sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
VÍTIMAS E AGRESSORES
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
OS FILHOS DOS QUARTOS
Até pouco tempo nossas casas eram vistas como um ambiente seguro, uma fortaleza que protegia, que colocava nossos filhos livres dos perigos das ruas, e hoje o perigo vai além das ruas e também reside dentro dos nossos lares.
É equivocado acreditar que os filhos dos quartos estão isolados do mundo. Não estão. As tecnologias permitem o contato com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta, de forma instantânea. Porém, e isso preocupa, eles estão cada vez mais isolados e distantes da família.
A família, que deveria ser a base da formação da criança, do jovem, hoje possui concorrências poderosas, que são as redes sociais, os joguinhos, os youtubers, os influenciadores, os vídeos, os amigos virtuais etc. Os algoritmos parecem conhecer nossos filhos melhor que nós mesmos, disponibilizando conteúdos de acordo com o interesse deles, fortalecendo e validando aquilo que eles acreditam.
Tememos deixar uma criança desacompanhada na rua, mas ao deixá-la sozinha em seu quarto permitimos que a rua entre em nossa casa. E o que acessam, o que acreditam, com quem trocam mensagens, quem são seus amigos, o que está acontecendo, o que pensam, o que sentem, quem está do outro lado da rede etc.?
E os problemas vão além do excesso e influência das telas. Sem interação, sem convivência familiar, não se fortalecem os vínculos afetivos, e sem isso, muitos tornam-se frios, distantes e egoístas. Muitos terão dificuldades em socializar, em entrar no mercado de trabalho, em enfrentar os desafios da vida real.
Diante de toda ameaça que os quartos podem representar, ainda fazemos dele o ambiente desejado dos filhos. Colocamos uma tevê de qualidade, com canais a perder de vista, notebook com acesso livre à internet, jogos de videogames, ar condicionado, frigobar e entregamos a chave nas mãos dele. Quando precisam de alguma coisa, enviam o pedido via mensagem de celular e o atendemos prontamente e ainda reclamamos que ele não sai do quarto.
E o que fazer? Para não prolongar tanto este texto, no próximo vamos apresentar algumas dicas, orientações e sugestões para pensarmos o nosso agir diante deste desafio dos tempos modernos. Até breve.
Celso Garrefa - Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar"
e " O primeiro dia da minha nova vida"
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
O QUE A SUPERPROTEÇÃO E A DESPROTEÇÃO POSSUEM EM COMUM?
Nossos filhos não nascem prontos para a vida. Para sobreviver eles precisam do amparo, do cuidado e da proteção dos pais. Além da proteção básica, como alimentação, cuidados com a saúde, higiene etc., também precisam ser protegidos de qualquer tipo de violência, de maltrato, de exposição a conteúdos inadequados, de exploração sexual etc.
Os pequenos precisam de pais presentes que guiem os seus passos, que os preparem para a vida, e esse é um detalhe importante: preparar para a vida.
Muitas crianças não têm a sorte de nascer em famílias cuidadoras e sofrem vários tipos de abandonos, afetivos, materiais, espirituais etc., muitos convivem diariamente com a violência, seja ela direta ou indireta e são machucadas por aqueles que deveriam protegê-las.
Essa exposição a fatores negativos as colocam em alto grau de vulnerabilidade, ainda que parte delas, apesar de toda adversidade, ainda consigam mudar os rumos da sua vida e construir a própria história.
Por outro lado, no anseio de proteger, muitos pais extrapolam os limites da normalidade e adotam atitudes de extrema proteção, ou suja, a superproteção. E há que refletirmos também e diferenciar a proteção necessária, da superproteção.
E para tanto costumo sugerir uma regra básica e essencial na educação dos filhos: façam tudo o que forem capazes de fazer para proteger, para preservar, para ajudar os seus filhos, mas não façam nada, absolutamente nada, do que eles são capazes de fazer por si mesmos.
