sábado, 30 de março de 2024

EU PRECISO ME PROTEGER DE MIM

(Celso Garrefa)
Muitas vezes, na vida, nos preocupamos tanto com as pessoas que vivem   ao  nosso redor e não medimos esforços para protegê-las e elevá-las. Esse é   um comportamento fantástico, no entanto, não adotamos o mesmo cuidado   quando se trata da nossa pessoa e não nos protegemos de nós mesmos.

Quantas vezes fazemos uma autocrítica exagerada e negativa em relação ao   nosso eu, diminuindo as nossas capacidades, menosprezando as nossas   qualidades e com isso nos sentimos menores do que realmente somos. Outras vezes não nos julgamos merecedores e aceitamos qualquer coisa e  conformamos com menos do que fazemos jus.

Também é comum nos colocarmos na posição de “coitados”, transmitindo, inclusive verbalmente, que para nós qualquer coisa serve, que para nós tudo está bom, que não ligamos em ser tratados sem consideração e respeito. Por vezes nos diminuímos tanto que sentimos incomodados até mesmo diante de um elogio, como se dele não fôssemos merecedores.

Essas atitudes nos impedem de perceber aquilo que temos de bom, de positivo. Precisamos deixar de ser cruéis em nossa autoanálise e reconhecer, também, nossos valores, enaltecer, sem arrogância, nossas qualidades.

Não adianta nos arrebentarmos, não resolve nos anularmos, não é funcional vivermos apenas em função do outro e esperar o reconhecimento. Não resolve concentrar todas as nossas energias e esforços em relação às pessoas que convivem conosco e esperar o retorno, se vivemos diminuindo a nossa importância enquanto pessoa.

Não somos valorizados por aquilo que fazemos a outras pessoas, nem somos reconhecidos por aquilo que entregamos ao outro. Em geral, as pessoas respeitam aqueles que eles admiram. Isso não significa ser egoísta e deixar de olhar com carinho e cuidado para aqueles que amamos e fazer por eles o nosso melhor, só não podemos esquecer de nós mesmos e nos proteger das autocríticas negativos que traçamos sobre nós. Enfim, eu preciso me proteger de mim, porque se eu não fizer, certamente ninguém o fará.


Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP





sábado, 16 de dezembro de 2023

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM, O CORAÇÃO NÃO SENTE

É comum os pais de dependentes químicos demorarem a aceitar que estão diante de um grande desafio, mesmo quando seus filhos já apresentam indícios claros do uso. O que os olhos não veem, o coração não sente, mas se recusam a enxergar, como podem corrigir?

Essa negação do problema acontece de forma inconsciente e possui o objetivo de protegê-los de uma realidade dolorosa, na qual eles não desejam e não sabem como lidar. Mas não tem jeito, abandonar a negação é necessário e urgente.

Esse não é um momento fácil, tendo em vista que a aceitação dos fatos aos quais recusam enxergar causa sofrimentos profundos e angustiantes. Para os pais, reconhecer o problema é como receber um choque paralisante, como se nada mais na vida fizesse sentido.

Encarar as verdades, que de maneira inconscientes relutavam para aceitar, é como viver um luto, mas não tem jeito, a família precisa o mais breve possível despertar do transe provocado pela aceitação da realidade e começar a se mover.

Para tanto, precisam abandonar a ideia de que sozinhos iram solucionar um problema de alta complexidade e buscar ajuda, não apenas para o filho, mas também para toda a família, que adoece tanto quanto ou até mais que o próprio dependente.

Precisam abandonar o sentimento de culpa, parar de justificar os fatos e enxergá-los na medida certa, sem minimizá-los, nem os maximizar. Tratar da codependência e trabalhar o desligamento emocional, ou seja, ampliar os seus recursos para preservar uma mente sã e equilibrada, independente dos comportamentos insanos do outro.

Encarar a realidade dos fatos é sem dúvidas o primeiro passo para a busca da solução do problema. Isso é desafiador, mas a família não precisa enfrentar isso sozinha. Podem contar sempre com a ajuda dos grupos de apoio do Programa Amor-Exigente para enxergar, com clareza, que um desafio nunca chega sem estar carregado de oportunidades.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

PRINCÍPIOS BÁSICOS







Vídeo da palestra sobre os 12 princípios básicos do Programa Amor-Exigente, durante o evento "Amor-Exigente, um programa de amor à vida" - Soltanieh - Mogi Mirim SP, por Celso Garrefa, membro do Conselho Deliberativo da FEAE.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

SEMPRE É TEMPO

Quantas desculpas atribuímos ao tempo de vida para permanecermos na nossa zona de acomodação, e quanto tempo perdemos paralisados no tempo. Não existe o tempo certo, e nunca é tarde para começarmos algo novo.

