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sábado, 17 de janeiro de 2026

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estudos? Quantos de nós foi o primeiro a romper um ciclo de violências reproduzidas por longo período? Quantos de nós foi o primeiro a não fazer uso de nenhuma substância que cause dependência, mesmo vivendo em uma família em que o uso do álcool ou do cigarro são culturalmente aceitos?

Pode até parecer simples, mas é preciso coragem e sabedoria para romper ciclos de comportamentos enraizados na família, e que se reproduzem geração após geração. Aqueles que ousam romper com padrões pré-estabelecidos parece incomodar, mesmo que a busca da mudança vise melhorar a sua condição de vida. 

Esses padrões comportamentais muitas vezes soam como verdades absolutas na família, e assim sendo, são copiados e reproduzidos ao longo do tempo, sem questionamentos, e quem ousa rompê-los e abandonar esse jogo é visto como um estranho, um exibido. 

Não é simples pular desse barco, mesmo que furado, porque quem ousa fazê-lo costuma ser bombardeado por críticas, por julgamentos e visto como um traidor.  Incomoda, para muitos, ver que alguém está fazendo diferente, está se sobressaindo e por isso ele pode ser vítima de todo o tipo de ataque. 

O primeiro princípio do Programa Amor-Exigente nos leva a refletir sobre nossas raízes culturais e a lançarmos um olhar sobre o passado, refletindo e realizando uma autoanálise, visando sabermos de onde viemos, em quem nos tornamos e onde queremos chegar. 

A partir disso podemos nos posicionar: o que foi saudável e queremos preservar? o que vale a pena resgatar? e o que não foi bom e precisamos descartar, romper o ciclo, abandonar padrões comportamentais não saudáveis e buscar uma nova maneira de viver? 

Quem o fará? Que seja eu, que seja você, só não dá para continuarmos girando na mesma roda feito um ramister em seu brinquedinho, girando, girando e girando, sem sair do lugar. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e

"O primeiro dia da minha nova vida"







quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

QUEM É VOCÊ?

Quem é você? Essa parece uma pergunta  simples, só parece. Como é complexo olhar para nós mesmos, saber quem somos, remover máscaras, perceber nossos defeitos, mas também reconhecer nossas qualidades. 

Raízes culturais é o primeiro princípio do Amor-Exigente, um programa que transforma vidas, e o primeiro passo para isso é nos desvelar, reconhecer que possuímos uma identidade única, e podemos ser quem somos, sem precisar encarnar personagens para agradar a todos.

Ubuntu é um interessante conceito africano que enfatiza a importância da conexão. Segundo esse preceito, "eu sou porque nós somos". Na contramão dessa ideia, muitos pais vivem repetindo, de forma entusiasta, que vivem em função dos seus filhos, ou seja, esquecem do "nós" para viver pelo outro e não percebem uma realidade: quem vive em função do outro, não tem vida e conexão tão desejada não acontece. 

É óbvio que os filhos merecem toda a nossa atenção, todo o nosso amor, todo o nosso carinho, mas para que viver em função deles, se podemos viver todos? Cuidar de nós não exclui quem amamos, nem diminui o tamanho do amor que sentimos por eles. 

Desejamos conquistar a atenção dos filhos, do companheiro, porém, enquanto tudo fazemos para o outro e nada para nós mesmos, não somos percebidos. O respeito, a atenção e o amor que tanto almejamos tornam-se possíveis a partir do momento em que aprendermos a nos valorizar, a nos respeitar e a nos amar também.

Por fim, descubra-se, conheça-se, sinta-se merecedor do amor próprio, sem egoísmo e apodere-se da sugestão citada no filme "um amor para recomeçar": Descubra quem você é e seja você mesmo de propósito.


Celso Garrefa

domingo, 4 de janeiro de 2026

DESAPEGUE E VIVA COM LEVEZA

Começamos um novo ano, momento de desapegar. Sabe aquela roupa sem uso, guardada há anos no guarda-roupas, desapegue. Ou aquele calçado que achamos horroroso, mas continua guardado, desapegue. Papeis amarelados nas gavetas há séculos, desapegue. Objetos que não utilizamos mais, desapegue.

Reorganize seu quarto, revise suas paredes, esvazie suas gavetas, elimine o que não serve mais, o que não agrada mais, o que não faz mais sentido. Elimine, principalmente, o que não traz boas lembranças, aquilo, cuja memória nos faz sofrer. 

A partir disso, veja o que está cuidadosamente guardado, esperando o momento certo para ser utilizado. Aquelas belas taças guardadas no armário à espera de visitas, aquela roupa de cama esperando uma ocasião especial, o presente ganho no casamento e ainda cuidadosamente encaixotado. Eles não foram feitos para ficarem guardados, mas para serem utilizados. A vida acontece agora, viva-a, agora, que o tempo passa e como passa rápido.

Mas, não se contente com aquilo que é material. Faça também uma faxina em seus sentimentos e desapegue daqueles que machucam, daqueles que insistimos em carregá-los ao longo da vida. Desapegue da raiva, liberte-se dos ressentimentos, livre-se da carga pesada do sentimento de culpa, descarte as mágoas.  Remova todo o peso que te impede de caminhar.

