quinta-feira, 4 de junho de 2026

AS PALAVRAS GANHAM FORÇA QUANDO ACOMPANHADAS DO EXEMPLO

As palavras possuem um poder fantástico de influenciar, desde que elas venham acompanhadas do exemplo, sem isso, perdem o crédito. Por outro lado, os exemplos sozinhos também não são capazes de comover, eles precisam das palavras para serem percebidos. 

Ouvimos, com frequência, uma ideia sobre o exemplo, citando-o como o único meio de educar, e não enxergo isso como uma verdade. Vejo o poder do exemplo como um forte aliado na educação, complementando um conjunto de outros fatores, que somados fazem a diferença na vida de quem pretendemos influenciar e educar.

Mesmo quando nossos comportamentos são exemplares, eles podem não produzir os resultados esperados. Além de sermos exemplos, precisamos falar sobre eles a quem desejos influenciar e não ficar à espera de que percebam nossas atitudes e as copiem. Nem sempre a outra parte irá perceber ou está disposta a nos seguir. 

Pensando nisso, devemos cuidar dos nossos comportamentos, fazendo deles modelos a serem seguidos e falar sobre eles. Se não queremos que nossos filhos deixem os calçados no meio do corredor, precisamos dar o exemplo e cuidar dos nossos; se não queremos que exagerem no uso das telas, precisamos cuidar da maneira como utilizamos esse recurso. Feito isso, ganhamos autoridade para cobrá-los. 

Sem ser exemplo estamos sujeitos a adotar duas atitudes nada funcionais. Ou nos tornamos autoritários, faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço, ou nos tornamos permissivos, e nos calamos diante de comportamentos que desaprovamos porque percebemos que cometemos os mesmos erros que queremos consertar no outro. 

Por fim, o exemplo torna-se uma ferramenta poderosa na educação dos filhos quando ele ganha o reforço das palavras e as palavras tornam-se potentes,, quando acompanhadas do exemplo positivo. 



Celso Garrefa

Pedagogo Social, autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e " O primeiro dia da minha nova vida".






sexta-feira, 29 de maio de 2026

O QUE PODEMOS APRENDER COM O ÁLBUM DA COPA

Tenho visto pais gastarem valores absurdos em figurinhas para os filhos completarem o seu álbum da copa do mundo, e isso me fez refletir sobre os reflexos dessa atitude na preparação dos filhos para a vida.

Pensar sobre isso me fez lembrar de quando eu era criança e o quanto gostava de completar os meus álbuns, no entanto, na época, os recursos limitados da família não faziam desse desejo uma tarefa fácil, mas também deixou ensinamentos que carrego até hoje.

Fez-me perceber que na vida tudo tem limite, que não podemos tudo, que não recebemos tudo pronto e de forma imediata. Ensinou-me a valorizar as pequenas conquistas, a lidar com a espera da próxima oportunidade de comprar mais um ou dois pacotinhos, a buscar os meus objetivos, sem depender totalmente dos outros.

Atualmente muitos pais querem dar aos pequeninos tudo aquilo que não tiveram. Atendem prontamente aos anseios dos filhos, proporcionando a satisfação imediata de todos os seus desejos, no caso do álbum, entopem os meninos de figurinhas. 

Não percebem que não serão capazes de dar tudo aos filhos. Podem presenteá-los com milhares de figurinhas, podem colaborar para completarem o álbum em tempo recorde, podem satisfazê-los materialmente, mas ao mesmo tempo estão tirando deles o gosto da expectativa e o saber da conquista. 

O atendimento imediato de todos os desejos dos filhos, sem limites, mesmo quando estes não estão merecendo, não é valorizado, não é reconhecido e com a mesma rapidez com que recebem, descartam, não se interessam, não cuidam e estão prontos para outras exigências. 

Com essa atitude não ensinamos os filhos a esperar, a lidar com as frustrações que terão de lidar ao longo da vida, a perceberem que as conquistas são consequências de um processo, e que não acontecem em um passe de mágica. Futuramente podem encontrar dificuldades em receber um "não" como resposta, buscar o prazer imediato, o sucesso sem esforço e o poder a qualquer custo etc.

