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sábado, 17 de janeiro de 2026

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estudos? Quantos de nós foi o primeiro a romper um ciclo de violências reproduzidas por longo período? Quantos de nós foi o primeiro a não fazer uso de nenhuma substância que cause dependência, mesmo vivendo em uma família em que o uso do álcool ou do cigarro são culturalmente aceitos?

Pode até parecer simples, mas é preciso coragem e sabedoria para romper ciclos de comportamentos enraizados na família, e que se reproduzem geração após geração. Aqueles que ousam romper com padrões pré-estabelecidos parece incomodar, mesmo que a busca da mudança vise melhorar a sua condição de vida. 

Esses padrões comportamentais muitas vezes soam como verdades absolutas na família, e assim sendo, são copiados e reproduzidos ao longo do tempo, sem questionamentos, e quem ousa rompê-los e abandonar esse jogo é visto como um estranho, um exibido. 

Não é simples pular desse barco, mesmo que furado, porque quem ousa fazê-lo costuma ser bombardeado por críticas, por julgamentos e visto como um traidor.  Incomoda, para muitos, ver que alguém está fazendo diferente, está se sobressaindo e por isso ele pode ser vítima de todo o tipo de ataque. 

O primeiro princípio do Programa Amor-Exigente nos leva a refletir sobre nossas raízes culturais e a lançarmos um olhar sobre o passado, refletindo e realizando uma autoanálise, visando sabermos de onde viemos, em quem nos tornamos e onde queremos chegar. 

A partir disso podemos nos posicionar: o que foi saudável e queremos preservar? o que vale a pena resgatar? e o que não foi bom e precisamos descartar, romper o ciclo, abandonar padrões comportamentais não saudáveis e buscar uma nova maneira de viver? 

Quem o fará? Que seja eu, que seja você, só não dá para continuarmos girando na mesma roda feito um ramister em seu brinquedinho, girando, girando e girando, sem sair do lugar. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e

"O primeiro dia da minha nova vida"







sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VÍTIMAS E AGRESSORES

Certo dia, estava eu assistindo a um seriado americano e aquele episódio tratava-se de uma invasão a uma unidade escolar daquele país. Alguém, fortemente armado, havia entrado na escola e começado a disparar contra professores, alunos e quem mais aparecesse pela frente, causando um grande tumulto, ferindo e matando pessoas.

A polícia logo foi acionada para conter o invasor. A notícia se espalhou rapidamente e muitos pais e mães dos alunos, além de outras pessoas, começaram a aglomerar em frente ao estabelecimento. De repente uma mãe, desesperada, chega até o comandante, questionando-o, querendo saber sobre seu filho, se ele estava bem, se havia sido atingido, se estava ferido etc.

Nesse momento, para a surpresa e desespero da mãe, o comandante olha para ela e diz: - Mãe, seu filho não está ferido, seu filho é o agressor, ele é o atirador. 

Esse episódio me fez refletir sobre nossas preocupações em relação aos nossos filhos. Com muita razão, desejamos a todo custo protegê-los para não se tornarem vítimas da violência, do abuso, do bullying, dos desafios de internet etc., e não pensamos e nem cogitamos a possibilidade de que eles tanto podem ser vítimas como agressores.

Pais e mães de filhos agressores sofrem tanto quanto pais e mães de filhos vítimas, e devemos, também, orientar nossas crianças e jovens para que não se tornem um perigo para outras pessoas. Como tenho dito e repetido, não existem garantias de sucesso, mas é nossa responsabilidade, enquanto pais, atuar ativamente na educação dos nossos filhos. Não desejamos que se tornem vítimas, e da mesma forma, não queremos filhos agressores. 



Celso Garrefa
Pedagogo social
Autor dos livros:
"Assertividade, um jeito inteligente de educar" e
"O primeiro dia da minha nova vida"





domingo, 4 de janeiro de 2026

DESAPEGUE E VIVA COM LEVEZA

Começamos um novo ano, momento de desapegar. Sabe aquela roupa sem uso, guardada há anos no guarda-roupas, desapegue. Ou aquele calçado que achamos horroroso, mas continua guardado, desapegue. Papeis amarelados nas gavetas há séculos, desapegue. Objetos que não utilizamos mais, desapegue.

Reorganize seu quarto, revise suas paredes, esvazie suas gavetas, elimine o que não serve mais, o que não agrada mais, o que não faz mais sentido. Elimine, principalmente, o que não traz boas lembranças, aquilo, cuja memória nos faz sofrer. 

A partir disso, veja o que está cuidadosamente guardado, esperando o momento certo para ser utilizado. Aquelas belas taças guardadas no armário à espera de visitas, aquela roupa de cama esperando uma ocasião especial, o presente ganho no casamento e ainda cuidadosamente encaixotado. Eles não foram feitos para ficarem guardados, mas para serem utilizados. A vida acontece agora, viva-a, agora, que o tempo passa e como passa rápido.

Mas, não se contente com aquilo que é material. Faça também uma faxina em seus sentimentos e desapegue daqueles que machucam, daqueles que insistimos em carregá-los ao longo da vida. Desapegue da raiva, liberte-se dos ressentimentos, livre-se da carga pesada do sentimento de culpa, descarte as mágoas.  Remova todo o peso que te impede de caminhar.

