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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VÍTIMAS E AGRESSORES

Certo dia, estava eu assistindo a um seriado americano e aquele episódio tratava-se de uma invasão a uma unidade escolar daquele país. Alguém, fortemente armado, havia entrado na escola e começado a disparar contra professores, alunos e quem mais aparecesse pela frente, causando um grande tumulto, ferindo e matando pessoas.

A polícia logo foi acionada para conter o invasor. A notícia se espalhou rapidamente e muitos pais e mães dos alunos, além de outras pessoas, começaram a aglomerar em frente ao estabelecimento. De repente uma mãe, desesperada, chega até o comandante, questionando-o, querendo saber sobre seu filho, se ele estava bem, se havia sido atingido, se estava ferido etc.

Nesse momento, para a surpresa e desespero da mãe, o comandante olha para ela e diz: - Mãe, seu filho não está ferido, seu filho é o agressor, ele é o atirador. 

Esse episódio me fez refletir sobre nossas preocupações em relação aos nossos filhos. Com muita razão, desejamos a todo custo protegê-los para não se tornarem vítimas da violência, do abuso, do bullying, dos desafios de internet etc., e não pensamos e nem cogitamos a possibilidade de que eles tanto podem ser vítimas como agressores.

Pais e mães de filhos agressores sofrem tanto quanto pais e mães de filhos vítimas, e devemos, também, orientar nossas crianças e jovens para que não se tornem um perigo para outras pessoas. Como tenho dito e repetido, não existem garantias de sucesso, mas é nossa responsabilidade, enquanto pais, atuar ativamente na educação dos nossos filhos. Não desejamos que se tornem vítimas, e da mesma forma, não queremos filhos agressores. 



Celso Garrefa
Pedagogo social
Autor dos livros:
"Assertividade, um jeito inteligente de educar" e
"O primeiro dia da minha nova vida"





terça-feira, 30 de dezembro de 2025

OS FILHOS DOS QUARTOS

- Você vai passar o dia inteiro trancado aí, filho? - Reclama a mãe, desolada, sem saber como agir, observando o filho fechado em seu espaço. No passado temíamos perder nossos filhos para as ruas, hoje, por incrível que pareça, estamos perdendo nossos filhos para os seus quartos. 

Até pouco tempo nossas casas eram vistas como um ambiente seguro, uma fortaleza que protegia, que colocava nossos filhos livres dos perigos das ruas, e hoje o perigo vai além das ruas e também reside dentro dos nossos lares. 

É equivocado acreditar que os filhos dos quartos estão isolados do mundo. Não estão. As tecnologias permitem o contato com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta, de forma instantânea. Porém, e isso preocupa, eles estão cada vez mais isolados e distantes da família.

A família, que deveria ser a base da formação da criança, do jovem, hoje possui concorrências poderosas, que são as redes sociais, os joguinhos, os youtubers, os influenciadores, os vídeos, os amigos virtuais etc. Os algoritmos parecem conhecer nossos filhos melhor que nós mesmos, disponibilizando conteúdos de acordo com o interesse deles, fortalecendo e validando aquilo que eles acreditam. 

Tememos deixar uma criança desacompanhada na rua, mas ao deixá-la sozinha em seu quarto permitimos que a rua entre em nossa casa. E o que acessam, o que acreditam, com quem trocam mensagens, quem são seus amigos, o que está acontecendo, o que pensam, o que sentem, quem está do outro lado da rede etc.?

E os problemas vão além do excesso e influência das telas. Sem interação, sem convivência familiar, não se fortalecem os vínculos afetivos, e sem isso, muitos tornam-se frios, distantes e egoístas. Muitos terão dificuldades em socializar, em entrar no mercado de trabalho, em enfrentar os desafios da vida real.

Diante de toda ameaça que os quartos podem representar, ainda fazemos dele o ambiente desejado dos filhos. Colocamos uma tevê de qualidade, com canais a perder de vista, notebook com acesso livre à internet, jogos de videogames, ar condicionado, frigobar e entregamos a chave nas mãos dele. Quando precisam de alguma coisa, enviam o pedido via mensagem de celular e o atendemos prontamente e ainda reclamamos que ele não sai do quarto.

