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Assim como não existe ética pela metade, também não existe meio sigilo e pensando assim, aquilo que nos é confiado não devemos repassar nem mesmo para a pessoa que mais confiamos.
Eu confio muito na minha esposa, mas ela também confia muito na mãe dela. A mãe dela confia demais na tia dela. A tia dela confia no marido e assim por diante. É confiando no outro, que quebrados o sigilo e matamos a ética.
Em relação
aos problemas familiares, não devemos escondê-los ou camuflá-los, sob o risco
de perpetuá-los, mas é importante fazê-lo com ética, nos locais adequados, com pessoas capazes de oferecer um auxílio, um apoio, uma orientação, com respeito e sem tornar
público e escancarar os dramas alheios.
Isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade em relação ao sigilo nos nossos grupos, seja referente à história de vida de cada um, seja da própria presença das pessoas nas nossas reuniões. Quem chega até nós precisa confiar em nós, senão se afasta e com razão.
A vivência deste princípio ético não se limita às nossas reuniões semanais, e deve ser também praticado fora delas. No nosso dia a dia dialogamos com pessoas o tempo todo,
seja em nosso trabalho, em nossa comunidade ou mesmo com aquelas que cruzam
nosso caminho diariamente. Observem como parece existir um certo prazer em
falar do outro, porém, quase nunca um elogio, uma qualidade, mas sim apontando
seus defeitos, fazendo críticas e fofocas.
Outro setor que exige atenção são as nossas redes sociais. Basta um acidente ou incidente para
aparecer várias pessoas mais preocupada em registrar os fatos e torná-los público, compartilhando em suas redes sociais a prestar socorro. Outras vezes compartilhando tragédias alheias, sem se preocupar com o ser humano por detrás do ocorrido.
Que
necessidade é essa de aparecer o tempo todo, mostrando os problemas, os dramas dos outro, apenas com o
objetivo de ganhar seguidores e likes? Que falta de ética pessoas
que lidam com o público e usam dessa proximidade para expor pessoas, com o objetivo
claro de aparecer e se autopromover? Que indecência! Que
falta de ética.
Nestes
tempos modernos, em que nossa privacidade está cada vez mais exposta, devemos
refletir muito sobre este princípio, nos vigiando o tempo todo e, com muita
empatia, desenvolver a qualidade de nos colocarmos no lugar do outro, praticando o sigilo em sua integralidade e não pela metade. Essa é a responsabilidade.


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