Não precisamos privar os filhos se podemos alegrá-los com o álbum e as figurinhas da copa do mundo, mas podemos aproveitar para transmitir ensinamentos. Reclamamos tanto que os filhos não saem do celular e quando temos a oportunidade de sentar com eles, abrir pacotinhos de figurinhas e preencher o álbum juntos, queremos fazê-lo num instante, ou entregamos o álbum preenchido. Podemos aproveitar para fazê-los adquirir noções de limites, ensiná-los a esperar, a batalhar para conquistar e a valorizar o esforço e não apenas a conquista. 

Podemos aproveitar a atual febre do momento para trabalhar na educação preventiva dos filhos, conscientes de que o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo, portanto, de tudo o que pretendemos dar aos nossos filhos não podemos deixar de fora noções claras de limites, porque mais importante que um álbum completo é uma vida plena.




Celso Garrefa 

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e 

"O primeiro dia da minha nova vida"

Obs.: Texto sugerido pelo amigo Júlio Bottrel





quinta-feira, 14 de maio de 2026

OS FILHOS DOS QUARTOS (parte 2)

Recentemente escrevi um texto abordando sobre os filhos dos quartos, uma realidade presente em muitos lares e a queixa de muitos pais, incomodados com essa situação. Se no passado tínhamos medo de perder nossos filhos para as ruas, hoje estamos os perdendo para os quartos. E o que os pais podem fazer diante desta realidade?

Apresento, a seguir, algumas sugestões que podem contribuir para a busca da solução para este problema:

- Não pense em proibir o uso de tecnologias no quarto, isso não funciona. O quarto é deles, o espaço é deles e eles também precisam dos momentos consigo mesmos. Deixe claro que eles vão continuar utilizando o espaço, mas é preciso estabelecer as regras e os limites do aceitável.

- Não faça do quarto um mundo perfeito para os filhos, capaz de atender todas as suas necessidades, sem que precisem sair dele. Reclamamos que os filho não saem dos quartos mas colocamos nele tudo que os filhos precisam: tevê, internet, videogames, ar-condicionado, frigobar, mesa para alimentação etc.;

- Não permita que o quarto seja utilizado para fazer as refeições, isso precisa acontecer nos locais adequados, como a cozinha ou sala de jantar, preferencialmente com a família reunida no entorno da mesa;

- Comunique que não serão respondidas as mensagens via celular vindas do quarto, enquanto a família está na casa. Se quiserem pedir algo, ou se comunicar precisam fazer no presencial. Também não envie mensagens para eles enquanto estão no seu isolamento, faça contato pessoal;

- Seja exemplo: cuidado com o uso indiscriminado das redes socias, com o excesso de telas, com as rolagens infinitas. Percebam as pessoas na casa, cuide para não aderir ao fenômeno "parentalidade distraída". Dialogue e mostre interesse por eles. Saiba cobrar, mas não esqueça de elogiar quando merecido;

- Crie momentos de interação familiar, como jogos, brincadeiras, leituras, e outras atividades como um passeio, uma viagem, um momento de lazer etc.;

- Dialogue e estabeleçam juntos um horário para encerrar o uso das tecnologias no quarto, e uma vez estabelecido, precisa ser respeitado por todos, se necessário combinem um horário em que o sinal de Wi-Fi será desligado;

- Incentive que participem de atividades fora do ambiente de casa, buscando outros espaços para além do escola / quarto; quarto / escola, como esporte, dança, teatro, ações voluntárias, cursos, atividades físicas etc.; 

- Trabalhe a cooperação no grupo familiar, onde todos possam contribuir para o bem estar de todos. Estabeleça parcerias, crie momentos da família. Isso ajuda a construir e consolidar os vínculos afetivos.

Cada família vive uma realidade e cada um deve buscar a sua maneira de lidar com o desafio. As dicas citadas são sugestões, que podem se juntar a outras visando a construção de uma relação familiar funcional. Se precisar, peça ajuda. O Programa Amor-Exigente é um grupo de apoio e orientação que pode contribuir imensamente na busca de soluções para este desafio e outros desafios.