Seja uma nova pessoa neste novo ano e viva o que de fato vale a pena ser vivido. Valorize o que, de fato, vale a pena ser valorizado. Não se aborreça por bobagens. Pare de remoer o passado e foque no novo, no futuro. Se preciso for, perdoe-se; se necessário for, reconstrua-se, se precisar, busque ajuda e faça de cada dia deste novo ano, o primeiro dia da sua nova vida. 



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros: Assertividade, um jeito inteligente de educar e Primeiro dia da minha nova vida 





terça-feira, 30 de dezembro de 2025

OS FILHOS DOS QUARTOS

- Você vai passar o dia inteiro trancado aí, filho? - Reclama a mãe, desolada, sem saber como agir, observando o filho fechado em seu espaço. No passado temíamos perder nossos filhos para as ruas, hoje, por incrível que pareça, estamos perdendo nossos filhos para os seus quartos. 

Até pouco tempo nossas casas eram vistas como um ambiente seguro, uma fortaleza que protegia, que colocava nossos filhos livres dos perigos das ruas, e hoje o perigo vai além das ruas e também reside dentro dos nossos lares. 

É equivocado acreditar que os filhos dos quartos estão isolados do mundo. Não estão. As tecnologias permitem o contato com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta, de forma instantânea. Porém, e isso preocupa, eles estão cada vez mais isolados e distantes da família.

A família, que deveria ser a base da formação da criança, do jovem, hoje possui concorrências poderosas, que são as redes sociais, os joguinhos, os youtubers, os influenciadores, os vídeos, os amigos virtuais etc. Os algoritmos parecem conhecer nossos filhos melhor que nós mesmos, disponibilizando conteúdos de acordo com o interesse deles, fortalecendo e validando aquilo que eles acreditam. 

Tememos deixar uma criança desacompanhada na rua, mas ao deixá-la sozinha em seu quarto permitimos que a rua entre em nossa casa. E o que acessam, o que acreditam, com quem trocam mensagens, quem são seus amigos, o que está acontecendo, o que pensam, o que sentem, quem está do outro lado da rede etc.?

E os problemas vão além do excesso e influência das telas. Sem interação, sem convivência familiar, não se fortalecem os vínculos afetivos, e sem isso, muitos tornam-se frios, distantes e egoístas. Muitos terão dificuldades em socializar, em entrar no mercado de trabalho, em enfrentar os desafios da vida real.

Diante de toda ameaça que os quartos podem representar, ainda fazemos dele o ambiente desejado dos filhos. Colocamos uma tevê de qualidade, com canais a perder de vista, notebook com acesso livre à internet, jogos de videogames, ar condicionado, frigobar e entregamos a chave nas mãos dele. Quando precisam de alguma coisa, enviam o pedido via mensagem de celular e o atendemos prontamente e ainda reclamamos que ele não sai do quarto.

E o que fazer? Para não prolongar tanto este texto, no próximo vamos apresentar algumas dicas, orientações e sugestões para pensarmos o nosso agir diante deste desafio dos tempos modernos. Até breve.


Celso Garrefa - Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" 

e " O primeiro dia da minha nova vida"




sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O QUE A SUPERPROTEÇÃO E A DESPROTEÇÃO POSSUEM EM COMUM?

Tenho citado, em minhas palestras, que o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo e compreender essa realidade é necessário para os pais que desejam educar bem seus filhos. 

Nossos filhos não nascem prontos para a vida. Para sobreviver eles precisam do amparo, do cuidado e da proteção dos pais. Além da proteção básica, como alimentação, cuidados com a saúde, higiene etc., também precisam ser protegidos de qualquer tipo de violência, de maltrato, de exposição a conteúdos inadequados, de exploração sexual etc. 

Os pequenos precisam de pais presentes que guiem os seus passos, que os preparem para a vida, e esse é um detalhe importante: preparar para a vida. 

Muitas crianças não têm a sorte de nascer em famílias cuidadoras e sofrem vários tipos de abandonos, afetivos, materiais, espirituais etc., muitos convivem diariamente com a violência, seja ela direta ou indireta e são machucadas por aqueles que deveriam protegê-las. 

Essa exposição a fatores negativos as colocam em alto grau de vulnerabilidade, ainda que parte delas, apesar de toda adversidade, ainda consigam mudar os rumos da sua vida e construir a própria história. 

Por outro lado, no anseio de proteger, muitos pais extrapolam os limites da normalidade e adotam atitudes de extrema proteção, ou suja, a superproteção. E há que refletirmos também e diferenciar a proteção necessária, da superproteção. 

E para tanto costumo sugerir uma regra básica e essencial na educação dos filhos: façam tudo o que forem capazes de fazer para proteger, para preservar, para ajudar os seus filhos, mas não façam nada, absolutamente nada, do que eles são capazes de fazer por si mesmos.

Permitam que eles carreguem o material escolar que é deles, permitam que eles levantem do sofá e se sirvam sozinhos de um copo de água, permitam que eles cooperam com o grupo familiar, permitam que eles assumam responsabilidades etc. 

