terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

APRENDI COM O GIRASSOL

Recentemente, estive palestrando na bela cidade de Niterói, e recebi, além do carinho e cuidado costumeiros, alguns brindes pela apresentação, entre eles um pequeno cartão em papel reciclável e em seu interior havia sementes de alguma flor.

Segui as instruções do cartão, piquei-o e plantei no pequeno canteiro do jardim, em frente à nossa casa. Conforme as orientações, durante os dias seguintes, a terra foi regada. Passaram-se alguns dias e nem sinal da planta, ainda assim, continuei regando-a.

Mais alguns dias e eis que surgem alguns pontos verdes. Eram as folhas da planta que começava a emergir da terra. O cuidado continuava, com um detalhe, a cada novo dia não era possível observar a evolução da planta, mas era nítido que estava crescendo.

Mais algum tempo, e entre o verde que agora tomara todo o canteiro, observo alguns pontos de cor amarela, eram as flores que começavam a dar sinais da sua beleza. Os cuidados continuaram e atualmente, as belas flores de girassol embelezam ainda mais o jardim da nossa casa.

Observem que na nossa vida não é diferente. Quantas vezes desejamos mudanças, mas buscamos o imediatismo, quantos vezes queremos ver o resultado, mas não damos o tempo necessário para que as coisas aconteçam e paramos pelo caminho.

Toda busca por mudança na nossa vida é um processo, cujo resultado depende de perseverança, de insistência, de constância e de paciência. Quem deseja modificar aquilo que incomoda, que traz insatisfação ou que causa sofrimentos, precisa continuar regando, regando, regando, agindo, cuidando. 

E por fim, perceber, valorizar e se alegrar com cada nova etapa, com cada pequeno progresso, por mais imperceptível que seja, por menor que nos pareça e assim, como citado por Goethe, ter a consciência de que: "No momento em que nos comprometemos, a providência divida também se põe em movimento", e as coisas acontecem. 

Celso Garrefa





domingo, 15 de fevereiro de 2026

EU SOU GENTE E O OUTRO TAMBÉM O É

Eu também sou gente. Por mais óbvio que isso pareça, muitas vezes esquecemos essa verdade e agimos como se não fôssemos, buscamos uma perfeição que não está ao nosso alcance e nos frustramos.  Ao conhecermos o Programa Amor-Exigente somos despertados para essa verdade, ou seja, somos humanos, possuímos defeitos, falhamos, erramos, mas como gente também possuímos qualidades, capacidades e valores que podem ser explorados.

Reconhecer essa verdade nos traz alívio. Adquirir a consciência de que não somos o todo poderoso, de que não damos conta de tudo, de que não somos capazes de tudo e estamos sujeitos a erros tira dos nossos ombros o peso da cobrança desmedida.

Mas é preciso cuidado. Assumir nossa humanidade não significa tomar atitudes e agir sem pensar, sem refletir, chutar o balde e não se importar com nada. Não é isso. Como pessoas humanas somos sujeitos pensantes e devemos refletir sobre nossos comportamentos, cientes de que, como gente, podemos melhorar e nos renovar a cada novo dia.

É libertador nos reconhecermos como pessoas humanas, isso nos dá o direito de nos posicionar e exigir que nos respeitem como gente, que nos tratem sem grosserias e agressividades, mas também precisamos compreender que o outro também o é e assim sendo, a outra parte também é merecedora de respeito.

E quantas vezes esquecemos isso e tratamos um companheiro, um filho, alguém próximo a nós ou mesmo um colega de trabalho etc., com rispidez, com grosseria, com arrogância, sem nos importar com seus sentimentos? Quantos vezes julgamos outras pessoas, sem nem conhecer sua história de vida? 

Sem reconhecer e aceitar essas verdades perdemos um pouco na nossa humanidade, deixamos de ser um pouco gente e nos transformamos em "coisas", enxergamos nossos semelhantes como "coisas" e perdemos a essência da vida e vamos cada vez mais embrutecendo. E a vida não é sobre "coisas", é sobre pessoas.


Celso Garrefa

Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar" - Disponível na Amazon, Mercado livre, LojinhAE e outras plataformas digitais. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

ÂNCORAS IMOBILIZAM, RAÍZES NUTREM

Observando nossos comportamentos, como podemos nos avaliar? Podemos nos comparar a uma raiz ou a uma âncora? E qual é a diferença, como podemos perceber isso em nosso dia a dia?

Âncoras imobilizam, travam, impedem a progressão. Pessoas âncoras são aquelas que não saem do lugar, vivem estagnadas, reclamam de tudo, culpam os outros por suas falhas, buscam desculpas para sua falta de ação, transferem responsabilidades etc. Isso as tornam frágeis, mantêm-nas presas, engessadas, paralisadas no tempo. 

