sábado, 23 de setembro de 2017

SUICÍDIO: O DIÁLOGO É A MAIOR PREVENÇÃO

O Setembro Amarelo é uma campanha mundial que ocorre durante todo este mês de setembro e tem por objetivo a prevenção ao suicídio. Os números são alarmantes. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) por ano aproximadamente 800 mil pessoas cometem o autoextermínio no mundo. Ainda, segundo a OMS, o Brasil ocupa a oitava posição neste ranking e estima-se que para cada morte há entre 10 e 20 tentativas não concretizadas.

Entre os principais fatores de risco para a prática do autoextermínio estão a depressão e a dependência de substâncias entorpecentes. Neste texto não vou aprofundar em relação à depressão, limitando-me a abordar o tema em relação à dependência química.

O dependente químico, ao longo do tempo de uso constante e severo das drogas, pode atingir um estágio muito perigoso, em que já não se sente bem fazendo o uso e também não consegue ficar bem sem consumir sua droga de abuso.

Ele pode alternar momentos de euforia intensa provocada pelo uso, seguido de profunda depressão e forte arrependimento pós uso. Isso produz um grande sofrimento e imensa dor interna. Mesmo diante deste estágio, o desejo do dependente não é tirar a própria vida, mas matar essa dor que o incomoda além do normal e com a qual não consegue mais lidar. A decisão pelo suicídio raramente é um ato realizado por uma impulsividade. Antes da sua concretização o suicida costuma apresentar sinais sutis da sua ideação.

Segundo uma ideia filosófica, citada numa entrevista pelo professor Mário Sérgio Cortella, suicídio é uma solução permanente para um problema temporário. Ao analisarmos essa definição precisamos pensar sobre a visão que o sujeito possui em relação ao seu problema, sua temporalidade e sua resiliência, ou seja, a capacidade que a pessoa possui de enfrentar grandes problemas e a retomar ao seu estado normal, porém nem todos a possui. O suicida em potencial nem sempre consegue enxergar que existem soluções para os seus desafios.
 
Segundo os especialistas o melhor instrumento de prevenção para o suicídio chama-se escuta, portanto devemos emprestar ouvidos a quem precisa falar e mais que isso, ajudá-lo a compreender que por maior que seja o seu desafio sempre existirão saídas e que podemos ajudá-lo a encontrá-las. 

        Texto de Celso Garrefa    
        Sertãozinho SP

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