Mostre a eles que para tudo há limites, cuidado com os excessos de presentes, de festas, de sins. Ensinem a esperar, a conquistar, a lutar para conseguir. Não premiem comportamentos inadequados e aprenda a importância deles aprenderem o significado da palavra "não" dentro de casa. 

Pode parecer loucura, mas continuo afirmando, sem nenhum medo de errar, quando mais facilitamos, quanto mais resolvemos, quanto mais enchemos os filhos de coisas, presentes e sins, sem deles nada exigir em troca, mais estes crescem insatisfeitos e revoltados com os pais. Sem noções de limites eles crescem sentindo o todo poderoso e exigindo cada vez mais. 

Pode até parecer absurdo, mas a desproteção e a superproteção colocam os filhos praticamente ao mesmo nível de vulnerabilidade, por isso, volta a repetir: o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo. 


Celso Garrefa



domingo, 14 de dezembro de 2025

EMPATIA: QUEM É O "EU" QUE DESEJO COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO?

Atualmente, observamos que muitas pessoas se tornaram especialistas em criticar, condenar, dar palpites na vida dos outros, mesmo sem conhecer a pessoa, sua história de vida, seu contexto familiar. Julgam-se sabedores de tudo, e adoram apresentar soluções simplistas e mirabolantes para problemas complexos. A estes costuma chamar de especialistas de poltrona. 

A empatia, ou seja, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, parece-nos que cada vez mais está em desuso. Desenvolver essa qualidade é fundamental para enxergarmos o outro em suas diversidades, e pensarmos em, de fato, ser um membro capaz de apoiar, de ajudar, de cooperar com aqueles que tanto necessitam de um socorro, de um auxílio.

É necessário, para tanto, pensar sobre a empatia. Muitas vezes nos preocupamos tanto em relação ao nosso próximo e esquecemos de nós mesmos e nos abandonamos. Seguimos cuidando de tudo e de todos, tentando resolver os problemas alheios e não adotamos, em relação a nós mesmos, o autocuidado e assim, vamos nos colocando em segundo, terceiro, décimo plano. 

E posto isto, surge um questionamento: qual é o "eu" que desejo colocar no lugar do outro? É um "eu" que não se enxerga, não se valoriza, não reconhece o seu valor e não se ama ou um "eu" que sabe do poder do amor-próprio? Se não somos capazes de nos amar, certamente vamos encontrar dificuldades para amar o outro. Será que esse "eu" que desejamos colocar no lugar do outro, é aquele que ele deseja?

Reafirmamos a importância de desenvolvermos a empatia, ao lidarmos com nossos semelhantes, mas para que isso tenha a funcionalidade que desejamos, primeiro precisamos desenvolver a empatia conosco mesmos. Muitas vezes nos colocamos distantes de nós mesmos, ausentes de nossa realidade, vivemos de fantasias, e de acordo com padrões estabelecidos pelos outros. Ou seja, desejamos nos colocar no lugar do outro, e quem sou eu?

Por tudo isso, somos o ponto de partida, cuidando-nos, valorizando-nos, plenos de amor-próprio, e assim, que possamos ser capazes de colocar no lugar do outro um "eu"  que valha a pena.


Celso Garrefa









terça-feira, 11 de novembro de 2025

SEM DISCIPLINA FAZEMOS O NOSSO MÍNIMO E NÃO CHEGAMOS A LUGAR ALGUM

Um dos objetivos da disciplina é ordenar e organizar a nossa vida e também a vida da nossa família. Para tanto, todos os membros da casa devem assumir suas responsabilidades, visando essa organização; porém, não é nada fácil cobrar disciplina de quem não a tem.

Na tentativa de mantermos a ordem e a organização familiar, acabamos por fazer aquilo que é dever do outro e quanto mais fazemos por ele, mais ele se torna indisciplinado e folgado. Não dá para esperar disciplina sendo permissivos com toda espécie de maus comportamentos; não conseguimos organizar nada com ausência de regras e falta de planejamento na casa, não conquistamos cooperação sem permitir que cada um assuma as suas funções. 

O ato de exigir do outro é cobrar dele, com autoridade, aquilo que é sua obrigação, seu dever. É obrigação dos filhos tratar os seus pais com respeito, e assim sendo, temos o direito de exigir que nos respeitem. E para exigir com autoridade precisamos, primeiro, cuidar dos nossos comportamentos e fazer deles um modelo a ser seguido, caso contrário, tornamo-nos autoritários. 

Devemos, ainda, ter claro que não é necessário utilizarmos de gritos, ameaças ou escândalos para disciplinar. Quando buscamos esse objetivo através do medo, ele possui data de validade e termina quando as forças se equiparam. O ideal é conquistá-la com comportamentos equilibrados, coerentes e responsáveis, transmitindo e incentivando a disciplina como meio de alcançar objetivos, de organizar nossa vida, de realizar sonhos, conscientes de que sem disciplina fazermos o nosso mínimo e não chegamos a lugar algum.  


Celso Garrefa




quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Entre folgados e sufocados

- Você não presta para nada, reclama a mãe para a filha durante a realização de uma tarefa em conjunto. A filha abaixa a cabeça, para o que está fazendo e se retira. Com essa atitude, a mãe perde uma preciosa oportunidade de estreitar os laços e estabelecer o diálogo, atitudes fundamentais para o fortalecimento dos vínculos afetivos. 