E o que fazer? Para não prolongar tanto este texto, no próximo vamos apresentar algumas dicas, orientações e sugestões para pensarmos o nosso agir diante deste desafio dos tempos modernos. Até breve.


Celso Garrefa - Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" 

e " O primeiro dia da minha nova vida"




sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O QUE A SUPERPROTEÇÃO E A DESPROTEÇÃO POSSUEM EM COMUM?

Tenho citado, em minhas palestras, que o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo e compreender essa realidade é necessário para os pais que desejam educar bem seus filhos. 

Nossos filhos não nascem prontos para a vida. Para sobreviver eles precisam do amparo, do cuidado e da proteção dos pais. Além da proteção básica, como alimentação, cuidados com a saúde, higiene etc., também precisam ser protegidos de qualquer tipo de violência, de maltrato, de exposição a conteúdos inadequados, de exploração sexual etc. 

Os pequenos precisam de pais presentes que guiem os seus passos, que os preparem para a vida, e esse é um detalhe importante: preparar para a vida. 

Muitas crianças não têm a sorte de nascer em famílias cuidadoras e sofrem vários tipos de abandonos, afetivos, materiais, espirituais etc., muitos convivem diariamente com a violência, seja ela direta ou indireta e são machucadas por aqueles que deveriam protegê-las. 

Essa exposição a fatores negativos as colocam em alto grau de vulnerabilidade, ainda que parte delas, apesar de toda adversidade, ainda consigam mudar os rumos da sua vida e construir a própria história. 

Por outro lado, no anseio de proteger, muitos pais extrapolam os limites da normalidade e adotam atitudes de extrema proteção, ou suja, a superproteção. E há que refletirmos também e diferenciar a proteção necessária, da superproteção. 

E para tanto costumo sugerir uma regra básica e essencial na educação dos filhos: façam tudo o que forem capazes de fazer para proteger, para preservar, para ajudar os seus filhos, mas não façam nada, absolutamente nada, do que eles são capazes de fazer por si mesmos.

Permitam que eles carreguem o material escolar que é deles, permitam que eles levantem do sofá e se sirvam sozinhos de um copo de água, permitam que eles cooperam com o grupo familiar, permitam que eles assumam responsabilidades etc. 

Mostre a eles que para tudo há limites, cuidado com os excessos de presentes, de festas, de sins. Ensinem a esperar, a conquistar, a lutar para conseguir. Não premiem comportamentos inadequados e aprenda a importância deles aprenderem o significado da palavra "não" dentro de casa. 

Pode parecer loucura, mas continuo afirmando, sem nenhum medo de errar, quando mais facilitamos, quanto mais resolvemos, quanto mais enchemos os filhos de coisas, presentes e sins, sem deles nada exigir em troca, mais estes crescem insatisfeitos e revoltados com os pais. Sem noções de limites eles crescem sentindo o todo poderoso e exigindo cada vez mais. 

Pode até parecer absurdo, mas a desproteção e a superproteção colocam os filhos praticamente ao mesmo nível de vulnerabilidade, por isso, volta a repetir: o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo. 


Celso Garrefa



terça-feira, 11 de novembro de 2025

SEM DISCIPLINA FAZEMOS O NOSSO MÍNIMO E NÃO CHEGAMOS A LUGAR ALGUM

Um dos objetivos da disciplina é ordenar e organizar a nossa vida e também a vida da nossa família. Para tanto, todos os membros da casa devem assumir suas responsabilidades, visando essa organização; porém, não é nada fácil cobrar disciplina de quem não a tem.

Na tentativa de mantermos a ordem e a organização familiar, acabamos por fazer aquilo que é dever do outro e quanto mais fazemos por ele, mais ele se torna indisciplinado e folgado. Não dá para esperar disciplina sendo permissivos com toda espécie de maus comportamentos; não conseguimos organizar nada com ausência de regras e falta de planejamento na casa, não conquistamos cooperação sem permitir que cada um assuma as suas funções. 