Seja uma nova pessoa neste novo ano e viva o que de fato vale a pena ser vivido. Valorize o que, de fato, vale a pena ser valorizado. Não se aborreça por bobagens. Pare de remoer o passado e foque no novo, no futuro. Se preciso for, perdoe-se; se necessário for, reconstrua-se, se precisar, busque ajuda e faça de cada dia deste novo ano, o primeiro dia da sua nova vida. 



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros: Assertividade, um jeito inteligente de educar e Primeiro dia da minha nova vida 





segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

"A" DE ABELHA, "E" DE ELEFANTE, "Z" DE ZABUMBA

Recentemente fomos convidados a apresentar o Amor-Exigente para um grupo de pessoas interessadas em implantar o programa em uma cidade vizinha, cuja identidade prefiro preservar. No dia e horário combinados deslocamos até o local e fomos muito bem recebidos por uma equipe de pessoas dispostas e interessadas.

Era uma escola dos anos iniciais e reservaram uma sala de aula para a apresentação. As cadeiras estavam enfileiradas em frente a um quadro negro, onde se via, logo acima, um varal feito com barbante, com muito capricho, onde penduraram as letras do alfabeto acompanhadas de figuras para ajudar as crianças a memorizarem cada letrinha.

Até aí, tudo muito bem, mas o que chamou a nossa atenção foi a figura escolhida para representar a letra “K: uma lata de cerveja cuja marca inicia com “K”.

O varal me fez relembrar da minha escola na infância, da primeira professora, dos colegas de classe, e da cartilha “Caminho Suave”.  Ainda preservo na memória cada figura correspondente a cada letra do alfabeto, desde o “A” de abelha, o “E” de elefante, até o “Z” da zabumba.

A cena vista hoje retrata o quanto vivemos em uma sociedade em que o álcool é culturalmente aceito e glamourizado. As empresas investem alto em campanhas publicitárias, ligando a marca ao prazer, ao sucesso, à alegria e o primeiro contato da criança com a substância costuma acontecer dentro de casa, com anuência dos pais.

Ignora-se que o álcool também é droga, mesmo que lícita para maiores, de alto poder destrutivo para aqueles que se tornam dependentes dele, e não são poucos. Segundo estimativas, uma parcela superior a 10% da população possui problemas relacionados a esse produto.

Infelizmente, a conscientização dos riscos que o consumo do álcool representa é quase nulo. Se é desesperador ver pais mergulharem a chupeta do bebê no copo de cerveja, não menos desesperador é ver uma escola utilizar a imagem de uma substância alcoólica na alfabetização de crianças.

Não consegui sair do local, sem alertar sobre a cena. Trocar a imagem é urgente, mas não basta: precisamos mudar mentalidades. Consciência começa com “C”, mas bem que poderia começar com “K”, assim poderíamos trocar a figura da cerveja por “Konsciência”.


Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 19 de janeiro de 2020

QUEM EU SOU, ONDE ESTOU, PARA ONDE VOU?


“Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” (Lewis Carroll)

 Ao refletirmos sobre nossas raízes culturais devemos analisá-las sob dois aspectos. Um deles está relacionado ao passado, ou seja, o que somos hoje é o reflexo do que recebemos durante toda nossa vida, ou seja, nossas relações familiares, as interações com nossos grupos de amizades, as influências recebidas dos diversos tipos de mídias, e das nossas escolhas, em relação ao que nos foram apresentados.

Sob esse ponto de vista olhamos para o meu eu através das nossas raízes culturais herdadas ou adquiridas ao longo da vida para identificarmos o que nos fizeram ser aquilo que hoje somos. É um olhar sobre o passado.

Mas, se o que somos hoje é reflexo da maneira como recebemos, assimilamos e formamos os nossos juízos, valores e princípios, o que seremos amanhã será o reflexo das nossas interações e escolhas de hoje. Sob esse ponto de vista, raízes culturais nos remetem a ideia de futuro. O que queremos ser? Para onde desejamos caminhar? O que precisamos corrigir?

Raízes culturais são, portanto, um processo dinâmico, que interliga passado e futuro. Dos valores, princípios e comportamentos que herdamos do passado, o que vale a pena preservarmos? O que podemos resgatar? O que devemos descartar? E quais deles estamos dispostos a adquirir?

Antoine de Saint-Exupéry citou, certa vez, que “Aqueles que chegam até nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Se por um lado somos influenciados e fazemos nossas escolhas, de acordo com o juízo que fazemos diante do que nos é apresentado, por outro, também somos influenciadores, e isso nos alerta para nossa responsabilidade em relação as nossas condutas diárias.

Talvez fosse mais cômodo seguir a receita da música cantada pelo Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. Mas a vida é uma construção que depende das nossas ações. Para isso precisamos saber: Quem eu sou? Onde eu estou? Para onde eu vou? Pois, como uma fala citada no filme Alice no País das Maravilhas, se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

Texto de Celso Garrefa
Sertãozinho SP

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estud...