Outras vezes queremos poupar os filhos de realizar quaisquer tarefas dentro de casa, preferindo fazer sozinhos aquilo que podemos realizar em parceria.

A cooperação exerce uma função determinante na aproximação entre pais e filhos, desenvolve a empatia e transmite a ideia de pertencimento, no entanto, para que haja essa construção não basta fazer juntos, é preciso aproveitar o momento.

Dependendo da maneira como nos comportamentos podemos colher resultados opostos. Ninguém se sente valorizado e incentivado a cooperar se, durante as atividades estamos despejando broncas, externando nosso mau humor, resmungando e reclamando de tudo.

Por sua vez, se valorizamos o apoio recebido, realizando as tarefas de forma prazerosa, incentivando e elogiando quando há merecimento, criamos uma via de mão dupla, dar e receber, eu preciso de você, assim como você precisa de mim. Isso favorece o respeito mútuo.

Nossa casa pertence a todos que nela habita e uma convivência familiar sadia exige que a cooperação seja valorizada nas relações, pois sem ela, os seus membros transitarão entre dois extremos: os folgados e os sufocados.

 


Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida".

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

NÃO ACEITO, NÃO CONCORDO, NÃO ADMITO

Quantos "nãos" dizemos para nós mesmos, para continuar dizendo sim ao outro? Por que quando é para mim tudo é não, mas quando é para a outra pessoa tudo precisa ser sim? Por que temos sempre que servir, mas nunca o outro está disponível para nos servir? Quantas vezes nos calamos diante de uma ofensa para evitar um conflito, mesmo quando temos a certeza de que estamos com a razão?

Precisamos aprender a nos posicionar: não, isso eu não aceito, com isso eu não concordo, isso eu não admito. Se não estabelecermos os limites do aceitável corremos sério risco de sermos tratados sem nenhuma consideração e respeito.

Devemos tomar cuidado com o que muitos chamam de zona de conforto. Muitas vezes ela não passa de uma zona de acomodação. Como seres humanos, vamos nos adaptando e nos ajustando às circunstâncias, mesmo que, por vezes, isso não está nos fazendo bem. Acomodamos ao grito nos ouvidos, para não contrariar, permitimos uma estupidez com medo de perder, aceitamos um comportamento insano, sob a justificativa do amor. 

Mudar esse processo é urgente, e para tanto, não é preciso diminuir o tamanho e importância do outro, mas reconhecer também a nossa importância, as nossas qualidades, os nossos valores, e também sentir merecedores do respeito, do cuidado. Merecedores, em primeiro lugar, do amor-próprio, pois sem ele nos sujeitamos a toda espécie de abusos. 

Nesse processo de cura é fundamental trocarmos a acomodação pela incomodação. Enquanto nos acomodamos não corrigimos o que precisa ser melhorado, e o que é pior, a tendência é de que as coisas se agravem até atingir proporções insustentáveis e perigosas.

Também é necessário coragem para agir, para encarar ou mesmo provocar um conflito, conscientes de que um conflito não significa provocar uma guerra, mas abrir a possibilidade da reflexão, onde a outra parte tem vez e voz, mas isso não pode aniquilar a minha vez, nem calar a minha voz. 



Celso Garrefa

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida". 






quinta-feira, 17 de abril de 2025

CONSTRUINDO UMA AUTORIDADE SÓLIDA

(Imagem gerada por IA)
O exercício da autoridade é necessário e legítimo e sua ausência é desastrosa na educação dos filhos, no entanto, a conquista da autoridade não é algo que recebemos pronto, mas uma construção que exige atitudes e comportamentos adequados. 

O primeiro equívoco é tentar conquistá-la através de comportamentos hostis, grotescos ou violentos, ou através de gritos histéricos e atitudes agressivas. Não construímos uma autoridade sólida através da violência, e sim através de comportamentos equilibrados, de posicionamentos claros e firmes, onde o sim possui valor de sim, no entanto, quando o não é a resposta necessária, ele precisa prevalecer.

Posicionamentos frágeis e atitudes que não se sustentam, além de minar qualquer possibilidade de sucesso na construção de uma autoridade sólida, ainda nos tornam presas fáceis para filhos manipuladores, que são experts na arte de insistir, de incomodar, de manipular, até conquistarem aquilo que desejam.

O relacionamento do casal exerce um papel determinante no fortalecimento ou na fragilização da autoridade. Falar a mesma língua, em relação à educação dos filhos, é um fator positivo nessa construção, mas quando um vive desautorizando o outro, desconstruindo um combinado, são fatores negativos que enfraquecem essa conquista.

Por fim, não dá para falar em autoridade sem abordar um fator essencial para essa construção, que é o poder do exemplo. Sem sermos exemplos acabamos adotando atitudes nada funcionais: ou nos tornamos autoritários - faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço - ou nos tornamos permissivos e fechamos os olhos para os comportamentos que desaprovamos. E relembrando, mais uma vez, um dos lemas do Programa Amor-Exigente: Eu amo você, mas não aceito aquilo que você faz de errado.



