sexta-feira, 29 de maio de 2026

O QUE PODEMOS APRENDER COM O ÁLBUM DA COPA

Tenho visto pais gastarem valores absurdos em figurinhas para os filhos completarem o seu álbum da copa do mundo, e isso me fez refletir sobre os reflexos dessa atitude na preparação dos filhos para a vida.

Pensar sobre isso me fez lembrar de quando eu era criança e o quanto gostava de completar os meus álbuns, no entanto, na época, os recursos limitados da família não faziam desse desejo uma tarefa fácil, mas também deixou ensinamentos que carrego até hoje.

Fez-me perceber que na vida tudo tem limite, que não podemos tudo, que não recebemos tudo pronto e de forma imediata. Ensinou-me a valorizar as pequenas conquistas, a lidar com a espera da próxima oportunidade de comprar mais um ou dois pacotinhos, a buscar os meus objetivos, sem depender totalmente dos outros.

Atualmente muitos pais querem dar aos pequeninos tudo aquilo que não tiveram. Atendem prontamente aos anseios dos filhos, proporcionando a satisfação imediata de todos os seus desejos, no caso do álbum, entopem os meninos de figurinhas. 

Não percebem que não serão capazes de dar tudo aos filhos. Podem presenteá-los com milhares de figurinhas, podem colaborar para completarem o álbum em tempo recorde, podem satisfazê-los materialmente, mas ao mesmo tempo estão tirando deles o gosto da expectativa e o saber da conquista. 

O atendimento imediato de todos os desejos dos filhos, sem limites, mesmo quando estes não estão merecendo, não é valorizado, não é reconhecido e com a mesma rapidez com que recebem, descartam, não se interessam, não cuidam e estão prontos para outras exigências. 

Com essa atitude não ensinamos os filhos a esperar, a lidar com as frustrações que terão de lidar ao longo da vida, a perceberem que as conquistas são consequências de um processo, e que não acontecem em um passe de mágica. Futuramente podem encontrar dificuldades em receber um "não" como resposta, buscar o prazer imediato, o sucesso sem esforço e o poder a qualquer custo etc.

Não precisamos privar os filhos se podemos alegrá-los com o álbum e as figurinhas da copa do mundo, mas podemos aproveitar para transmitir ensinamentos. Reclamamos tanto que os filhos não saem do celular e quando temos a oportunidade de sentar com eles, abrir pacotinhos de figurinhas e preencher o álbum juntos, queremos fazê-lo num instante, ou entregamos o álbum preenchido. Podemos aproveitar para fazê-los adquirir noções de limites, ensiná-los a esperar, a batalhar para conquistar e a valorizar o esforço e não apenas a conquista. 

Podemos aproveitar a atual febre do momento para trabalhar na educação preventiva dos filhos, conscientes de que o excesso de tudo faz tão mal quanto a falta de tudo, portanto, de tudo o que pretendemos dar aos nossos filhos não podemos deixar de fora noções claras de limites, porque mais importante que um álbum completo é uma vida plena.




Celso Garrefa 

Pedagogo Social

Autor dos livros "Assertividade, um jeito inteligente de educar" e 

"O primeiro dia da minha nova vida"

Obs.: Texto sugerido pelo amigo Júlio Bottrel





quinta-feira, 14 de maio de 2026

OS FILHOS DOS QUARTOS (parte 2)

Recentemente escrevi um texto abordando sobre os filhos dos quartos, uma realidade presente em muitos lares e a queixa de muitos pais, incomodados com essa situação. Se no passado tínhamos medo de perder nossos filhos para as ruas, hoje estamos os perdendo para os quartos. E o que os pais podem fazer diante desta realidade?

Apresento, a seguir, algumas sugestões que podem contribuir para a busca da solução para este problema:

- Não pense em proibir o uso de tecnologias no quarto, isso não funciona. O quarto é deles, o espaço é deles e eles também precisam dos momentos consigo mesmos. Deixe claro que eles vão continuar utilizando o espaço, mas é preciso estabelecer as regras e os limites do aceitável.

- Não faça do quarto um mundo perfeito para os filhos, capaz de atender todas as suas necessidades, sem que precisem sair dele. Reclamamos que os filho não saem dos quartos mas colocamos nele tudo que os filhos precisam: tevê, internet, videogames, ar-condicionado, frigobar, mesa para alimentação etc.;

- Não permita que o quarto seja utilizado para fazer as refeições, isso precisa acontecer nos locais adequados, como a cozinha ou sala de jantar, preferencialmente com a família reunida no entorno da mesa;

- Comunique que não serão respondidas as mensagens via celular vindas do quarto, enquanto a família está na casa. Se quiserem pedir algo, ou se comunicar precisam fazer no presencial. Também não envie mensagens para eles enquanto estão no seu isolamento, faça contato pessoal;

- Seja exemplo: cuidado com o uso indiscriminado das redes socias, com o excesso de telas, com as rolagens infinitas. Percebam as pessoas na casa, cuide para não aderir ao fenômeno "parentalidade distraída". Dialogue e mostre interesse por eles. Saiba cobrar, mas não esqueça de elogiar quando merecido;

- Crie momentos de interação familiar, como jogos, brincadeiras, leituras, e outras atividades como um passeio, uma viagem, um momento de lazer etc.;

- Dialogue e estabeleçam juntos um horário para encerrar o uso das tecnologias no quarto, e uma vez estabelecido, precisa ser respeitado por todos, se necessário combinem um horário em que o sinal de Wi-Fi será desligado;

- Incentive que participem de atividades fora do ambiente de casa, buscando outros espaços para além do escola / quarto; quarto / escola, como esporte, dança, teatro, ações voluntárias, cursos, atividades físicas etc.; 

- Trabalhe a cooperação no grupo familiar, onde todos possam contribuir para o bem estar de todos. Estabeleça parcerias, crie momentos da família. Isso ajuda a construir e consolidar os vínculos afetivos.

Cada família vive uma realidade e cada um deve buscar a sua maneira de lidar com o desafio. As dicas citadas são sugestões, que podem se juntar a outras visando a construção de uma relação familiar funcional. Se precisar, peça ajuda. O Programa Amor-Exigente é um grupo de apoio e orientação que pode contribuir imensamente na busca de soluções para este desafio e outros desafios.


Celso Garrefa

Pedagogo Social





AS PALAVRAS GANHAM FORÇA QUANDO ACOMPANHADAS DO EXEMPLO

As palavras possuem um poder fantástico de influenciar, desde que elas venham acompanhadas do exemplo, sem isso, perdem o crédito. Por outro...