Permitam que eles carreguem o material escolar que é deles, permitam que eles levantem do sofá e se sirvam sozinhos de um copo de água, permitam que eles cooperam com o grupo familiar, permitam que eles assumam responsabilidades etc.
Mostre a eles que para tudo há limites, cuidado com os excessos de presentes, de festas, de sins. Ensinem a esperar, a conquistar, a lutar para conseguir. Não premiem comportamentos inadequados e aprenda a importância deles aprenderem o significado da palavra "não" dentro de casa.
Pode parecer loucura, mas continuo afirmando, sem nenhum medo de errar, quando mais facilitamos, quanto mais resolvemos, quanto mais enchemos os filhos de coisas, presentes e sins, sem deles nada exigir em troca, mais estes crescem insatisfeitos e revoltados com os pais. Sem noções de limites eles crescem sentindo o todo poderoso e exigindo cada vez mais.
Pode até parecer absurdo, mas a desproteção e a superproteção colocam os filhos praticamente ao mesmo nível de vulnerabilidade, por isso, volta a repetir: o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo.
Celso Garrefa
terça-feira, 11 de novembro de 2025
SEM DISCIPLINA FAZEMOS O NOSSO MÍNIMO E NÃO CHEGAMOS A LUGAR ALGUM
Na tentativa de mantermos
a ordem e a organização familiar, acabamos por fazer aquilo que é dever do
outro e quanto mais fazemos por ele, mais ele se torna indisciplinado e
folgado. Não dá para esperar disciplina sendo permissivos com toda espécie de
maus comportamentos; não conseguimos organizar nada com ausência de regras e falta de planejamento na casa, não conquistamos cooperação sem permitir que cada um assuma as suas funções.
O ato de exigir do outro
é cobrar dele, com autoridade, aquilo que é sua obrigação, seu dever. É obrigação dos filhos tratar os seus pais com respeito, e assim sendo, temos o direito de exigir que nos respeitem. E para exigir com autoridade precisamos, primeiro, cuidar dos nossos comportamentos e fazer deles um modelo a ser seguido, caso contrário, tornamo-nos autoritários.
Devemos, ainda, ter claro que não é necessário utilizarmos de gritos, ameaças ou escândalos para disciplinar. Quando buscamos esse objetivo através do medo, ele possui data de validade e termina quando as forças se equiparam. O ideal é conquistá-la com comportamentos equilibrados, coerentes e responsáveis, transmitindo e incentivando a disciplina como meio de alcançar objetivos, de organizar nossa vida, de realizar sonhos, conscientes de que sem disciplina fazermos o nosso mínimo e não chegamos a lugar algum.
Celso Garrefa
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
Entre folgados e sufocados
- Você não presta para nada, reclama a mãe para a filha durante a realização de uma tarefa em conjunto. A filha abaixa a cabeça, para o que está fazendo e se retira. Com essa atitude, a mãe perde uma preciosa oportunidade de estreitar os laços e estabelecer o diálogo, atitudes fundamentais para o fortalecimento dos vínculos afetivos.
Outras vezes queremos poupar os filhos de realizar quaisquer tarefas dentro de casa, preferindo fazer sozinhos aquilo que podemos realizar em parceria.
A cooperação exerce uma função
determinante na aproximação entre pais e filhos, desenvolve a empatia e transmite
a ideia de pertencimento, no entanto, para que haja essa construção não basta
fazer juntos, é preciso aproveitar o momento.
Dependendo da maneira como nos
comportamentos podemos colher resultados opostos. Ninguém se sente valorizado e
incentivado a cooperar se, durante as atividades estamos despejando broncas,
externando nosso mau humor, resmungando e reclamando de tudo.
Por sua vez, se valorizamos o
apoio recebido, realizando as tarefas de forma prazerosa, incentivando e
elogiando quando há merecimento, criamos uma via de mão dupla, dar e receber,
eu preciso de você, assim como você precisa de mim. Isso favorece o respeito mútuo.