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"

 





terça-feira, 8 de abril de 2025

QUAL É O SEU PAPEL?


Percebemos, nos dias atuais, uma confusão em relação aos papéis que cada um ocupa no contexto familiar. Pais deixando de exercer seu papel, para se tornarem apenas amiguinhos dos filhos, outras vezes tratando filhos adultos como se esses fossem crianças incapazes. Esposas assumindo o papel de mães do companheiro, avós anulando o papel dos pais e assumindo para si a responsabilidade pelos netos, pais transferindo suas responsabilidades para professores etc. 

Sem uma clareza nos papéis que cada um desempenha no ambiente familiar, a casa pode se tornar disfuncional. Não se constrói um ambiente familiar adequado e equilibrado, se deixarmos de assumir ou reassumir as nossas funções de acordo com a posição hierárquica que ocupamos.

Além das diferenças nos papéis que pais e filhos ocupam no contexto familiar, também devemos considerar outras diferenças, como, por exemplo, o fato de que cada um deles viverem momentos diferentes. Os pais, hoje adultos, já foram adolescentes, enquanto muitos filhos ainda não amadureceram e essa diferença pode gerar conflitos geracionais.

É necessário buscarmos o equilíbrio nessa relação, compreendendo as mudanças de mundo. Dialogar com a atual geração, da mesma forma com que lidávamos no passado, significa não respeitar as mudanças ocorridas ao longo do tempo, tornando nossa missão menos eficiente. 

Os filhos da atual geração exigem novas formas de abordagens. Isso não significa igualar os papéis. Os pais continuam sendo pais e os filhos continuam sendo filhos; isso não muda e precisa ser preservado. Se o autoritarismo do passado não se encaixa na educação moderna, a autoridade dos pais é legítima, é necessária e deve ser exercida com firmeza, de forma responsável, consciente e coerente. 

Se deixarmos de exercer uma função que nos é de direito, abrimos espaço para outros assumirem. Agindo assim, perdemos o controle da nossa vida e passamos a viver sob os domínios dos outros, inclusive por quem ainda não está preparado para isso ou por quem não gostaríamos que estivesse no comando.



Celso Garrefa 

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"


sexta-feira, 28 de março de 2025

A CONFIANÇA PERDIDA E O PAPEL AMASSADO

Dois fatores são essenciais para resgatar uma confiança depois de perdida: o tempo e a constância. Comportamentos equilibrados e coerentes, somados ao compromisso de assumirmos aquilo que prometemos, fazem com que a confiança se solidifique, no entanto, quando repetidamente pisamos na bola, as relações se abalam e o descrédito se instala.

A desconfiança não é escolha, mas um sentimento que possui raízes profundas e dolorosas. Não escolhemos perder a confiança em alguém, assim como, não escolhemos voltar a confiar. 

Não se reconstrói uma confiança com a mesma velocidade com que a perdemos. É preciso de tempo e não é pouco, e ainda assim, alguns resquícios permanecem. É como pegarmos uma folha de papel nova, amassá-la e novamente tentar trazê-la ao estado inicial. Ela volta a ficar inteira, mas as marcas permanecem.

No resgate de uma confiança não há espaço para o imediatismo. É preciso dar tempo ao tempo, assumir, de fato, a correção dos problemas que causaram o descrédito, modificando atitudes e comportamentos, contudo, somente o tempo não é suficiente para consertar o estrago, é preciso constância nas mudanças comportamentais. Não adianta ficar semanas, meses, ou mesmo anos sem repetir o problema e novamente "pisar na bola". Muitos de nós somos especialistas em começar, prometer, mas sem constância não atingimos objetivo algum. 

O pedido de perdão é o primeiro passo nesse processo, mas o perdão só faz sentido se nos comprometermos a não repetir as mesmas falhas que culminaram na perda da confiança. Sem isso, o pedido de perdão não passa de mais uma enganação, mais uma manipulação.

A decisão de mudar, o compromisso com a mudança e a constância são os fatores que ao longo do tempo permitem que a confiança vagarosamente se reestabeleça. A retomada da confiança perdida não possui data de validade, é para a vida toda. 


Celso Garrefa
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "Primeiro dia da minha nova vida"







sexta-feira, 21 de março de 2025

VOCÊ PRECISA CONFIAR EM MIM

Um dos desafios das pessoas em processo de recuperação da dependência do álcool ou de outras drogas é lidar com a falta de confiança da família. Eles queixam que, apesar dos seus esforços, a desconfiança ainda prevalece com muita força. Por outro lado, os familiares relatam que desejam intensamente confiar, mas não conseguem fazê-lo. Como lidar com isso?

Não precisamos de muita coisa para perdermos a confiança em alguém, mas recuperá-la é um desafio que exige muito esforço e mesmo assim, precisa de tempo, que não costuma ser pouco. Enquanto a pessoa estava no uso, os familiares conviveram com tantas mentiras e promessas não cumpridas, que cansaram de palavras. Conversas não convencem mais. A recuperação da confiança é um desafio a longo prazo, que precisa ser conquistada e não cobrada, e isso só é possível através de novas e permanentes atitudes e comportamentos.