O ato de exigir do outro é cobrar dele, com autoridade, aquilo que é sua obrigação, seu dever. É obrigação dos filhos tratar os seus pais com respeito, e assim sendo, temos o direito de exigir que nos respeitem. E para exigir com autoridade precisamos, primeiro, cuidar dos nossos comportamentos e fazer deles um modelo a ser seguido, caso contrário, tornamo-nos autoritários. 

Devemos, ainda, ter claro que não é necessário utilizarmos de gritos, ameaças ou escândalos para disciplinar. Quando buscamos esse objetivo através do medo, ele possui data de validade e termina quando as forças se equiparam. O ideal é conquistá-la com comportamentos equilibrados, coerentes e responsáveis, transmitindo e incentivando a disciplina como meio de alcançar objetivos, de organizar nossa vida, de realizar sonhos, conscientes de que sem disciplina fazermos o nosso mínimo e não chegamos a lugar algum.  


Celso Garrefa




quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Entre folgados e sufocados

- Você não presta para nada, reclama a mãe para a filha durante a realização de uma tarefa em conjunto. A filha abaixa a cabeça, para o que está fazendo e se retira. Com essa atitude, a mãe perde uma preciosa oportunidade de estreitar os laços e estabelecer o diálogo, atitudes fundamentais para o fortalecimento dos vínculos afetivos. 

Outras vezes queremos poupar os filhos de realizar quaisquer tarefas dentro de casa, preferindo fazer sozinhos aquilo que podemos realizar em parceria.

A cooperação exerce uma função determinante na aproximação entre pais e filhos, desenvolve a empatia e transmite a ideia de pertencimento, no entanto, para que haja essa construção não basta fazer juntos, é preciso aproveitar o momento.

Dependendo da maneira como nos comportamentos podemos colher resultados opostos. Ninguém se sente valorizado e incentivado a cooperar se, durante as atividades estamos despejando broncas, externando nosso mau humor, resmungando e reclamando de tudo.

Por sua vez, se valorizamos o apoio recebido, realizando as tarefas de forma prazerosa, incentivando e elogiando quando há merecimento, criamos uma via de mão dupla, dar e receber, eu preciso de você, assim como você precisa de mim. Isso favorece o respeito mútuo.

Nossa casa pertence a todos que nela habita e uma convivência familiar sadia exige que a cooperação seja valorizada nas relações, pois sem ela, os seus membros transitarão entre dois extremos: os folgados e os sufocados.

 


Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida".

quinta-feira, 17 de abril de 2025

CONSTRUINDO UMA AUTORIDADE SÓLIDA

(Imagem gerada por IA)
O exercício da autoridade é necessário e legítimo e sua ausência é desastrosa na educação dos filhos, no entanto, a conquista da autoridade não é algo que recebemos pronto, mas uma construção que exige atitudes e comportamentos adequados. 

O primeiro equívoco é tentar conquistá-la através de comportamentos hostis, grotescos ou violentos, ou através de gritos histéricos e atitudes agressivas. Não construímos uma autoridade sólida através da violência, e sim através de comportamentos equilibrados, de posicionamentos claros e firmes, onde o sim possui valor de sim, no entanto, quando o não é a resposta necessária, ele precisa prevalecer.

Posicionamentos frágeis e atitudes que não se sustentam, além de minar qualquer possibilidade de sucesso na construção de uma autoridade sólida, ainda nos tornam presas fáceis para filhos manipuladores, que são experts na arte de insistir, de incomodar, de manipular, até conquistarem aquilo que desejam.

O relacionamento do casal exerce um papel determinante no fortalecimento ou na fragilização da autoridade. Falar a mesma língua, em relação à educação dos filhos, é um fator positivo nessa construção, mas quando um vive desautorizando o outro, desconstruindo um combinado, são fatores negativos que enfraquecem essa conquista.