Sempre é tempo de revermos nossos conceitos, sempre é tempo de mudarmos nossas opiniões e comportamentos, sempre é tempo de aprendermos algo novo, sempre é tempo de começarmos realizar coisas que até então a vida não nos permitiu. Sempre é tempo de reconhecermos nosso valor, de nos cuidarmos.

Sempre é tempo de exigir respeito e de respeitar a nós mesmos. Sempre é tempo de viver a vida, de descobrir coisas novas, de realizar sonhos, de traçar novos planos, sempre é tempo de ser feliz.

É certo que o tempo nos traz algumas limitações, que precisam ser respeitadas, mas não precisamos fazer delas a muleta que nos mantem estagnados. E por falar em limitações, todos possuem as suas, mesmo que diferentes umas das outras.

Mas o mesmo tempo que limita, também capacita, torna-nos melhores, mais experientes, mais sábios. Eis a vida, perdas e ganhos, portanto, valorizemos os ganhos e aceitemos algumas perdas, sem resmungos, elas fazem parte da nossa existência.

A vida é um grande enigma, carregada de surpresas e incertezas. O tempo de vida não se conta apenas pelo tempo percorrido, cinquenta, sessenta, oitenta, mas também pelo tempo que ainda resta pela frente e neste sentido não sabemos quem possui mais vida, se aqueles cujos cabelos já branquearam pela ação do tempo ou o jovem, cuja tenra idade o faz sonhar grande. Sob este ponto de vista somos todos da mesma idade.



Celso Garrefa - Assoc. AE de Sertãozinho SP


P.S.: Conheça a ação “Sempre é Tempo”, do Programa Amor-Exigente

sábado, 2 de setembro de 2023

GRUPOS DE APOIO: PODER TRANSFORMADOR

Uma das piores decisões que tomamos, diante de um grande desafio, é buscar o isolamento. Sozinho nos tornamos frágeis, perdemos forças, adoecemos. Caminhar sozinhos, por vezes, desanima e, como consequência, paramos pela metade. 

Quando estabelecemos parcerias aumentamos os nossos compromissos, inclusive com o outro, e assim, ao mesmo tempo em que encorajamos, incentivamos e animamos, também somos encorajados, animados e incentivados e essa troca permite chegarmos mais longe, encontrarmos novos caminhos.

Nos grupos de apoio encontramos pessoas experientes e dispostas a nos acolher, sem críticas e sem julgamentos. Não demora percebermos o poder transformador contidos nas partilhas e trocas de experiências e como consequência começamos a enxergar novas possibilidades para um desafio que achávamos sem solução.

As trocas de experiências realizadas nos grupos de apoio potencializam a nossa capacidade para enfrentar o desafio, capacitam-nos para lidarmos com um problema de alta complexidade de forma assertiva e orientada, ampliam nossa visão e devolve a esperança de retomarmos os rumos da nossa vida e da nossa família.

E mesmo quando tudo está bem, ainda precisamos do grupo, por duas razões: para preservar o bom momento agora experimentado e retribuir o apoio recebido, apoiando quem agora chega precisando de ajuda. Se sozinhos somos frágeis, em grupo nos tornamos infinitamente mais fortes, portanto, venham participar de um grupo de apoio e descobrir o seu poder transformador, venham entregar o seu melhor e receber o nosso melhor.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 6 de agosto de 2023

CRISE: OPORTUNIDADE DE MUDANÇA

As crises incomodam e causam desconforto e por essa razão lutamos bravamente para evitá-las. Com isso, acostumamos a ser desrespeitados para não contrariar, calamos para não entrar no embate, permitimos ser invadidos para parecer bonzinhos, minimizamos um problema para não o encarar.

Acontece que quanto mais calamos, mais somos invadidos; quanto mais minimizamos um problema, mais ele se intensifica; quanto mais cedemos, mais somos manipulados e explorados.

Facilmente o outro percebe que não suportamos encarar uma crise e com isso, ele as provoca para continuar obtendo vantagens para si próprio. Para tanto, utiliza de manipulações, chantagens, ameaças e até táticas de terrorismo familiar. Ele cria as crises e as administram para seu benefício.

