sábado, 28 de fevereiro de 2026

FALAR OU CALAR?

Muitas vezes enfrentamos desafios tão intensos que o nosso desejo é colocar pra fora o drama que estamos vivenciando. Essa é uma ação necessária visando a busca de ajuda para lidarmos com um problema que sozinhos não estamos conseguindo resolver. 

Externalizarmos aquilo que nos sufoca é uma atitude que traz leveza, que alivia o sofrimento, que abre caminhos para enxergarmos novas direções. Mas, isso exige um certo cuidado. Nem todos estão preparados para nos compreender, para nos orientar de forma adequada, assertiva e respeitosa.

E isso nos faz pensar sobre a importância do sigilo, neste caso, o sigilo em relação a nós mesmos. Isso nos coloca diante de uma questão: precisamos expor algo pessoal e ao mesmo tempo precisamos preservar aquilo que é íntimo e que não desejamos ver exposto.

O primeiro passo é não sair por aí falando de nós mesmos, dos nossos desafios, das nossas relações familiares para todo mundo ou para qualquer pessoa. Nem todos estão preparados, nem todos possuem condições de compreender aquilo que estamos vivenciando e nem todos possuem a ética necessária para conservar o sigilo em relação ao que lhes confiamos.

Preservar o sigilo da nossa história, em relação a quem nada tem a nos oferecer, não significa camuflar um problema, mas nos proteger de pessoas que nada vão acrescentar na busca da solução dos nossos desafios. Como costumo repetir: está cheio de especialistas de poltrona por aí.

Manter sigilo em relação a nós mesmos não significa calar e engolir aquilo que nos sufoca, mas adotar o cuidado de expor o que nos incomoda nos locais adequados, com pessoas certas, em quem podemos confiar. Essa é uma atitude que nos protege e uma forma ética de expor o que precisa ser exposto. 

Celso Garrefa
Autor o livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar"
Disponível Mercado Livre, Amazon, LoginhAE e demais plataformas digitais





terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

APRENDI COM O GIRASSOL

Recentemente, estive palestrando na bela cidade de Niterói, e recebi, além do carinho e cuidado costumeiros, alguns brindes pela apresentação, entre eles um pequeno cartão em papel reciclável e em seu interior havia sementes de alguma flor.

Segui as instruções do cartão, piquei-o e plantei no pequeno canteiro do jardim, em frente à nossa casa. Conforme as orientações, durante os dias seguintes, a terra foi regada. Passaram-se alguns dias e nem sinal da planta, ainda assim, continuei regando-a.

Mais alguns dias e eis que surgem alguns pontos verdes. Eram as folhas da planta que começava a emergir da terra. O cuidado continuava, com um detalhe, a cada novo dia não era possível observar a evolução da planta, mas era nítido que estava crescendo.

Mais algum tempo, e entre o verde que agora tomara todo o canteiro, observo alguns pontos de cor amarela, eram as flores que começavam a dar sinais da sua beleza. Os cuidados continuaram e atualmente, as belas flores de girassol embelezam ainda mais o jardim da nossa casa.

Observem que na nossa vida não é diferente. Quantas vezes desejamos mudanças, mas buscamos o imediatismo, quantos vezes queremos ver o resultado, mas não damos o tempo necessário para que as coisas aconteçam e paramos pelo caminho.

Toda busca por mudança na nossa vida é um processo, cujo resultado depende de perseverança, de insistência, de constância e de paciência. Quem deseja modificar aquilo que incomoda, que traz insatisfação ou que causa sofrimentos, precisa continuar regando, regando, regando, agindo, cuidando. 

E por fim, perceber, valorizar e se alegrar com cada nova etapa, com cada pequeno progresso, por mais imperceptível que seja, por menor que nos pareça e assim, como citado por Goethe, ter a consciência de que: "No momento em que nos comprometemos, a providência divida também se põe em movimento", e as coisas acontecem. 

Celso Garrefa





domingo, 15 de fevereiro de 2026

EU SOU GENTE E O OUTRO TAMBÉM O É

Eu também sou gente. Por mais óbvio que isso pareça, muitas vezes esquecemos essa verdade e agimos como se não fôssemos, buscamos uma perfeição que não está ao nosso alcance e nos frustramos.  Ao conhecermos o Programa Amor-Exigente somos despertados para essa verdade, ou seja, somos humanos, possuímos defeitos, falhamos, erramos, mas como gente também possuímos qualidades, capacidades e valores que podem ser explorados.

Reconhecer essa verdade nos traz alívio. Adquirir a consciência de que não somos o todo poderoso, de que não damos conta de tudo, de que não somos capazes de tudo e estamos sujeitos a erros tira dos nossos ombros o peso da cobrança desmedida.

Mas é preciso cuidado. Assumir nossa humanidade não significa tomar atitudes e agir sem pensar, sem refletir, chutar o balde e não se importar com nada. Não é isso. Como pessoas humanas somos sujeitos pensantes e devemos refletir sobre nossos comportamentos, cientes de que, como gente, podemos melhorar e nos renovar a cada novo dia.

É libertador nos reconhecermos como pessoas humanas, isso nos dá o direito de nos posicionar e exigir que nos respeitem como gente, que nos tratem sem grosserias e agressividades, mas também precisamos compreender que o outro também o é e assim sendo, a outra parte também é merecedora de respeito.

E quantas vezes esquecemos isso e tratamos um companheiro, um filho, alguém próximo a nós ou mesmo um colega de trabalho etc., com rispidez, com grosseria, com arrogância, sem nos importar com seus sentimentos? Quantos vezes julgamos outras pessoas, sem nem conhecer sua história de vida? 

Sem reconhecer e aceitar essas verdades perdemos um pouco na nossa humanidade, deixamos de ser um pouco gente e nos transformamos em "coisas", enxergamos nossos semelhantes como "coisas" e perdemos a essência da vida e vamos cada vez mais embrutecendo. E a vida não é sobre "coisas", é sobre pessoas.


Celso Garrefa

Autor do livro "Assertividade, um jeito inteligente de educar" - Disponível na Amazon, Mercado livre, LojinhAE e outras plataformas digitais. 

FALAR OU CALAR?

Muitas vezes enfrentamos desafios tão intensos que o nosso desejo é colocar pra fora o drama que estamos vivenciando. Essa é uma ação necess...