Por fim, não dá para falar em autoridade sem abordar um fator essencial para essa construção, que é o poder do exemplo. Sem sermos exemplos acabamos adotando atitudes nada funcionais: ou nos tornamos autoritários - faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço - ou nos tornamos permissivos e fechamos os olhos para os comportamentos que desaprovamos. E relembrando, mais uma vez, um dos lemas do Programa Amor-Exigente: Eu amo você, mas não aceito aquilo que você faz de errado.



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"

 





terça-feira, 8 de abril de 2025

QUAL É O SEU PAPEL?


Percebemos, nos dias atuais, uma confusão em relação aos papéis que cada um ocupa no contexto familiar. Pais deixando de exercer seu papel, para se tornarem apenas amiguinhos dos filhos, outras vezes tratando filhos adultos como se esses fossem crianças incapazes. Esposas assumindo o papel de mães do companheiro, avós anulando o papel dos pais e assumindo para si a responsabilidade pelos netos, pais transferindo suas responsabilidades para professores etc. 

Sem uma clareza nos papéis que cada um desempenha no ambiente familiar, a casa pode se tornar disfuncional. Não se constrói um ambiente familiar adequado e equilibrado, se deixarmos de assumir ou reassumir as nossas funções de acordo com a posição hierárquica que ocupamos.

Além das diferenças nos papéis que pais e filhos ocupam no contexto familiar, também devemos considerar outras diferenças, como, por exemplo, o fato de que cada um deles viverem momentos diferentes. Os pais, hoje adultos, já foram adolescentes, enquanto muitos filhos ainda não amadureceram e essa diferença pode gerar conflitos geracionais.

É necessário buscarmos o equilíbrio nessa relação, compreendendo as mudanças de mundo. Dialogar com a atual geração, da mesma forma com que lidávamos no passado, significa não respeitar as mudanças ocorridas ao longo do tempo, tornando nossa missão menos eficiente. 

Os filhos da atual geração exigem novas formas de abordagens. Isso não significa igualar os papéis. Os pais continuam sendo pais e os filhos continuam sendo filhos; isso não muda e precisa ser preservado. Se o autoritarismo do passado não se encaixa na educação moderna, a autoridade dos pais é legítima, é necessária e deve ser exercida com firmeza, de forma responsável, consciente e coerente. 

Se deixarmos de exercer uma função que nos é de direito, abrimos espaço para outros assumirem. Agindo assim, perdemos o controle da nossa vida e passamos a viver sob os domínios dos outros, inclusive por quem ainda não está preparado para isso ou por quem não gostaríamos que estivesse no comando.



Celso Garrefa 

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"


sábado, 22 de fevereiro de 2025

MAIS "GENTE", MENOS "COISA"

Parece-nos que o ser humano está perdendo sua humanidade. As relações entre as pessoas estão cada vez mais frias, ausentes de sensibilidade e pouco empáticas e isso nos deixa um questionamento: será que estamos perdendo nossa essência humana e nos tornando mais "coisa" e menos "gente"?

As evoluções tecnológicas fizeram com que os seres humanos se distanciassem e com isso, estamos vivendo cada vez mais as relações virtuais e menos as presencias. A frieza das redes sociais, de certa forma, fez com que muitos de nós esquecêssemos que somos seres humanos. Nas redes, desejamos mostrar o sucesso, as conquistas e escondemos nossos desafios e dificuldades. Ignoramos que somos gente e que o outro também o é. 

Quantas vezes nos deparamos com postagens nas redes sociais e, mesmo sem conhecer a fonte e a veracidade, friamente, compartilhamos ou fazemos comentários inapropriados e esquecemos que existe uma vida humana do outro lado da tela, uma pessoa que possui sentimentos e sofre as consequências de um ataque desnecessário e gratuito?

Mesmo diante de toda a tecnologia que nos cerca, ainda continuamos a ser gente e como gente possuímos sentimentos que precisamos proteger, com posicionamentos firmes, não permitindo ser invadidos, explorados, manipulados, massacrados, inclusive dentro da nossa própria casa. Todo grande abuso começa com pequenos ataques, que se ignorados ganham em intensidade ao longo do tempo.

