. Agora é hora de usar nossas redes sociais para compartilhar boas mensagens. Isso vai passar e estaremos mais juntos que nunca.

10- Cooperação

Cada um de nós é único, mas parte de um todo. Não é o momento de sermos egoístas, pensando apenas em nós mesmos, mas de adotar o princípio da cooperação. Devemos evitar o esvaziamento de prateleiras de supermercados para fazer grandes estoques em casa, nem acabar com o álcool gel das farmácias. Nós precisamos, mas o outro também, que sejamos coerentes.

11- Exigência e Disciplina

Mas do que nunca precisamos nos disciplinar para enfrentarmos esse momento. Devemos seguir as regras estabelecidas, obedecendo as recomendações e também exigir disciplina daqueles que convivem conosco.  A situação exige novas posturas, novos hábitos, que devemos adotar e transformar em regras durante este período. A ausência da disciplina gera bagunça e diante da iminente ameaça que nos ronda é a receita certa para o caos.

12- Amor

Lembrando sempre o que diz o Amor-Exigente, amar é fazer aquilo que precisa ser feito, e é por esse amor verdadeiro, em relação aos nossos queridos que fazem parte do grupo de risco, que devemos, por vezes, contrariá-los. Por amor precisamos fechá-los, mantê-los confinados, evitando o contato físico, inclusive com os netinhos, mas ao mesmo tempo, sem desampará-los. Vamos atravessar esse momento e a melhor receita é o amor, mas um amor verdadeiro e exigente, para conosco, para nossos queridos e para com o próximo.

Adaptação de Celso Garrefa
Amor-Exigente de Sertãozinho

domingo, 19 de janeiro de 2020

QUEM EU SOU, ONDE ESTOU, PARA ONDE VOU?


“Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” (Lewis Carroll)

 Ao refletirmos sobre nossas raízes culturais devemos analisá-las sob dois aspectos. Um deles está relacionado ao passado, ou seja, o que somos hoje é o reflexo do que recebemos durante toda nossa vida, ou seja, nossas relações familiares, as interações com nossos grupos de amizades, as influências recebidas dos diversos tipos de mídias, e das nossas escolhas, em relação ao que nos foram apresentados.

Sob esse ponto de vista olhamos para o meu eu através das nossas raízes culturais herdadas ou adquiridas ao longo da vida para identificarmos o que nos fizeram ser aquilo que hoje somos. É um olhar sobre o passado.

Mas, se o que somos hoje é reflexo da maneira como recebemos, assimilamos e formamos os nossos juízos, valores e princípios, o que seremos amanhã será o reflexo das nossas interações e escolhas de hoje. Sob esse ponto de vista, raízes culturais nos remetem a ideia de futuro. O que queremos ser? Para onde desejamos caminhar? O que precisamos corrigir?

Raízes culturais são, portanto, um processo dinâmico, que interliga passado e futuro. Dos valores, princípios e comportamentos que herdamos do passado, o que vale a pena preservarmos? O que podemos resgatar? O que devemos descartar? E quais deles estamos dispostos a adquirir?

Antoine de Saint-Exupéry citou, certa vez, que “Aqueles que chegam até nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Se por um lado somos influenciados e fazemos nossas escolhas, de acordo com o juízo que fazemos diante do que nos é apresentado, por outro, também somos influenciadores, e isso nos alerta para nossa responsabilidade em relação as nossas condutas diárias.

Talvez fosse mais cômodo seguir a receita da música cantada pelo Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. Mas a vida é uma construção que depende das nossas ações. Para isso precisamos saber: Quem eu sou? Onde eu estou? Para onde eu vou? Pois, como uma fala citada no filme Alice no País das Maravilhas, se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

Texto de Celso Garrefa
Sertãozinho SP

domingo, 31 de março de 2019

PAIS E FILHOS NÃO SÃO IGUAIS


       
Em um passado recente, o autoritarismo era marcante na educação das crianças. Os filhos não eram vistos, nem ouvidos. Não tinham voz, nem vez. Esse tipo de comportamento não se encaixa mais na educação moderna, e precisava ser interrompido. No entanto, no ímpeto da mudança fomos de um extremo a outro. Passamos a nos relacionar com os filhos de igual para igual, tratando-os mais como amiguinhos e esquecemos que, antes de sermos seus amigos, somos pais e precisamos exercer o nosso papel de pais.