Por outro lado, raízes sustentam, elas nutrem, fortalecem, dão suporte, e da mesma forma, pessoas raízes não se acomodam, e buscam permanentemente o seu crescimento pessoal.

Quanto mais profundas, mais as raízes criam sustentação para a árvore resistir às intempéries da natureza. Assim também são as pessoas raízes, elas estão sempre buscando aprofundar seus conhecimentos, melhorando suas atitudes, fazendo de cada novo dia, um dia cada vez melhor.

Assim como as raízes da árvore aprofundam visando absorver os nutrientes para sustentar sua estrutura, com as pessoas raízes não é diferente, elas buscam recursos capazes de nutrir sua existência e fazem isso através de uma espiritualidade fortalecida, participando de grupos de apoio, lendo bons livros, melhorando sua existência, vivendo em função do bem etc.

Pessoas raízes tornam-se fortes, são resilientes, enfrentam as adversidades da vida de cabeça erguida, não vivem a lamentar, e assim como uma árvore de raízes profundas sustentam a si mesmas e servem de suporte para outras menores que vivem ao se redor, a força das pessoas raízes sustentam a si mesmas e são a base de suporte para outras que convivem ao seu lado.

Por fim, avaliemos nossos comportamentos, recolhamos as âncoras e permitamos que nossa existência seja nutrida por raízes cada vez mais sadias e profundas. 


Celso Garrefa


sábado, 17 de janeiro de 2026

QUEM VAI ROMPER O CICLO?

Quantos de nós foi o primeiro a fazer uma faculdade na família, após gerações e gerações que não tiveram a oportunidade de avançar nos estudos? Quantos de nós foi o primeiro a romper um ciclo de violências reproduzidas por longo período? Quantos de nós foi o primeiro a não fazer uso de nenhuma substância que cause dependência, mesmo vivendo em uma família em que o uso do álcool ou do cigarro são culturalmente aceitos?

Pode até parecer simples, mas é preciso coragem e sabedoria para romper ciclos de comportamentos enraizados na família, e que se reproduzem geração após geração. Aqueles que ousam romper com padrões pré-estabelecidos parece incomodar, mesmo que a busca da mudança vise melhorar a sua condição de vida. 

Esses padrões comportamentais muitas vezes soam como verdades absolutas na família, e assim sendo, são copiados e reproduzidos ao longo do tempo, sem questionamentos, e quem ousa rompê-los e abandonar esse jogo é visto como um estranho, um exibido. 

Não é simples pular desse barco, mesmo que furado, porque quem ousa fazê-lo costuma ser bombardeado por críticas, por julgamentos e visto como um traidor.  Incomoda, para muitos, ver que alguém está fazendo diferente, está se sobressaindo e por isso ele pode ser vítima de todo o tipo de ataque. 

O primeiro princípio do Programa Amor-Exigente nos leva a refletir sobre nossas raízes culturais e a lançarmos um olhar sobre o passado, refletindo e realizando uma autoanálise, visando sabermos de onde viemos, em quem nos tornamos e onde queremos chegar. 

A partir disso podemos nos posicionar: o que foi saudável e queremos preservar? o que vale a pena resgatar? e o que não foi bom e precisamos descartar, romper o ciclo, abandonar padrões comportamentais não saudáveis e buscar uma nova maneira de viver? 

Quem o fará? Que seja eu, que seja você, só não dá para continuarmos girando na mesma roda feito um ramister em seu brinquedinho, girando, girando e girando, sem sair do lugar. 


Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e

"O primeiro dia da minha nova vida"







sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VÍTIMAS E AGRESSORES

Certo dia, estava eu assistindo a um seriado americano e aquele episódio tratava-se de uma invasão a uma unidade escolar daquele país. Alguém, fortemente armado, havia entrado na escola e começado a disparar contra professores, alunos e quem mais aparecesse pela frente, causando um grande tumulto, ferindo e matando pessoas.

A polícia logo foi acionada para conter o invasor. A notícia se espalhou rapidamente e muitos pais e mães dos alunos, além de outras pessoas, começaram a aglomerar em frente ao estabelecimento. De repente uma mãe, desesperada, chega até o comandante, questionando-o, querendo saber sobre seu filho, se ele estava bem, se havia sido atingido, se estava ferido etc.

Nesse momento, para a surpresa e desespero da mãe, o comandante olha para ela e diz: - Mãe, seu filho não está ferido, seu filho é o agressor, ele é o atirador. 

Esse episódio me fez refletir sobre nossas preocupações em relação aos nossos filhos. Com muita razão, desejamos a todo custo protegê-los para não se tornarem vítimas da violência, do abuso, do bullying, dos desafios de internet etc., e não pensamos e nem cogitamos a possibilidade de que eles tanto podem ser vítimas como agressores.