Celso Garrefa

Pedagogo Social





sábado, 25 de abril de 2026

QUEM NÃO CONSTRÓI O PRÓPRIO CAMINHO, CAMINHA PELA ESTRADA DOS OUTROS

Se não sabemos onde queremos chegar, não traçamos os caminhos que precisamos seguir e, consequentemente, caminhamos por estradas construídas por outras pessoas, e o que é traçado pelos outros não conduzem aos nossos objetivos, mas aos deles.

E quantas são as pessoas que não se definem, não conhecem quem são, não sabem onde querem chegar, não traçam suas metas, nem idealizam os seus objetivos. Não possuem um projeto próprio de vida e vivem exclusivamente em função dos outros, para os outros e pelos projetos dos outros. 

É obvio que convivendo com outras pessoas, devemos considerar a importância de cada um, contribuindo para que busquem seus sonhos, realizem os seus objetivos. É gratificante para um pai, uma mãe assistir o sucesso dos filhos, ou uma conquista do cônjuge. Também nos realizamos no sucesso de quem amamos e isso é fantástico.

Mas a nossa vida não pode resumir-se a isso, não deve e não precisa ser totalmente focada em outras pessoas, enquanto esquecemos de nós mesmos. Se esquecermos de nós, colhemos a invisibilidade, não somos vistos, não somos valorizados, nem respeitados e como resultado, corremos o risco de receber o mínimo de quem entregamos o nosso máximo.

Vivemos e quem vive precisa de um projeto de vida, construir a própria estrada, que não exclui quem amamos, mas que não ignora a própria existência. Enfim, por que viver exclusivamente em funções dos outros, pelos sonhos dos outros, pelos projetos dos outros, se também podemos viver a nossa vida, idealizar os nossos projetos, sonhar os nossos sonhos? Também agradamos quem nos ama, cuidando de nós. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente

de educar" e " O primeiro dia da minha nova vida"


segunda-feira, 20 de abril de 2026

PAIS E FILHOS, QUEM TÊM MEDO DE QUEM?

Os pais que não exercem sua autoridade perdem o respeito dos filhos e o controle da casa, e não só isso, também perdem os domínios da própria vida. Mas, afinal, como podemos conquistar e fortalecer essa atitude fundamental e fazer com que nossa autoridade seja respeitada?

Em primeiro lugar precisamos compreender que o exercício de autoridade não se conquista através da ameaça, da agressividade, da estupidez ou com atitudes grotescas. Esses tipos de comportamentos provocam medo e nenhum filho deveria ter medo dos pais, mas todo filho tem o dever de respeitá-los. 

Autoridade se constrói, é legítima e assim sendo, o primeiro passo é assumi-la. Muitos vezes queremos transferi-la e a transferência daquilo que é nosso dever, enfraquece nossas ações. Quantas vezes, no dia, a mãe repete para os filhos: vocês vão ver quando seu pai chegar! Mas, o pai também se equivoca toda vez que os filhos o procuram e ele rapidamente se esquiva: resolvem lá com sua mãe! 

Pior ainda é o casal que não possui unidade na decisão e um vive desautorizando o outro, desconstruindo uma decisão tomada. Essa postura arrebenta por completo a autoridade do companheiro, transformando um deles no bonzinho da casa, enquanto o outro se torna o carrasco.

O poder do exemplo é outro fator essencial para o exercício da autoridade. Sem ser exemplo ocupamos duas posições e nenhuma delas é funcional: ou nos tornamos autoritários, faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço, ou nos tornamos permissivos, aceitando comportamentos inadequados por saber que nossas atitudes não servem de modelo.

Precisamos, também, no fortalecimento da autoridade, buscar conhecimento, estar antenado ao que acontece nos nossos dias e possuir firmeza em relação ao que desejamos transmitir. Um filho respeita melhor a autoridade dos pais se ele olhar para eles com uma certeza: meus pais sabem do que estão falando!