Sem isso, invertemos os papéis e quem passam a  mandar na casa, a ditar as regras são os filhos, enquanto os pais apenas obedecem e essa é a receita certa para o colapso familiar. Sem exercermos nossas responsabilidades de pais, na educação das crianças, permitimos que cresçam a mercê de si mesmos, entregues a própria sorte, como filhos órfãos, porém de pais vivos. 

Os pais são guias e orientadores. Devem exercer sua autoridade para nortear a conduta dos filhos, cientes de que esse exercício é facilitado quando, em se tratando da educação das crianças, pai e mãe possuem unidade e falam a mesma língua. 

Um fator essencial para o exercício da autoridade, e que a difere do autoritarismo, é o poder do exemplo. É complicado desejar que os filhos sejam equilibrados se vivemos em estado de loucura. É difícil aconselhá-los em relação ao abuso do álcool se eles assistem nosso consumo abusivo. É tarefa complicada colocar Deus na vida dos pequenos, se não vivemos uma espiritualidade. Sem sermos exemplos deixamos de exercer nossa autoridade, que é legítima, para adotarmos duas outras atitudes nada funcionais: ou nos tornamos autoritários ou caímos na passividade.

É importante, também, compreendermos que autoridade se conquista respeitando e exigindo respeito, com posicionamento firme e claro e não através do uso de agressões ou violências, barulhos ou gritos.

Por fim, e para não restar dúvidas, não há problema em sermos amigos dos nossos filhos, desde que, antes disso exercemos nosso papel de pais com autoridade, equilíbrio, coerência e responsabilidade.

(Celso Garrefa - Sertãozinho SP)

sábado, 13 de maio de 2017

CULPA, DESCULPA PARA NÃO FAZER NADA


Ao falarmos sobre o sentimento de culpa costumamos relacioná-lo a fatos ocorridos no passado, onde nos autocondenamos, julgando haver cometido alguma falha, mas a culpa também pode ser projetada para o futuro, ou seja, nos culpamos antes mesmo de agir, imaginando o que poderá dar errado.

          A culpa, quando relacionada a algo passado paralisa, pois não dá para modificarmos o que já passou e quando projetada para o futuro também é paralisante, porque projetamos todo nosso foco e preocupação sobre o que poderá dar errado, que preferimos não arriscar.

Isso se aplica a todas as áreas da nossa vida, nosso trabalho, nossos estudos, nossos relacionamentos, nossos projetos. Quantas ideias grandiosas, quantos sonhos se perdem por medo de arriscarmos? Quantas esposas suportam companheiros violentos por medo de agir? Quantos pais se acomodam diante de filhos dependentes de droga por receio em tomar atitudes? Sempre a mesma justificativa: E se der errado?

Já está dando errado. Muitas vezes a culpa é apenas uma grande desculpa para a acomodação e para justificar a ausência de atitudes. E se eu endurecer e ele fugir de casa? E se eu não pagar suas drogas e ele roubar? E se eu não permitir que ele use dentro de casa e ele for preso na rua? E se eu denunciar um marido violento e ele me abandonar?

Isso é culpa por antecipação. pensamos somente o que poderá dar errado, concluindo que se isso acontecer seremos culpados. Esse medo imobiliza. Precisamos enxergar que, ao tomarmos uma atitude, a possibilidade maior é de começar a dar certo.

A culpa quando projetada para o futuro vem carregada de medos. Medo da reação do outro, medo do agravamento do problema, medo do que poderá acontecer, medo de perder.

Esses medos são naturais diante dos grandes desafios, e em certa dose servem para medirmos os prós e os contras, mas quando ele se transforma em pânico, impede qualquer tipo de ação. Esses medos também podem ser divididos em dois modos, o medo real e o medo imaginário. Ao analisamos criteriosamente percebemos que os reais são poucos e devem ser pensados e levados em consideração, entretanto, precisamos nos libertar dos medos imaginários, que ocupa quase a totalidade dos nossos receios e nos engessam.

Somente conseguiremos avanços eliminando as amarras que nos imobilizam. O futuro é incerto e a Deus pertence e ao imaginarmos o que virá pela frente, também precisamos nos ocupar de otimismo e de pensamentos positivos e esse já é um grande começo.

Celso Garrefa
AE Sertãozinho SP

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estud...