Para encarar as crises é necessário tomarmos atitudes e nos posicionarmos e isso nos coloca diante de um dilema: Se estamos diante de uma crise, por que tomar atitudes sabendo que elas irão provocar novas crises? Acontece que vivenciamos as crises provocadas pelos comportamentos do outro e, portanto, ele a administra de acordo com o seu interesse, enquanto nós arcamos com as consequências.

A partir do momento em que nós tomamos atitudes em relação aos seus comportamentos, quem vai precisar se ajustar às nossas ações é ele. Porém, devemos ter ciência de que haverá reações. Acostumados com nossa postura de ceder, de permitir e facilitar, quando contrariado, certamente utilizará todas as armas possíveis para recuarmos e assim, continuar sendo beneficiado pela nossa boa fé.

Não é fácil reverter esse processo, mas é necessário encarar as crises e administrá-las com equilíbrio e tranquilidade. Com essa atitude retiramos o comando da nossa vida do outro e trazemos para o nosso domínio.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP


sábado, 22 de julho de 2023

FALAR OU CALAR?

Tarde da noite, os pais angustiados esperam pelo filho que está na rua. Eles sabem que o jovem tem feito uso abusivo do álcool e está dependente de outros drogas. Enquanto não chega, eles vão se preparando para uma conversa: de hoje não passa, hoje ele vai ter que nos ouvir, do jeito que está não dá mais.

Já na madrugada, o filho chega cambaleante. – Filho, precisamos conversar. O jovem, não demonstrando qualquer interesse na fala do pai, reage de forma grotesca: - De novo esse papo, não estou a fim de conversa, não. Entra no quarto bate a porta e deixa os pais no vácuo.

É inegável que os pais devem e precisam falar com os filhos sobre o abuso do álcool ou consumo de outras drogas, porém, é preciso que isso aconteça de forma adequada e em uma melhor hora.

Quando um filho chega sob efeito de substâncias entorpecentes, qualquer tentativa de diálogo não produz efeito algum. Nesse momento, aquilo que é transmitido entra por um ouvido e sai pelo outro, ou ele pode se tornar agressivo e a tentativa de diálogo terminar em confronto.

Mas é importante não deixar cair no esquecimento. É comum no dia seguinte, quando o filho recuperou do porre da noitada, os pais se calarem, com receio de tocar no assunto e ele sair para rua novamente. Como uma forma de se protegerem dos sofrimentos resultantes da convivência com um dependente, os pais se iludem: quem sabe dessa vez ele para, e adotam o silêncio.

Não dá para calar diante do problema, mas também não precisamos exagerar com sermões e broncas intermináveis. É preciso ser breve e passar o recado, transmitindo nosso posicionamento contrário ao uso, de forma clara e firme, colocando-nos a disposição para ajudá-lo a sair do enrosco em que se meteu, porém, descartando qualquer tipo de ajuda que apenas favoreça a continuidade do problema e facilite o seu uso.

É preciso coragem para toca no assunto e jamais nos calar diante de um problema, pois, como diz um dito popular, quem cala, consente.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 9 de julho de 2023

POR QUE COMIGO?

Manter um sorriso no rosto, mesmo diante de um grande problema, não é uma atitude fácil de adotarmos, mas, ainda assim, devemos lutar bravamente para consegui-lo, não com o objetivo de mantermos as aparências, ou fingir que tudo está bem, mas como uma força impulsionadora capaz de nos fortalecer no enfrentamento do desafio.

Por vezes, diante dos percalços da vida, inconscientemente, queremos mostrar o quanto estamos sofrendo e externalizamos esse momento através do autoabandono, do isolamento, da tristeza profunda estampada no rosto. Isso significa potencializar um desafio que já é grande.

Manter a cabeça erguida, colocar um sorriso no rosto e abandonar o casulo no qual nos fechamos são os primeiros passos na direção de uma atitude interior positiva que nos permite enxergar o nosso desafio na medida certa, sem minimizá-lo, mas também sem o maximizar.

Rejeitar o muro das lamentações, parar de resmungar, abandonar o papel de coitadinho e buscar ajuda nos permitem um novo olhar sobre o desafio enfrentado, e assim, podemos parar de questionar: “por que comigo?”, “por que na minha casa?”, e compreender que muitas coisas que acontecem conosco possui um propósito que talvez ainda não sabemos, portanto, mudemos o questionamento: “para que isto aconteceu comigo?” “para que isto aconteceu na minha casa?"