Por fim, o uso da autoridade pelos pais é legítimo e assim sendo, não podemos abrir mão dessa função. E da mesma forma com que um filho não deve ter medo dos pais, nenhum pai, nenhuma mãe, jamais, em hipótese alguma, deveria temer seus filhos. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social
Autor dos livros: "Assertividade, um jeito inteligente de educar"
e "O primeiro dia da minha nova vida"






sábado, 28 de fevereiro de 2026

FALAR OU CALAR?

Muitas vezes enfrentamos desafios tão intensos que o nosso desejo é colocar pra fora o drama que estamos vivenciando. Essa é uma ação necessária visando a busca de ajuda para lidarmos com um problema que sozinhos não estamos conseguindo resolver. 

Externalizarmos aquilo que nos sufoca é uma atitude que traz leveza, que alivia o sofrimento, que abre caminhos para enxergarmos novas direções. Mas, isso exige um certo cuidado. Nem todos estão preparados para nos compreender, para nos orientar de forma adequada, assertiva e respeitosa.

E isso nos faz pensar sobre a importância do sigilo, neste caso, o sigilo em relação a nós mesmos. Isso nos coloca diante de uma questão: precisamos expor algo pessoal e ao mesmo tempo precisamos preservar aquilo que é íntimo e que não desejamos ver exposto.

O primeiro passo é não sair por aí falando de nós mesmos, dos nossos desafios, das nossas relações familiares para todo mundo ou para qualquer pessoa. Nem todos estão preparados, nem todos possuem condições de compreender aquilo que estamos vivenciando e nem todos possuem a ética necessária para conservar o sigilo em relação ao que lhes confiamos.

Preservar o sigilo da nossa história, em relação a quem nada tem a nos oferecer, não significa camuflar um problema, mas nos proteger de pessoas que nada vão acrescentar na busca da solução dos nossos desafios. Como costumo repetir: está cheio de especialistas de poltrona por aí.

Manter sigilo em relação a nós mesmos não significa calar e engolir aquilo que nos sufoca, mas adotar o cuidado de expor o que nos incomoda nos locais adequados, com pessoas certas, em quem podemos confiar. Essa é uma atitude que nos protege e uma forma ética de expor o que precisa ser exposto. 

Celso Garrefa
Autor o livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar"
Disponível Mercado Livre, Amazon, LoginhAE e demais plataformas digitais





terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

APRENDI COM O GIRASSOL

Recentemente, estive palestrando na bela cidade de Niterói, e recebi, além do carinho e cuidado costumeiros, alguns brindes pela apresentação, entre eles um pequeno cartão em papel reciclável e em seu interior havia sementes de alguma flor.

Segui as instruções do cartão, piquei-o e plantei no pequeno canteiro do jardim, em frente à nossa casa. Conforme as orientações, durante os dias seguintes, a terra foi regada. Passaram-se alguns dias e nem sinal da planta, ainda assim, continuei regando-a.

Mais alguns dias e eis que surgem alguns pontos verdes. Eram as folhas da planta que começava a emergir da terra. O cuidado continuava, com um detalhe, a cada novo dia não era possível observar a evolução da planta, mas era nítido que estava crescendo.

Mais algum tempo, e entre o verde que agora tomara todo o canteiro, observo alguns pontos de cor amarela, eram as flores que começavam a dar sinais da sua beleza. Os cuidados continuaram e atualmente, as belas flores de girassol embelezam ainda mais o jardim da nossa casa.

Observem que na nossa vida não é diferente. Quantas vezes desejamos mudanças, mas buscamos o imediatismo, quantos vezes queremos ver o resultado, mas não damos o tempo necessário para que as coisas aconteçam e paramos pelo caminho.

Toda busca por mudança na nossa vida é um processo, cujo resultado depende de perseverança, de insistência, de constância e de paciência. Quem deseja modificar aquilo que incomoda, que traz insatisfação ou que causa sofrimentos, precisa continuar regando, regando, regando, agindo, cuidando. 

E por fim, perceber, valorizar e se alegrar com cada nova etapa, com cada pequeno progresso, por mais imperceptível que seja, por menor que nos pareça e assim, como citado por Goethe, ter a consciência de que: "No momento em que nos comprometemos, a providência divida também se põe em movimento", e as coisas acontecem. 