O primeiro passo é aceitarmos o óbvio, somos gente, e reconhecendo isso, não aceitar e não permitir sermos tratados como qualquer coisa, como algo sem valor, que não merece respeito e assim, que possamos ser cada vez mais "gente" e menos "coisa".


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O Primeiro dia da minha nova vida"

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

O VALOR DA BANANA

Uma banana presa à parede por uma fita adesiva foi arrematada, como obra de arte, em um leilão, por R$ 35,8 milhões e o fato foi comentado e discutido em vários canais de comunicação, fazendo-nos refletir sobre o valor da banana. 

Evidente que valor é diferente de preço. Se pensarmos em preço, é possível comprar uma dúzia delas por alguns reais, mas o valor de um produto ou serviço vai muito além do seu preço e inclui a percepção que a pessoa faz em relação ao mesmo produto ou serviço.

O episódio da banana me vez refletir sobre o seu valor. Tenho repetido em minhas palestras, que na nossa casa acontece um fato interessante: a última banana da fruteira nós jogamos fora. Essa banana dispensada evidentemente não custa milhões de reais, mas para nós o seu valor vai muito além dos poucos reais por ela pago.

Um dos principais valores a ser construído e preservado nas relações familiares são os fortes vínculos afetivos entre os seus membros, e onde existe vínculo, existe respeito, existe interesse e preocupação de uns com os outros. Vínculos afetivos são, portanto, uma via de mão dupla, ou seja, dar e receber na mesma proporção.

Sem o fortalecimento dos vínculos, a relação entre os membros da família é de frieza. Cada um vive a seu modo, no seu egoísmo, sem se preocupar com o bem estar do outro, ou os esforços partem de apenas um dos lados, que está sempre cedendo, permitindo inadequações, diminuindo o seu valor, enquanto o outro não demonstra qualquer empatia ou compaixão. 

Talvez, a essa altura, você esteja se perguntando sobre aquela última banana da fruteira, que jogamos fora e isso acontece exatamente devido aos vínculos afetivos construídos na nossa relação familiar. É comum na nossa casa, quando apenas resta uma banana na fruteira, nenhum de nós comê-la pensando no outro. Por fim, a banana acaba amolecendo e dispensada. 

Acho isso fantástico, pois me transmite a certeza de que na nossa casa existe uma relação de empatia, de cuidado, de preocupação com o outro, onde o bem estar de cada um é uma responsabilidade de todos. Finalizo este texto desejando intensamente que na sua casa, a última banana da fruteira também seja jogada fora.


Celso Garrefa
Pedagogo Social





sábado, 12 de outubro de 2024

CABELOS MALUCOS OU MÃES MALUCAS?

Nesta semana do dia das crianças uma onda se espalhou pelas escolas e muitas imagens de pequeninos com cabelos enfeitados viralizaram nas redes sociais e junto delas a queixa de muitas mães: estes cabelos malucos estão me deixando maluca. 

Vimos de tudo: cabelos coloridos, elaborados com muito capricho, outros pais utilizaram coisas simples e com muita criatividade realizaram grandes feitos, quase uma obra de arte e houve aqueles pais que simplesmente enviaram os filhos aos cabeleireiros para executar o serviço.

Dá trabalho sim e cada um interpreta essa atividade da sua maneira. Há quem critique os professores, julgando que eles vivem inventando coisas e sobra para os pais, outros reclamam a falta de tempo para elaborar os penteados e muitos entram na brincadeira e curtem o momento.

Sim, cuidar das crianças dá trabalho e em uma época onde pais e filhos pouco interagem, ocupados com seus afazeres ou distraídos pelas redes sociais, essa atividade é uma grande oportunidade de contato, de aproximação, de troca. 

Vivemos um tempo em que realizamos as tarefas e cuidados com os filhos quase que mecanicamente. Preparar a mochila, pentear os cabelos, correr com o café da manhã, sair voando para a escola. No retorno das aulas nem sempre perguntamos como seu dia na escola.