As maiores pessoas que conheço e admiro nesta vida são pessoas que tiveram de vencer grandes desafios, e como tenho dito e repetido: sofrimento não é remédio que soluciona problemas, portanto, coloquemos um sorriso no rosto, abandonemos o sofrimento profundo e vamos à luta. 




Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 18 de junho de 2023

QUAL É A QUALIDADE DOS SEUS PENSAMENTOS?


Começo este texto fazendo a você uma pergunta: Qual é a qualidade dos seus pensamentos? 

Nós, seres humanos, somos sujeitos pensantes e são os nossos pensamentos que geram os nossos sentimentos e, consequentemente, os nossos comportamentos, assim sendo, um processo de mudança comportamental não começa no comportamento em si, mas nos pensamentos.

Somos bombardeados diariamente por uma avalanche de pensamentos, muitos deles positivos, muitos deles negativos e diante destes pontos extremos irá sobressair aquele que mais alimentamos.

Dizem que o pensamento é uma semente que se materializa. Daí a importância de avaliarmos a qualidade dos nossos pensamentos, valorizando a positividade e reduzindo a negatividade. Pensar que nada vai dar certo, que não é possível, que não somos capazes, que tudo está perdido é plantar a semente do insucesso. Por outro lado, acreditar que podemos evoluir, melhorar, crescer e aprender significa regar a semente de possibilidades extraordinárias.

Nem sempre dominamos nossos pensamentos e quando eles insistem em nos incomodar, necessitamos de alternativas para freá-los. Para tanto, não podemos dar espaço para a ociosidade, ao mesmo tempo, fortalecer nossa espiritualidade e buscar ajuda.

Encontrar o equilíbrio em relação ao que pensamos é fundamental para equilibrarmos também a nossa vida. Por vezes pensamos de menos e agimos no impulso, sem refletir, sem pesar as consequências, sem pensar no depois. Agindo na irreflexão cometemos muitas bobagens. Por outro lado, pensar demais e agir de menos paralisa quaisquer possibilidades de mudanças positivas.

Para lidar com isso podemos contar com o apoio do Amor-Exigente, um programa comportamental capaz de nos ajudar a melhorar a qualidade dos nossos pensamentos, consequentemente, equilibrar nossos sentimentos e a partir disso, construir as nossas mudanças comportamentais, tão necessárias para modificar os rumos daquilo que nos incomoda e adoece. Pense nisso.


Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP


sábado, 20 de maio de 2023

O PAPEL DE VÍTIMA NO JOGO DA CULPA

A culpa é um sentimento que provoca muita dor e sofrimento, tendo em vista que ela produz o ódio de si mesmo e, consequentemente, a autocondenação. Ela costuma estar relacionada a algo que já aconteceu e como é impossível modificarmos o que já passou, paralisamos.  

Não podemos ficar presos ao passado e isso exige de nós o abandono do jogo da culpa, acabando com culpas, desculpas e culpados. Decidir abandonar este perverso jogo nos coloca diante de dois pontos importantes a serem pensados, sendo que um deles proporciona alívio e o outro, desconforto.

Aceitar a ideia de que não somos os culpados pelos problemas do outro é como retirar uma carga pesada das costas. Esta atitude traz conforto, alivia nossas angústias, diminui as exageradas autocríticas que fazemos de nós mesmos e assim podemos soltar as correntes que nos prendem ao passado e projetar o futuro.

Por outro lado, abandonar este jogo cruel também pode nos causar certo incômodo, pois, não basta não nos sentir culpados, precisamos também parar de culpar os outros, cessar as buscas de justificativas fora de nós mesmos para tudo o que acontece conosco e à nossa volta. Precisamos abandonar o papel de vítima.

Para tanto, vamos precisar nos encarar, nos enxergar, reconhecer também as nossas falhas, nossos defeitos, sem arranjar desculpas para não assumirmos nossas responsabilidades e isso costuma incomodar. Muitas vezes não gostamos do que vemos em nós e preferimos culpar os outros.