Celso Garrefa





domingo, 15 de fevereiro de 2026

EU SOU GENTE E O OUTRO TAMBÉM O É

Eu também sou gente. Por mais óbvio que isso pareça, muitas vezes esquecemos essa verdade e agimos como se não fôssemos, buscamos uma perfeição que não está ao nosso alcance e nos frustramos.  Ao conhecermos o Programa Amor-Exigente somos despertados para essa verdade, ou seja, somos humanos, possuímos defeitos, falhamos, erramos, mas como gente também possuímos qualidades, capacidades e valores que podem ser explorados.

Reconhecer essa verdade nos traz alívio. Adquirir a consciência de que não somos o todo poderoso, de que não damos conta de tudo, de que não somos capazes de tudo e estamos sujeitos a erros tira dos nossos ombros o peso da cobrança desmedida.

Mas é preciso cuidado. Assumir nossa humanidade não significa tomar atitudes e agir sem pensar, sem refletir, chutar o balde e não se importar com nada. Não é isso. Como pessoas humanas somos sujeitos pensantes e devemos refletir sobre nossos comportamentos, cientes de que, como gente, podemos melhorar e nos renovar a cada novo dia.

É libertador nos reconhecermos como pessoas humanas, isso nos dá o direito de nos posicionar e exigir que nos respeitem como gente, que nos tratem sem grosserias e agressividades, mas também precisamos compreender que o outro também o é e assim sendo, a outra parte também é merecedora de respeito.

E quantas vezes esquecemos isso e tratamos um companheiro, um filho, alguém próximo a nós ou mesmo um colega de trabalho etc., com rispidez, com grosseria, com arrogância, sem nos importar com seus sentimentos? Quantos vezes julgamos outras pessoas, sem nem conhecer sua história de vida? 

Sem reconhecer e aceitar essas verdades perdemos um pouco na nossa humanidade, deixamos de ser um pouco gente e nos transformamos em "coisas", enxergamos nossos semelhantes como "coisas" e perdemos a essência da vida e vamos cada vez mais embrutecendo. E a vida não é sobre "coisas", é sobre pessoas.


Celso Garrefa

Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar" - Disponível na Amazon, Mercado livre, LojinhAE e outras plataformas digitais. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

ÂNCORAS IMOBILIZAM, RAÍZES NUTREM

Observando nossos comportamentos, como podemos nos avaliar? Podemos nos comparar a uma raiz ou a uma âncora? E qual é a diferença, como podemos perceber isso em nosso dia a dia?

Âncoras imobilizam, travam, impedem a progressão. Pessoas âncoras são aquelas que não saem do lugar, vivem estagnadas, reclamam de tudo, culpam os outros por suas falhas, buscam desculpas para sua falta de ação, transferem responsabilidades etc. Isso as tornam frágeis, mantêm-nas presas, engessadas, paralisadas no tempo. 

Por outro lado, raízes sustentam, elas nutrem, fortalecem, dão suporte, e da mesma forma, pessoas raízes não se acomodam, e buscam permanentemente o seu crescimento pessoal.

Quanto mais profundas, mais as raízes criam sustentação para a árvore resistir às intempéries da natureza. Assim também são as pessoas raízes, elas estão sempre buscando aprofundar seus conhecimentos, melhorando suas atitudes, fazendo de cada novo dia, um dia cada vez melhor.

Assim como as raízes da árvore aprofundam visando absorver os nutrientes para sustentar sua estrutura, com as pessoas raízes não é diferente, elas buscam recursos capazes de nutrir sua existência e fazem isso através de uma espiritualidade fortalecida, participando de grupos de apoio, lendo bons livros, melhorando sua existência, vivendo em função do bem etc.

Pessoas raízes tornam-se fortes, são resilientes, enfrentam as adversidades da vida de cabeça erguida, não vivem a lamentar, e assim como uma árvore de raízes profundas sustentam a si mesmas e servem de suporte para outras menores que vivem ao se redor, a força das pessoas raízes sustentam a si mesmas e são a base de suporte para outras que convivem ao seu lado.