Infelizmente, quem terceirizou o serviço, ou quem executou os penteados dos filhos resmungando, reclamando, de mau humor, externalizando uma insatisfação na realização do feito, não aproveitou a oportunidade de estreitar os laços, de fortalecer os vínculos afetivos, de conhecer um pouco mais seus filhos. Quem não aproveitou o retorno das aulas para saber como foi o dia na escola com tantos cabelos malucos, e com tantas coisas que eles têm para transmitir, está perdendo um pouquinho dos filhos que tem. 

Executar um penteado maluco nos filhos é trabalhoso, mas não pode ser motivo para nos deixar malucos. Maluco é não aproveitar a oportunidade para curtir o momento, entrar na brincadeira e fortalecer os laços afetivos entre pais e filhos. 


Celso Garrefa - Pedagogo Social

Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar"



domingo, 8 de setembro de 2024

FILHOS AGRUPADOS, PAIS ISOLADOS

Desde muito cedo nossos filhos formam seus grupos, seja na escola onde estudam, seja com os colegas do bairro, seja nos projetos que participam e até mesmo em suas redes sociais. Agrupados, fazem uso intensivo dessas redes de apoio, trocando experiências o tempo todo. Na contramão dessa realidade, encontramos pais sozinhos e isolados.

Os grupos aos quais os filhos se juntam são influenciadores, e dependendo da turma, tanto podem exercê-las de forma positiva como negativa. Além de influenciadores, os grupos exercem pressões e isso exige atenção e cuidado. 

A adolescência é a fase da transição. Neste período eles tendem a ouvir menos os pais e mais os grupos de amizade, os influenciadores de internet, os ídolos etc. Em geral, sentem-se imunes e poderosos, e se testam o tempo todo. É, portanto, a fase em que estão mais sujeitos a desviar do caminho.

Nessa etapa da vida eles precisam fazer escolhas o tempo tempo, e sem exceção, em algum momento alguém vai apresentar-lhes o álcool e outras drogas. Caberá a eles fazer a escolha, com um detalhe, no momento da oferta, nós, pais, não vamos estar presentes, ou seja, a decisão caberá somente a eles.

Por tudo isso me convenço cada vez mais da necessidade dos pais buscarem conhecimentos, orientações e apoio. Filhos agrupados e pais isolados, alienados e ausentes em nada colaboram para uma transição segura e sadia da adolescência para a fase adulta.

Em primeiro lugar, devemos abandonar a negação e aceitar a ideia de que todos os nossos filhos estão sujeitos a desviar-se da rota. Podemos aprender com eles e formar os nossos grupos, onde trocamos experiências e nos preparamos para lidar com os desafios que atualmente é educar filhos, pois, como cito no livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar" - Não existem garantias de sucesso, mas sem uma postura educativa é quase certo o fracasso. 



Celso Garrefa 


sábado, 17 de agosto de 2024

CRIANÇAS ADULTAS X ADULTOS CRIANÇAS

Observando os dias atuais percebemos que a presença dos pais na vida dos filhos está cada vez mais reduzida. O estilo de vida acelerado, os compromissos com trabalho e o estresse do dia a dia são, em parte, são responsáveis por este afastamento. 

E não é só isso, o tempo que sobra acaba engolido pelas tecnologias, utilizadas, inclusive, como método de distração dos pequenos, sem regras e sem limites. Nem mesmo na hora das refeições a família se reúne, e mesmo quando fazem a alimentação sentados à mesa, os celulares continuam ao lado dos pratos.  

Não se conversa mais com os filhos, não se incentiva mais a brincadeira fora das redes, e sem o brincar a criança está deixando de ser aquilo que nesta fase da vida ela deveria ser: apenas criança.  

Muitos pais também se renderam às redes sociais e também passam tempo absurdo conectados, e como consequência, assistimos a um distanciamento familiar, e sem essa convivência, não desenvolvemos os vínculos afetivos, fundamentais para uma educação assertiva.   

Não existem mais os ritos de passagem e muitos meninos e meninas estão vivendo esta fase da vida como se fossem adultos, crescendo antes do tempo, acessando conteúdos impróprios para a idade e expostos a uma série de riscos. 