Nossa casa pertence a todos
que nela habita e uma convivência familiar sadia exige que a cooperação seja
valorizada nas relações, pois sem ela, os seus membros transitarão entre dois
extremos: os folgados e os sufocados.
Celso Garrefa
quinta-feira, 17 de abril de 2025
CONSTRUINDO UMA AUTORIDADE SÓLIDA
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| (Imagem gerada por IA) |
O primeiro equívoco é tentar conquistá-la através de comportamentos hostis, grotescos ou violentos, ou através de gritos histéricos e atitudes agressivas. Não construímos uma autoridade sólida através da violência, e sim através de comportamentos equilibrados, de posicionamentos claros e firmes, onde o sim possui valor de sim, no entanto, quando o não é a resposta necessária, ele precisa prevalecer.
Posicionamentos frágeis e atitudes que não se sustentam, além de minar qualquer possibilidade de sucesso na construção de uma autoridade sólida, ainda nos tornam presas fáceis para filhos manipuladores, que são experts na arte de insistir, de incomodar, de manipular, até conquistarem aquilo que desejam.
O relacionamento do casal exerce um papel determinante no fortalecimento ou na fragilização da autoridade. Falar a mesma língua, em relação à educação dos filhos, é um fator positivo nessa construção, mas quando um vive desautorizando o outro, desconstruindo um combinado, são fatores negativos que enfraquecem essa conquista.
Por fim, não dá para falar em autoridade sem abordar um fator essencial para essa construção, que é o poder do exemplo. Sem sermos exemplos acabamos adotando atitudes nada funcionais: ou nos tornamos autoritários - faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço - ou nos tornamos permissivos e fechamos os olhos para os comportamentos que desaprovamos. E relembrando, mais uma vez, um dos lemas do Programa Amor-Exigente: Eu amo você, mas não aceito aquilo que você faz de errado.
Celso Garrefa
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"
terça-feira, 8 de abril de 2025
QUAL É O SEU PAPEL?
É necessário buscarmos o equilíbrio nessa relação, compreendendo as mudanças de mundo. Dialogar com a atual geração, da mesma forma com que lidávamos no passado, significa não respeitar as mudanças ocorridas ao longo do tempo, tornando nossa missão menos eficiente.
Os filhos da atual geração exigem novas formas de abordagens. Isso não significa igualar os papéis. Os pais continuam sendo pais e os filhos continuam sendo filhos; isso não muda e precisa ser preservado. Se o autoritarismo do passado não se encaixa na educação moderna, a autoridade dos pais é legítima, é necessária e deve ser exercida com firmeza, de forma responsável, consciente e coerente.
Se deixarmos de exercer uma função que nos é de direito, abrimos espaço para outros assumirem. Agindo assim, perdemos o controle da nossa vida e passamos a viver sob os domínios dos outros, inclusive por quem ainda não está preparado para isso ou por quem não gostaríamos que estivesse no comando.
Celso Garrefa
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"
sábado, 22 de fevereiro de 2025
MAIS "GENTE", MENOS "COISA"
As evoluções tecnológicas fizeram com que os seres humanos se distanciassem e com isso, estamos vivendo cada vez mais as relações virtuais e menos as presencias. A frieza das redes sociais, de certa forma, fez com que muitos de nós esquecêssemos que somos seres humanos. Nas redes, desejamos mostrar o sucesso, as conquistas e escondemos nossos desafios e dificuldades. Ignoramos que somos gente e que o outro também o é.
Quantas vezes nos deparamos com postagens nas redes sociais e, mesmo sem conhecer a fonte e a veracidade, friamente, compartilhamos ou fazemos comentários inapropriados e esquecemos que existe uma vida humana do outro lado da tela, uma pessoa que possui sentimentos e sofre as consequências de um ataque desnecessário e gratuito?