Por fim, avaliemos nossos comportamentos, recolhamos as âncoras e permitamos que nossa existência seja nutrida por raízes cada vez mais sadias e profundas. 


Celso Garrefa


sábado, 17 de janeiro de 2026

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estudos? Quantos de nós foi o primeiro a romper um ciclo de violências reproduzidas por longo período? Quantos de nós foi o primeiro a não fazer uso de nenhuma substância que cause dependência, mesmo vivendo em uma família em que o uso do álcool ou do cigarro são culturalmente aceitos?

Pode até parecer simples, mas é preciso coragem e sabedoria para romper ciclos de comportamentos enraizados na família, e que se reproduzem geração após geração. Aqueles que ousam romper com padrões pré-estabelecidos parece incomodar, mesmo que a busca da mudança vise melhorar a sua condição de vida. 

Esses padrões comportamentais muitas vezes soam como verdades absolutas na família, e assim sendo, são copiados e reproduzidos ao longo do tempo, sem questionamentos, e quem ousa rompê-los e abandonar esse jogo é visto como um estranho, um exibido. 

Não é simples pular desse barco, mesmo que furado, porque quem ousa fazê-lo costuma ser bombardeado por críticas, por julgamentos e visto como um traidor.  Incomoda, para muitos, ver que alguém está fazendo diferente, está se sobressaindo e por isso ele pode ser vítima de todo o tipo de ataque. 

O primeiro princípio do Programa Amor-Exigente nos leva a refletir sobre nossas raízes culturais e a lançarmos um olhar sobre o passado, refletindo e realizando uma autoanálise, visando sabermos de onde viemos, em quem nos tornamos e onde queremos chegar. 

A partir disso podemos nos posicionar: o que foi saudável e queremos preservar? o que vale a pena resgatar? e o que não foi bom e precisamos descartar, romper o ciclo, abandonar padrões comportamentais não saudáveis e buscar uma nova maneira de viver? 

Quem o fará? Que seja eu, que seja você, só não dá para continuarmos girando na mesma roda feito um ramister em seu brinquedinho, girando, girando e girando, sem sair do lugar. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e

"O primeiro dia da minha nova vida"







sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VÍTIMAS E AGRESSORES

Certo dia, estava eu assistindo a um seriado americano e aquele episódio tratava-se de uma invasão a uma unidade escolar daquele país. Alguém, fortemente armado, havia entrado na escola e começado a disparar contra professores, alunos e quem mais aparecesse pela frente, causando um grande tumulto, ferindo e matando pessoas.

A polícia logo foi acionada para conter o invasor. A notícia se espalhou rapidamente e muitos pais e mães dos alunos, além de outras pessoas, começaram a aglomerar em frente ao estabelecimento. De repente uma mãe, desesperada, chega até o comandante, questionando-o, querendo saber sobre seu filho, se ele estava bem, se havia sido atingido, se estava ferido etc.

Nesse momento, para a surpresa e desespero da mãe, o comandante olha para ela e diz: - Mãe, seu filho não está ferido, seu filho é o agressor, ele é o atirador. 

Esse episódio me fez refletir sobre nossas preocupações em relação aos nossos filhos. Com muita razão, desejamos a todo custo protegê-los para não se tornarem vítimas da violência, do abuso, do bullying, dos desafios de internet etc., e não pensamos e nem cogitamos a possibilidade de que eles tanto podem ser vítimas como agressores.

Pais e mães de filhos agressores sofrem tanto quanto pais e mães de filhos vítimas, e devemos, também, orientar nossas crianças e jovens para que não se tornem um perigo para outras pessoas. Como tenho dito e repetido, não existem garantias de sucesso, mas é nossa responsabilidade, enquanto pais, atuar ativamente na educação dos nossos filhos. Não desejamos que se tornem vítimas, e da mesma forma, não queremos filhos agressores. 