Ironicamente, estas crianças que não foram vistas, nem tratadas como crianças, ao se tornarem adultas, passam a ser tratadas como incapazes, infantilizadas pelos pais, que querem facilitar, querem poupar, querem bancar, querem resolver e fazer por eles aquilo que nesta fase da vida eles próprios deveriam fazer.  

Como consequência, podemos nos deparar com adultos que não conseguem assumir quaisquer responsabilidades, não desejam sair da casa dos pais, demoram para entrar no mercado de trabalho e assim, assistimos à formação da geração nem-nem, ou seja, nem trabalham, nem estudam. 

Enfim, para formarmos adultos responsáveis, competentes e equilibrados é fundamental respeitarmos a lógica do tempo, ou seja, crianças são crianças, adultos são adultos e não o contrário. 


Celso Garrefa (Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar")



sábado, 22 de julho de 2023

FALAR OU CALAR?

Tarde da noite, os pais angustiados esperam pelo filho que está na rua. Eles sabem que o jovem tem feito uso abusivo do álcool e está dependente de outros drogas. Enquanto não chega, eles vão se preparando para uma conversa: de hoje não passa, hoje ele vai ter que nos ouvir, do jeito que está não dá mais.

Já na madrugada, o filho chega cambaleante. – Filho, precisamos conversar. O jovem, não demonstrando qualquer interesse na fala do pai, reage de forma grotesca: - De novo esse papo, não estou a fim de conversa, não. Entra no quarto bate a porta e deixa os pais no vácuo.

É inegável que os pais devem e precisam falar com os filhos sobre o abuso do álcool ou consumo de outras drogas, porém, é preciso que isso aconteça de forma adequada e em uma melhor hora.

Quando um filho chega sob efeito de substâncias entorpecentes, qualquer tentativa de diálogo não produz efeito algum. Nesse momento, aquilo que é transmitido entra por um ouvido e sai pelo outro, ou ele pode se tornar agressivo e a tentativa de diálogo terminar em confronto.

Mas é importante não deixar cair no esquecimento. É comum no dia seguinte, quando o filho recuperou do porre da noitada, os pais se calarem, com receio de tocar no assunto e ele sair para rua novamente. Como uma forma de se protegerem dos sofrimentos resultantes da convivência com um dependente, os pais se iludem: quem sabe dessa vez ele para, e adotam o silêncio.

Não dá para calar diante do problema, mas também não precisamos exagerar com sermões e broncas intermináveis. É preciso ser breve e passar o recado, transmitindo nosso posicionamento contrário ao uso, de forma clara e firme, colocando-nos a disposição para ajudá-lo a sair do enrosco em que se meteu, porém, descartando qualquer tipo de ajuda que apenas favoreça a continuidade do problema e facilite o seu uso.

É preciso coragem para toca no assunto e jamais nos calar diante de um problema, pois, como diz um dito popular, quem cala, consente.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

sexta-feira, 7 de abril de 2023

PAIS E FILHOS: DE IGUAL PARA IGUAL

O quarto princípio básico do Programa Amor-Exigente cita uma grande verdade: pais e filhos não são iguais, ou seja, cada um desempenha funções diferentes na organização familiar, que precisam ser respeitadas. Refletindo sobre isso, podemos nos questionar se haverá algum momento em que pais e filhos poderão se relacionar de igual para igual.

E a resposta é sim, se pensarmos na vida como um todo, desde a concepção até o final. Lembrando uma fala do professor Neube José Brigagão, ele citava que um pai poderá se relacionar de igual para igual com os seus filhos quando eles forem capazes de assumir as responsabilidades pela condução da própria vida.

Isso reforma a ideia deste princípio. Para um filho atingir o nível de responsabilidade, de dono, de independência e condutor da própria vida ele vai precisar, durante sua formação, dos pais exercendo o papel de pais. A principal função dos pais é educar, para isso, precisam exercer sua autoridade, que é legítima, norteando as condutas dos filhos, e não se obtém sucesso neste desafio tratando-os de igual para igual, como se fossem seus amiguinhos.