A pessoa em recuperação ajuda muito quando, num exercício de humildade, posiciona os familiares em relação ao que pretende fazer, onde deseja ir, a que horas pretende voltar e consequentemente, cumpre rigorosamente com aquilo que foi combinado. Essas atitudes encurtam o processo de retomada da confiança.

Em relação à família, sabemos que não é fácil recuperar a confiança perdida depois de anos de problemas e recuperá-la dependerá muito das atitudes apresentadas pelo outro, contudo, devem adotar algumas posturas para lidar com isso.

Manter a atenção é necessário, mas não é produtivo fazer uma marcação cerrada, com cobranças exageradas, lembrando-o a todo instante sobre seu passado ou vasculhando os seus pertences. Também devem evitar falar com a pessoa como se ela fosse fazer uso, todas as vezes que sai de casa ou recebê-la como se ela tivesse feito uso no momento em que retornam. 

A pessoa em recuperação deve aceitar a ideia de que a desconfiança está enraizada na família e lidar com isso com naturalidade, sem utilizar desse fato para chutar o balde e colocar tudo a perder. O resgate da confiança perdida é um processo a ser construído ao longo do tempo. Se a perda da confiança é processo veloz como um guepardo, sua recuperação é lenta como uma tartaruga. É preciso muita paciência.


CELSO GARREFA
Pedagogo Social
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente
de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida"

sábado, 15 de março de 2025

CONFIANÇA PERDIDA, DIFÍCIL RESGATE

Quem convive com um dependente do álcool ou de outras drogas conhece muito bem algumas características marcantes presentes nessas pessoas, como a mentira, a chantagem, a manipulação e as promessas não cumpridas. Nunca estão onde dizem estar, raramente cumprem com os horários combinados, dizem que vão se cuidar, porém retornam para casa sobre efeito de álcool ou outras drogas. Prometem que vão melhorar, mas não mostram mudança alguma, com isso, a confiança é perdida, cedendo espaço para as desconfianças.

Como a dependência é um processo longo, uma doença progressiva, a desconfiança cresce, cresce e cresce. Quanto maior o tempo de envolvimento com as drogas, mais enraíza nos familiares o sentimento de desconfiança, descrença e desesperança.

Chega um momento em que o dependente decide abandonar as drogas. Para isso alguns buscam grupos de auto e mútua ajuda, outros fazem tratamento em clínicas ou comunidades terapeutas. A família, por sua vez, participa de reuniões do programa Amor-Exigente. Durante esse processo, a desconfiança continua: será que vai dar certo; como vai ser o seu retorno; e se ele voltar a fazer uso; e se sofrer uma recaída. Esses questionamentos perturbam e incomodam os familiares, afinal foram tantas as promessas não cumpridas que as desconfianças ainda prevalecem com muita força.

Espera-se que ao final de uma internação, o dependente viva um novo momento, busque a sua sobriedade, construa uma nova vida. Nessa fase eles buscam resgatar a confiança perdida, contudo precisam aprender a conviver com ela, pois esse sentimento está fortemente enraizado na família. Por mais que os familiares desejam confiar, isso não é tarefa tão simples assim. 

Não resolve cobrar confiança. Sua retomada é um processo muito lento que não se recupera com palavras ou promessas, mas através de atitudes e comportamentos adequados e equilibrados. Se precisamos de pouca coisa para perder a confiança, vamos precisar de muita para recuperá-la. 

PS: Próximo texto vamos apresentar algumas dicas para lidar com a confiança perdida.




Celso Garrefa
Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O primeiro dia da minha nova vida".






sábado, 22 de fevereiro de 2025

MAIS "GENTE", MENOS "COISA"

Parece-nos que o ser humano está perdendo sua humanidade. As relações entre as pessoas estão cada vez mais frias, ausentes de sensibilidade e pouco empáticas e isso nos deixa um questionamento: será que estamos perdendo nossa essência humana e nos tornando mais "coisa" e menos "gente"?

As evoluções tecnológicas fizeram com que os seres humanos se distanciassem e com isso, estamos vivendo cada vez mais as relações virtuais e menos as presencias. A frieza das redes sociais, de certa forma, fez com que muitos de nós esquecêssemos que somos seres humanos. Nas redes, desejamos mostrar o sucesso, as conquistas e escondemos nossos desafios e dificuldades. Ignoramos que somos gente e que o outro também o é. 

Quantas vezes nos deparamos com postagens nas redes sociais e, mesmo sem conhecer a fonte e a veracidade, friamente, compartilhamos ou fazemos comentários inapropriados e esquecemos que existe uma vida humana do outro lado da tela, uma pessoa que possui sentimentos e sofre as consequências de um ataque desnecessário e gratuito?

Mesmo diante de toda a tecnologia que nos cerca, ainda continuamos a ser gente e como gente possuímos sentimentos que precisamos proteger, com posicionamentos firmes, não permitindo ser invadidos, explorados, manipulados, massacrados, inclusive dentro da nossa própria casa. Todo grande abuso começa com pequenos ataques, que se ignorados ganham em intensidade ao longo do tempo.