Mesmo diante de toda a tecnologia que nos cerca, ainda continuamos a ser gente e como gente possuímos sentimentos que precisamos proteger, com posicionamentos firmes, não permitindo ser invadidos, explorados, manipulados, massacrados, inclusive dentro da nossa própria casa. Todo grande abuso começa com pequenos ataques, que se ignorados ganham em intensidade ao longo do tempo.
O primeiro passo é aceitarmos o óbvio, somos gente, e reconhecendo isso, não aceitar e não permitir sermos tratados como qualquer coisa, como algo sem valor, que não merece respeito e assim, que possamos ser cada vez mais "gente" e menos "coisa".
Celso Garrefa
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O Primeiro dia da minha nova vida"
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
O VALOR DA BANANA
sábado, 12 de outubro de 2024
CABELOS MALUCOS OU MÃES MALUCAS?
Vimos de tudo: cabelos coloridos, elaborados com muito capricho, outros pais utilizaram coisas simples e com muita criatividade realizaram grandes feitos, quase uma obra de arte e houve aqueles pais que simplesmente enviaram os filhos aos cabeleireiros para executar o serviço.
Dá trabalho sim e cada um interpreta essa atividade da sua maneira. Há quem critique os professores, julgando que eles vivem inventando coisas e sobra para os pais, outros reclamam a falta de tempo para elaborar os penteados e muitos entram na brincadeira e curtem o momento.
Sim, cuidar das crianças dá trabalho e em uma época onde pais e filhos pouco interagem, ocupados com seus afazeres ou distraídos pelas redes sociais, essa atividade é uma grande oportunidade de contato, de aproximação, de troca.
Vivemos um tempo em que realizamos as tarefas e cuidados com os filhos quase que mecanicamente. Preparar a mochila, pentear os cabelos, correr com o café da manhã, sair voando para a escola. No retorno das aulas nem sempre perguntamos como seu dia na escola.
Infelizmente, quem terceirizou o serviço, ou quem executou os penteados dos filhos resmungando, reclamando, de mau humor, externalizando uma insatisfação na realização do feito, não aproveitou a oportunidade de estreitar os laços, de fortalecer os vínculos afetivos, de conhecer um pouco mais seus filhos. Quem não aproveitou o retorno das aulas para saber como foi o dia na escola com tantos cabelos malucos, e com tantas coisas que eles têm para transmitir, está perdendo um pouquinho dos filhos que tem.
Executar um penteado maluco nos filhos é trabalhoso, mas não pode ser motivo para nos deixar malucos. Maluco é não aproveitar a oportunidade para curtir o momento, entrar na brincadeira e fortalecer os laços afetivos entre pais e filhos.
Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar"
domingo, 8 de setembro de 2024
FILHOS AGRUPADOS, PAIS ISOLADOS
Os grupos aos quais os filhos se juntam são influenciadores, e dependendo da turma, tanto podem exercê-las de forma positiva como negativa. Além de influenciadores, os grupos exercem pressões e isso exige atenção e cuidado.
A adolescência é a fase da transição. Neste período eles tendem a ouvir menos os pais e mais os grupos de amizade, os influenciadores de internet, os ídolos etc. Em geral, sentem-se imunes e poderosos, e se testam o tempo todo. É, portanto, a fase em que estão mais sujeitos a desviar do caminho.
Nessa etapa da vida eles precisam fazer escolhas o tempo tempo, e sem exceção, em algum momento alguém vai apresentar-lhes o álcool e outras drogas. Caberá a eles fazer a escolha, com um detalhe, no momento da oferta, nós, pais, não vamos estar presentes, ou seja, a decisão caberá somente a eles.
Por tudo isso me convenço cada vez mais da necessidade dos pais buscarem conhecimentos, orientações e apoio. Filhos agrupados e pais isolados, alienados e ausentes em nada colaboram para uma transição segura e sadia da adolescência para a fase adulta.
Em primeiro lugar, devemos abandonar a negação e aceitar a ideia de que todos os nossos filhos estão sujeitos a desviar-se da rota. Podemos aprender com eles e formar os nossos grupos, onde trocamos experiências e nos preparamos para lidar com os desafios que atualmente é educar filhos, pois, como cito no livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar" - Não existem garantias de sucesso, mas sem uma postura educativa é quase certo o fracasso.