Os pais precisam preparar os seus filhos para a vida e não conquistamos isso resolvendo, facilitando ou fazendo por eles aquilo que é dever deles. Não ajudamos nossos filhos tratando-os como coitadinhos, desvalorizando as suas capacidades. Não atingimos o objetivo com receio de contrariá-los, com medo de dizer "não" como resposta, quando necessário. Não logramos êxito atendendo todas as suas exigências de forma imediata, para não frustrá-los, e parecer "bonzinhos". 

Podemos, inclusive, nos deparar com um momento em que as funções se invertem e os filhos precisam cuidar dos pais, assumindo o papel de pais dos seus pais, em razão da idade avançada ou problemas de saúde e assumir esse cuidado é uma responsabilidade dos filhos, não dos amigos, portanto, que sejamos pais, para que nossos filhos possam ser nossos filhos, quando deles precisarmos.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP





domingo, 12 de março de 2023

"PAI, FAZ MAIS UM PIX PRA MIM"

O Pix, um modo de transferências e pagamentos instantâneos, é mais um recurso tecnológico que chegou para facilitar a nossa vida, porém, para muitos familiares isso está se tornando um tormento. Muitos filhos estão achando que seus pais são bancos e a qualquer hora...


Obs.: Em razão de regras contratuais, este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.


                                                               Grato pela compreensão.  





segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

"A" DE ABELHA, "E" DE ELEFANTE, "Z" DE ZABUMBA

Recentemente fomos convidados a apresentar o Amor-Exigente para um grupo de pessoas interessadas em implantar o programa em uma cidade vizinha, cuja identidade prefiro preservar. No dia e horário combinados deslocamos até o local e fomos muito bem recebidos por uma equipe de pessoas dispostas e interessadas.

Era uma escola dos anos iniciais e reservaram uma sala de aula para a apresentação. As cadeiras estavam enfileiradas em frente a um quadro negro, onde se via, logo acima, um varal feito com barbante, com muito capricho, onde penduraram as letras do alfabeto acompanhadas de figuras para ajudar as crianças a memorizarem cada letrinha.

Até aí, tudo muito bem, mas o que chamou a nossa atenção foi a figura escolhida para representar a letra “K: uma lata de cerveja cuja marca inicia com “K”.

O varal me fez relembrar da minha escola na infância, da primeira professora, dos colegas de classe, e da cartilha “Caminho Suave”.  Ainda preservo na memória cada figura correspondente a cada letra do alfabeto, desde o “A” de abelha, o “E” de elefante, até o “Z” da zabumba.

A cena vista hoje retrata o quanto vivemos em uma sociedade em que o álcool é culturalmente aceito e glamourizado. As empresas investem alto em campanhas publicitárias, ligando a marca ao prazer, ao sucesso, à alegria e o primeiro contato da criança com a substância costuma acontecer dentro de casa, com anuência dos pais.

Ignora-se que o álcool também é droga, mesmo que lícita para maiores, de alto poder destrutivo para aqueles que se tornam dependentes dele, e não são poucos. Segundo estimativas, uma parcela superior a 10% da população possui problemas relacionados a esse produto.

Infelizmente, a conscientização dos riscos que o consumo do álcool representa é quase nulo. Se é desesperador ver pais mergulharem a chupeta do bebê no copo de cerveja, não menos desesperador é ver uma escola utilizar a imagem de uma substância alcoólica na alfabetização de crianças.

Não consegui sair do local, sem alertar sobre a cena. Trocar a imagem é urgente, mas não basta: precisamos mudar mentalidades. Consciência começa com “C”, mas bem que poderia começar com “K”, assim poderíamos trocar a figura da cerveja por “Konsciência”.


Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

sábado, 24 de dezembro de 2022

SEJA PERMISSIVO COM SEUS FILHOS

Seja permissivo com seus filhos. Permita que eles levantem o traseiro do sofá e vão até a geladeira para se servirem de mais um copo de água. Permita que eles carregam os...

Obs.: Em razão de regras contratuais, este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.


                                                               Grato pela compreensão.  











QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estud...