O primeiro passo é aceitarmos o óbvio, somos gente, e reconhecendo isso, não aceitar e não permitir sermos tratados como qualquer coisa, como algo sem valor, que não merece respeito e assim, que possamos ser cada vez mais "gente" e menos "coisa".


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "O Primeiro dia da minha nova vida"

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

PARENTALIDADE DISTRAÍDA

 

- "Saia um pouco deste celular, menino!", costumamos nos queixas com os filhos. Mas, olhando para nós mesmos, será que também não estamos gastando tempo excessivo com nossos aparelhos celulares? Muitos pais atualmente estão presentes fisicamente, mas ocupados demais com seus dispositivos eletrônicos. A isso chamamos parentalidade distraída.

Os vínculos afetivos são um dos principais fatores de prevenção e proteção na educação dos filhos e não se constroem vínculos com distanciamento, seja ele físico ou mesmo aquele em que os pais estão presentes fisicamente, porém absorvidos pelas telas não enxergam as pessoas que convivem no mesmo espaço.  Falta diálogo, falta atenção, falta comunicação, falta demonstração de afeto. 

Pais ocupamos excessivamente com suas redes sociais não encontram tempo para exercer o seu principal papel em relação aos filhos, que é prepará-los para o mundo em que vivem. Na ausência de uma referência familiar que norteiem sua vida eles buscam fora do núcleo parental as suas referências, que nem sempre são as mais adequadas.

Grandes desvios comportamentais não acontecem da noite para o dia. É um processo que se instala ao longo do tempo e precisamos de muita atenção para identificar e corrigir os pequenos  deslizes, caso contrário, as consequências poderão ser desastrosas, no entanto, só vamos perceber tais mudanças se não estivermos tão distraídos com as telas.

Outro problema do uso excessivo das redes são as comunicações interrompidas, conversas cortados pelos sons das mensagens dos celulares, como se aquilo que nos chega seja mais importante que o nosso diálogo. 

Precisamos tirar um pouco nossos filhos das telas e o primeiro passo começa por nós, fazendo uso equilibrado e consciente dessas tecnologias, caso contrário, são eles que poderão nos cobrar: - Saia um pouco desse celular, pai!



Celso Garrefa é pedagogo social, autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e "Primeiro dia da minha nova vida".







domingo, 26 de janeiro de 2025

TEM LINGUIÇA COMENDO CACHORRO

Se apresentarmos uma linguiça para um cachorro, certamente ele a comerá. Essa é a logica, tendo em vista que o cão tem fome e precisa saciá-la. Na nossa vida não é muito diferente, mas como seres pensantes, diferente do animal, somos nós que definimos os objetivos pelos quais estamos dispostos a lutar e quais os caminhos a serem adotados visando sua concretização. 

Em uma visão ampla, se pensarmos institucionalmente, cada empresa, cada setor, cada organização também costuma definir seus objetivos, estampando-os em local visível, estabelecendo sua missão, sua visão e seu valor, para que todos tenham conhecimento e sejam membros cooperadores nessa empreitada.

Essas ferramentas ajudam a construir uma base sólida para o sucesso da organização, e havendo clareza nessas definições busca-se pessoas as mais qualificadas possíveis para tornar tudo isso uma realidade. 

Porém, entretanto, todavia, e por incrível que pareça, existem organizações, cujos envolvidos, por motivos incertos, duvidosos, por desconhecimento das funções daquele seguimento ou mesmo para atender a interesses escusos trabalham na contramão daquilo que se espera daquele setor.

E isto posto, quanto pior, melhor. E para dar "certo" é preciso utilizar de quem entra no jogo. Nesses casos, não se busca pelo melhor, pela capacidade, pelo conhecimento, mas por quem está disposto a entrar no esquema. 

Infelizmente, essa prática não é tão rara assim, e temos assistido essa realidade a nossa volta, no dia a dia, principalmente no meio político. Isso significa caminhar na contramão do esperado, sem medir as consequências e sem se importar com aqueles que serão prejudicados. É a velha inversão de papeis para agradar uma parcela privilegiada em detrimento dos reais interessados. É a linguiça comendo o cachorro e isso caminha na contramão da lógica. 


Celso Garrefa

Pedagogo social

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

O VALOR DA BANANA

Uma banana presa à parede por uma fita adesiva foi arrematada, como obra de arte, em um leilão, por R$ 35,8 milhões e o fato foi comentado e discutido em vários canais de comunicação, fazendo-nos refletir sobre o valor da banana. 

Evidente que valor é diferente de preço. Se pensarmos em preço, é possível comprar uma dúzia delas por alguns reais, mas o valor de um produto ou serviço vai muito além do seu preço e inclui a percepção que a pessoa faz em relação ao mesmo produto ou serviço.

O episódio da banana me vez refletir sobre o seu valor. Tenho repetido em minhas palestras, que na nossa casa acontece um fato interessante: a última banana da fruteira nós jogamos fora. Essa banana dispensada evidentemente não custa milhões de reais, mas para nós o seu valor vai muito além dos poucos reais por ela pago.

Um dos principais valores a ser construído e preservado nas relações familiares são os fortes vínculos afetivos entre os seus membros, e onde existe vínculo, existe respeito, existe interesse e preocupação de uns com os outros. Vínculos afetivos são, portanto, uma via de mão dupla, ou seja, dar e receber na mesma proporção.