Celso Garrefa
Pedagogo social
Autor dos livros:
"Assertividade, um jeito inteligente de educar" e
"O primeiro dia da minha nova vida"





quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

QUEM É VOCÊ?

Quem é você? Essa parece uma pergunta  simples, só parece. Como é complexo olhar para nós mesmos, saber quem somos, remover máscaras, perceber nossos defeitos, mas também reconhecer nossas qualidades. 

Raízes culturais é o primeiro princípio do Amor-Exigente, um programa que transforma vidas, e o primeiro passo para isso é nos desvelar, reconhecer que possuímos uma identidade única, e podemos ser quem somos, sem precisar encarnar personagens para agradar a todos.

Ubuntu é um interessante conceito africano que enfatiza a importância da conexão. Segundo esse preceito, "eu sou porque nós somos". Na contramão dessa ideia, muitos pais vivem repetindo, de forma entusiasta, que vivem em função dos seus filhos, ou seja, esquecem do "nós" para viver pelo outro e não percebem uma realidade: quem vive em função do outro, não tem vida e conexão tão desejada não acontece. 

É óbvio que os filhos merecem toda a nossa atenção, todo o nosso amor, todo o nosso carinho, mas para que viver em função deles, se podemos viver todos? Cuidar de nós não exclui quem amamos, nem diminui o tamanho do amor que sentimos por eles. 

Desejamos conquistar a atenção dos filhos, do companheiro, porém, enquanto tudo fazemos para o outro e nada para nós mesmos, não somos percebidos. O respeito, a atenção e o amor que tanto almejamos tornam-se possíveis a partir do momento em que aprendermos a nos valorizar, a nos respeitar e a nos amar também.

Por fim, descubra-se, conheça-se, sinta-se merecedor do amor próprio, sem egoísmo e apodere-se da sugestão citada no filme "um amor para recomeçar": Descubra quem você é e seja você mesmo de propósito.


Celso Garrefa

domingo, 4 de janeiro de 2026

DESAPEGUE E VIVA COM LEVEZA

Começamos um novo ano, momento de desapegar. Sabe aquela roupa sem uso, guardada há anos no guarda-roupas, desapegue. Ou aquele calçado que achamos horroroso, mas continua guardado, desapegue. Papeis amarelados nas gavetas há séculos, desapegue. Objetos que não utilizamos mais, desapegue.

Reorganize seu quarto, revise suas paredes, esvazie suas gavetas, elimine o que não serve mais, o que não agrada mais, o que não faz mais sentido. Elimine, principalmente, o que não traz boas lembranças, aquilo, cuja memória nos faz sofrer. 

A partir disso, veja o que está cuidadosamente guardado, esperando o momento certo para ser utilizado. Aquelas belas taças guardadas no armário à espera de visitas, aquela roupa de cama esperando uma ocasião especial, o presente ganho no casamento e ainda cuidadosamente encaixotado. Eles não foram feitos para ficarem guardados, mas para serem utilizados. A vida acontece agora, viva-a, agora, que o tempo passa e como passa rápido.

Mas, não se contente com aquilo que é material. Faça também uma faxina em seus sentimentos e desapegue daqueles que machucam, daqueles que insistimos em carregá-los ao longo da vida. Desapegue da raiva, liberte-se dos ressentimentos, livre-se da carga pesada do sentimento de culpa, descarte as mágoas.  Remova todo o peso que te impede de caminhar.

Seja uma nova pessoa neste novo ano e viva o que de fato vale a pena ser vivido. Valorize o que, de fato, vale a pena ser valorizado. Não se aborreça por bobagens. Pare de remoer o passado e foque no novo, no futuro. Se preciso for, perdoe-se; se necessário for, reconstrua-se, se precisar, busque ajuda e faça de cada dia deste novo ano, o primeiro dia da sua nova vida. 



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros: Assertividade, um jeito inteligente de educar e Primeiro dia da minha nova vida 





AS PALAVRAS GANHAM FORÇA QUANDO ACOMPANHADAS DO EXEMPLO

As palavras possuem um poder fantástico de influenciar, desde que elas venham acompanhadas do exemplo, sem isso, perdem o crédito. Por outro...