Pais e mães de filhos agressores sofrem tanto quanto pais e mães de filhos vítimas, e devemos, também, orientar nossas crianças e jovens para que não se tornem um perigo para outras pessoas. Como tenho dito e repetido, não existem garantias de sucesso, mas é nossa responsabilidade, enquanto pais, atuar ativamente na educação dos nossos filhos. Não desejamos que se tornem vítimas, e da mesma forma, não queremos filhos agressores. 



Celso Garrefa
Pedagogo social
Autor dos livros:
"Assertividade, um jeito inteligente de educar" e
"O primeiro dia da minha nova vida"





quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

QUEM É VOCÊ?

Quem é você? Essa parece uma pergunta  simples, só parece. Como é complexo olhar para nós mesmos, saber quem somos, remover máscaras, perceber nossos defeitos, mas também reconhecer nossas qualidades. 

Raízes culturais é o primeiro princípio do Amor-Exigente, um programa que transforma vidas, e o primeiro passo para isso é nos desvelar, reconhecer que possuímos uma identidade única, e podemos ser quem somos, sem precisar encarnar personagens para agradar a todos.

Ubuntu é um interessante conceito africano que enfatiza a importância da conexão. Segundo esse preceito, "eu sou porque nós somos". Na contramão dessa ideia, muitos pais vivem repetindo, de forma entusiasta, que vivem em função dos seus filhos, ou seja, esquecem do "nós" para viver pelo outro e não percebem uma realidade: quem vive em função do outro, não tem vida e conexão tão desejada não acontece. 

É óbvio que os filhos merecem toda a nossa atenção, todo o nosso amor, todo o nosso carinho, mas para que viver em função deles, se podemos viver todos? Cuidar de nós não exclui quem amamos, nem diminui o tamanho do amor que sentimos por eles. 

Desejamos conquistar a atenção dos filhos, do companheiro, porém, enquanto tudo fazemos para o outro e nada para nós mesmos, não somos percebidos. O respeito, a atenção e o amor que tanto almejamos tornam-se possíveis a partir do momento em que aprendermos a nos valorizar, a nos respeitar e a nos amar também.

Por fim, descubra-se, conheça-se, sinta-se merecedor do amor próprio, sem egoísmo e apodere-se da sugestão citada no filme "um amor para recomeçar": Descubra quem você é e seja você mesmo de propósito.


Celso Garrefa

domingo, 4 de janeiro de 2026

DESAPEGUE E VIVA COM LEVEZA

Começamos um novo ano, momento de desapegar. Sabe aquela roupa sem uso, guardada há anos no guarda-roupas, desapegue. Ou aquele calçado que achamos horroroso, mas continua guardado, desapegue. Papeis amarelados nas gavetas há séculos, desapegue. Objetos que não utilizamos mais, desapegue.

Reorganize seu quarto, revise suas paredes, esvazie suas gavetas, elimine o que não serve mais, o que não agrada mais, o que não faz mais sentido. Elimine, principalmente, o que não traz boas lembranças, aquilo, cuja memória nos faz sofrer. 

A partir disso, veja o que está cuidadosamente guardado, esperando o momento certo para ser utilizado. Aquelas belas taças guardadas no armário à espera de visitas, aquela roupa de cama esperando uma ocasião especial, o presente ganho no casamento e ainda cuidadosamente encaixotado. Eles não foram feitos para ficarem guardados, mas para serem utilizados. A vida acontece agora, viva-a, agora, que o tempo passa e como passa rápido.

Mas, não se contente com aquilo que é material. Faça também uma faxina em seus sentimentos e desapegue daqueles que machucam, daqueles que insistimos em carregá-los ao longo da vida. Desapegue da raiva, liberte-se dos ressentimentos, livre-se da carga pesada do sentimento de culpa, descarte as mágoas.  Remova todo o peso que te impede de caminhar.

Seja uma nova pessoa neste novo ano e viva o que de fato vale a pena ser vivido. Valorize o que, de fato, vale a pena ser valorizado. Não se aborreça por bobagens. Pare de remoer o passado e foque no novo, no futuro. Se preciso for, perdoe-se; se necessário for, reconstrua-se, se precisar, busque ajuda e faça de cada dia deste novo ano, o primeiro dia da sua nova vida. 



Celso Garrefa

Pedagogo Social

Autor dos livros: Assertividade, um jeito inteligente de educar e Primeiro dia da minha nova vida 





APRENDI COM O GIRASSOL

Recentemente, estive palestrando na bela cidade de Niterói, e recebi, além do carinho e cuidado costumeiros, alguns brindes pela apresentaçã...