Sem o fortalecimento dos vínculos, a relação entre os membros da família é de frieza. Cada um vive a seu modo, no seu egoísmo, sem se preocupar com o bem estar do outro, ou os esforços partem de apenas um dos lados, que está sempre cedendo, permitindo inadequações, diminuindo o seu valor, enquanto o outro não demonstra qualquer empatia ou compaixão. 

Talvez, a essa altura, você esteja se perguntando sobre aquela última banana da fruteira, que jogamos fora e isso acontece exatamente devido aos vínculos afetivos construídos na nossa relação familiar. É comum na nossa casa, quando apenas resta uma banana na fruteira, nenhum de nós comê-la pensando no outro. Por fim, a banana acaba amolecendo e dispensada. 

Acho isso fantástico, pois me transmite a certeza de que na nossa casa existe uma relação de empatia, de cuidado, de preocupação com o outro, onde o bem estar de cada um é uma responsabilidade de todos. Finalizo este texto desejando intensamente que na sua casa, a última banana da fruteira também seja jogada fora.


Celso Garrefa
Pedagogo Social





sábado, 30 de novembro de 2024

NÃO FEZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO


Certa vez no meu trabalho, ao responder o que havia feito em relação a uma situação, recebi um comentário em tão de afronta: não fez mais do que sua obrigação. E de fato era sim a minha obrigação, era meu dever trabalhar para sanar o problema, mas, seja em meu trabalho, seja nos grupos aos quais pertenço, seja no dia a dia, não me contento em apenas fazer pela obrigação, mas sim, procuro entregar o meu melhor, ou seja, fazer além da obrigação, do dever. 

Fazer apenas pela obrigação significa contentar-se com o mínimo, significa tornar as tarefas árduas, os dias arrastados, transformando nossos deveres em um peso na nossa vida. Significa fazer por fazer, e assim, não exploramos nossas competências e não aproveitamos as oportunidades que a vida oferece.

Também devemos refletir sobre quais são as obrigações nossas do dia a dia. Quais são produzidas pelos outros, ou impostas pela sociedade? Destas, quais são aquelas que de fato precisamos nos responsabilizar e entregar o nosso melhor e quais são impostas por pessoas folgadas e manipuladoras e que não devemos abraçar. 

É fundamental compreendermos que existem responsabilidades que não são nossas e portanto, não devemos assumi-las, conscientes de que todas as vezes que assumimos uma obrigação que ao outro pertence, retiramos dele a oportunidade de se responsabilizar pelos seus atos. 

Existem, ainda, as obrigações que criamos para nós mesmos e essas são as melhores. São as nossas metas, nossos objetivos e as motivações que nos levam a cumpri-las com foco e determinação. Quem não estabelece seus objetivos vive em função dos objetivos dos outros e entregar o nosso melhor não é obrigação, é competência.  



Celso Garrefa
Pedagogo Social 














sábado, 12 de outubro de 2024

CABELOS MALUCOS OU MÃES MALUCAS?

Nesta semana do dia das crianças uma onda se espalhou pelas escolas e muitas imagens de pequeninos com cabelos enfeitados viralizaram nas redes sociais e junto delas a queixa de muitas mães: estes cabelos malucos estão me deixando maluca. 

Vimos de tudo: cabelos coloridos, elaborados com muito capricho, outros pais utilizaram coisas simples e com muita criatividade realizaram grandes feitos, quase uma obra de arte e houve aqueles pais que simplesmente enviaram os filhos aos cabeleireiros para executar o serviço.

Dá trabalho sim e cada um interpreta essa atividade da sua maneira. Há quem critique os professores, julgando que eles vivem inventando coisas e sobra para os pais, outros reclamam a falta de tempo para elaborar os penteados e muitos entram na brincadeira e curtem o momento.

Sim, cuidar das crianças dá trabalho e em uma época onde pais e filhos pouco interagem, ocupados com seus afazeres ou distraídos pelas redes sociais, essa atividade é uma grande oportunidade de contato, de aproximação, de troca. 

Vivemos um tempo em que realizamos as tarefas e cuidados com os filhos quase que mecanicamente. Preparar a mochila, pentear os cabelos, correr com o café da manhã, sair voando para a escola. No retorno das aulas nem sempre perguntamos como seu dia na escola.

Infelizmente, quem terceirizou o serviço, ou quem executou os penteados dos filhos resmungando, reclamando, de mau humor, externalizando uma insatisfação na realização do feito, não aproveitou a oportunidade de estreitar os laços, de fortalecer os vínculos afetivos, de conhecer um pouco mais seus filhos. Quem não aproveitou o retorno das aulas para saber como foi o dia na escola com tantos cabelos malucos, e com tantas coisas que eles têm para transmitir, está perdendo um pouquinho dos filhos que tem. 

Executar um penteado maluco nos filhos é trabalhoso, mas não pode ser motivo para nos deixar malucos. Maluco é não aproveitar a oportunidade para curtir o momento, entrar na brincadeira e fortalecer os laços afetivos entre pais e filhos. 


Celso Garrefa - Pedagogo Social

Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar"



QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estud...