Celso Garrefa
sábado, 17 de agosto de 2024
CRIANÇAS ADULTAS X ADULTOS CRIANÇAS
E não é só isso, o tempo que sobra acaba engolido pelas tecnologias, utilizadas, inclusive, como método de distração dos pequenos, sem regras e sem limites. Nem mesmo na hora das refeições a família se reúne, e mesmo quando fazem a alimentação sentados à mesa, os celulares continuam ao lado dos pratos.
Não se conversa mais com os filhos, não se incentiva mais a brincadeira fora das redes, e sem o brincar a criança está deixando de ser aquilo que nesta fase da vida ela deveria ser: apenas criança.
Muitos pais também se renderam às redes sociais e também passam tempo absurdo conectados, e como consequência, assistimos a um distanciamento familiar, e sem essa convivência, não desenvolvemos os vínculos afetivos, fundamentais para uma educação assertiva.
Não existem mais os ritos de passagem e muitos meninos e meninas estão vivendo esta fase da vida como se fossem adultos, crescendo antes do tempo, acessando conteúdos impróprios para a idade e expostos a uma série de riscos.
Ironicamente, estas crianças que não foram vistas, nem tratadas como crianças, ao se tornarem adultas, passam a ser tratadas como incapazes, infantilizadas pelos pais, que querem facilitar, querem poupar, querem bancar, querem resolver e fazer por eles aquilo que nesta fase da vida eles próprios deveriam fazer.
Como consequência, podemos nos deparar com adultos que não conseguem assumir quaisquer responsabilidades, não desejam sair da casa dos pais, demoram para entrar no mercado de trabalho e assim, assistimos à formação da geração nem-nem, ou seja, nem trabalham, nem estudam.
Enfim, para formarmos adultos responsáveis, competentes e equilibrados é fundamental respeitarmos a lógica do tempo, ou seja, crianças são crianças, adultos são adultos e não o contrário.
Celso Garrefa (Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar")
sábado, 22 de julho de 2023
FALAR OU CALAR?
Já na madrugada, o filho chega
cambaleante. – Filho, precisamos conversar. O jovem, não demonstrando qualquer
interesse na fala do pai, reage de forma grotesca: - De novo esse papo, não
estou a fim de conversa, não. Entra no quarto bate a porta e deixa os pais no vácuo.
É inegável que os pais devem e
precisam falar com os filhos sobre o abuso do álcool ou consumo de outras
drogas, porém, é preciso que isso aconteça de forma adequada e em uma melhor hora.
Quando um filho chega sob efeito
de substâncias entorpecentes, qualquer tentativa de diálogo não produz efeito
algum. Nesse momento, aquilo que é transmitido entra por um ouvido e sai pelo
outro, ou ele pode se tornar agressivo e a tentativa de diálogo terminar em confronto.
Mas é importante não deixar cair
no esquecimento. É comum no dia seguinte, quando o filho recuperou do porre da
noitada, os pais se calarem, com receio de tocar no assunto e ele sair para rua
novamente. Como uma forma de se protegerem dos sofrimentos resultantes da convivência
com um dependente, os pais se iludem: quem sabe dessa vez ele para, e adotam o
silêncio.
Não dá para calar diante do
problema, mas também não precisamos exagerar com sermões e broncas
intermináveis. É preciso ser breve e passar o recado, transmitindo nosso posicionamento
contrário ao uso, de forma clara e firme, colocando-nos a disposição para ajudá-lo
a sair do enrosco em que se meteu, porém, descartando qualquer tipo de ajuda
que apenas favoreça a continuidade do problema e facilite o seu uso.
É preciso coragem para toca no assunto e jamais nos calar diante
de um problema, pois, como diz um dito popular, quem cala, consente.
Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP
sexta-feira, 7 de abril de 2023
PAIS E FILHOS: DE IGUAL PARA IGUAL
E a resposta é sim, se pensarmos na vida como um todo, desde a concepção até o final. Lembrando uma fala do professor Neube José Brigagão, ele citava que um pai poderá se relacionar de igual para igual com os seus filhos quando eles forem capazes de assumir as responsabilidades pela condução da própria vida.
Isso reforma a ideia deste princípio. Para um filho atingir o nível de responsabilidade, de dono, de independência e condutor da própria vida ele vai precisar, durante sua formação, dos pais exercendo o papel de pais. A principal função dos pais é educar, para isso, precisam exercer sua autoridade, que é legítima, norteando as condutas dos filhos, e não se obtém sucesso neste desafio tratando-os de igual para igual, como se fossem seus amiguinhos.
Os pais precisam preparar os seus filhos para a vida e não conquistamos isso resolvendo, facilitando ou fazendo por eles aquilo que é dever deles. Não ajudamos nossos filhos tratando-os como coitadinhos, desvalorizando as suas capacidades. Não atingimos o objetivo com receio de contrariá-los, com medo de dizer "não" como resposta, quando necessário. Não logramos êxito atendendo todas as suas exigências de forma imediata, para não frustrá-los, e parecer "bonzinhos".
Podemos, inclusive, nos deparar com um momento em que as funções se invertem e os filhos precisam cuidar dos pais, assumindo o papel de pais dos seus pais, em razão da idade avançada ou problemas de saúde e assumir esse cuidado é uma responsabilidade dos filhos, não dos amigos, portanto, que sejamos pais, para que nossos filhos possam ser nossos filhos, quando deles precisarmos.
Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP
domingo, 12 de março de 2023
"PAI, FAZ MAIS UM PIX PRA MIM"
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
"A" DE ABELHA, "E" DE ELEFANTE, "Z" DE ZABUMBA
Era uma escola dos anos
iniciais e reservaram uma sala de aula para a apresentação. As cadeiras estavam
enfileiradas em frente a um quadro negro, onde se via, logo acima, um varal feito
com barbante, com muito capricho, onde penduraram as letras do alfabeto
acompanhadas de figuras para ajudar as crianças a memorizarem cada letrinha.
Até aí, tudo muito bem, mas o
que chamou a nossa atenção foi a figura escolhida para representar a letra “K: uma
lata de cerveja cuja marca inicia com “K”.
O varal me fez relembrar da
minha escola na infância, da primeira professora, dos colegas de classe, e da cartilha “Caminho Suave”. Ainda preservo na memória cada figura correspondente a cada letra do alfabeto, desde o “A” de abelha, o “E” de
elefante, até o “Z” da zabumba.
A cena vista hoje retrata o
quanto vivemos em uma sociedade em que o álcool é culturalmente aceito e
glamourizado. As empresas investem alto em campanhas publicitárias, ligando a
marca ao prazer, ao sucesso, à alegria e o primeiro contato da criança com a
substância costuma acontecer dentro de casa, com anuência dos pais.
Ignora-se que o álcool também
é droga, mesmo que lícita para maiores, de alto poder destrutivo para aqueles
que se tornam dependentes dele, e não são poucos. Segundo estimativas, uma
parcela superior a 10% da população possui problemas relacionados a esse
produto.
Infelizmente, a
conscientização dos riscos que o consumo do álcool representa é quase nulo. Se
é desesperador ver pais mergulharem a chupeta do bebê no copo de cerveja, não
menos desesperador é ver uma escola utilizar a imagem de uma substância
alcoólica na alfabetização de crianças.
Não consegui sair do local,
sem alertar sobre a cena. Trocar a imagem é urgente, mas não basta: precisamos
mudar mentalidades. Consciência começa com “C”, mas bem que poderia começar com
“K”, assim poderíamos trocar a figura da cerveja por “Konsciência”.
Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP
sábado, 24 de dezembro de 2022
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