Mas, não existe outro caminho para nos livrarmos deste sentimento. Só conseguimos parar de jogar este jogo quando trocamos a culpa pela responsabilidade. Pode ser difícil nos encarar, admitir nossos defeitos sem ter onde justificá-los, mas é o primeiro passo para a nossa libertação, rumo a uma vida nova, plena e consciente.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 30 de abril de 2023

DEPENDÊNCIA QUÍMICA, É POSSÍVEL VENCÊ-LA

Muitos dependentes do álcool ou de outras drogas, após anos de problemas, perdas e sofrimentos, decidem abandonar o vício, porém, percebemos que são poucos que conseguem sucesso nesta batalha. A grande maioria para por dias ou semanas, mas não sustenta a sobriedade. Mesmo aqueles que internam em comunidades ou clínicas por meses, ao retornarem para o convívio em sociedade, parte deles sofrem as recaídas e voltam ao consumo da substância. 

Sabemos que não existe cura para a dependência, porém, é plenamente possível controlar a doença e para tanto é preciso contar com um conjunto de fatores capazes de sustentar uma vida sem drogas. Para obter o máximo de recursos necessários para a recuperação e manutenção da sobriedade são necessárias duas atitudes conjuntas: contar com uma rede de apoio e fazer a sua parte no processo de recuperação.

Quanto maior a rede de apoio, maiores as possibilidades de recuperação. Comunidades terapêuticas, clínicas, Caps-ad, grupos de apoio, o fortalecimento da espiritualidade, o apoio seletivo da família, etc., são recursos disponíveis que podem ser buscados. Contudo, nenhuma ajuda, nenhum serviço, nada será capaz de produzir resultados positivos se o dependente não está disposto a fazer o movimento que somente ele pode fazer na construção da sobriedade. 

Não é possível ajudar quem não deseja ser ajudado ou quem espera que os outros resolvam o seu problema, sem que nada precisem fazer. Recuperação é um processo a ser construído, que exige perseverança e muita determinação. 

Por fim, precisam também compreender que a recuperação é construída por etapas, em uma busca contínua e permanente. Mesmo quando se sentem bem e sem fazer uso, precisam continuar seu tratamento. O auge da recuperação é atingido quando desenvolvem a interdependência, ou seja, receber apoio ao mesmo tempo em que oferece apoio para quem precisa. 

Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP

sexta-feira, 7 de abril de 2023

PAIS E FILHOS: DE IGUAL PARA IGUAL

O quarto princípio básico do Programa Amor-Exigente cita uma grande verdade: pais e filhos não são iguais, ou seja, cada um desempenha funções diferentes na organização familiar, que precisam ser respeitadas. Refletindo sobre isso, podemos nos questionar se haverá algum momento em que pais e filhos poderão se relacionar de igual para igual.

E a resposta é sim, se pensarmos na vida como um todo, desde a concepção até o final. Lembrando uma fala do professor Neube José Brigagão, ele citava que um pai poderá se relacionar de igual para igual com os seus filhos quando eles forem capazes de assumir as responsabilidades pela condução da própria vida.

Isso reforma a ideia deste princípio. Para um filho atingir o nível de responsabilidade, de dono, de independência e condutor da própria vida ele vai precisar, durante sua formação, dos pais exercendo o papel de pais. A principal função dos pais é educar, para isso, precisam exercer sua autoridade, que é legítima, norteando as condutas dos filhos, e não se obtém sucesso neste desafio tratando-os de igual para igual, como se fossem seus amiguinhos.

Os pais precisam preparar os seus filhos para a vida e não conquistamos isso resolvendo, facilitando ou fazendo por eles aquilo que é dever deles. Não ajudamos nossos filhos tratando-os como coitadinhos, desvalorizando as suas capacidades. Não atingimos o objetivo com receio de contrariá-los, com medo de dizer "não" como resposta, quando necessário. Não logramos êxito atendendo todas as suas exigências de forma imediata, para não frustrá-los, e parecer "bonzinhos". 

Podemos, inclusive, nos deparar com um momento em que as funções se invertem e os filhos precisam cuidar dos pais, assumindo o papel de pais dos seus pais, em razão da idade avançada ou problemas de saúde e assumir esse cuidado é uma responsabilidade dos filhos, não dos amigos, portanto, que sejamos pais, para que nossos filhos possam ser nossos filhos, quando deles precisarmos.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP





domingo, 2 de abril de 2023

MUITOS "EUS" HABITAM EM MIM


Na vida, somos muitos, apesar de sermos um só. De acordo com o momento, ou com o espaço social ao qual ocupamos, exercemos diferentes papéis. Somos pais, somos filhos, somos alunos, somos professores, somos patrões, somos empregados, etc. 

Se deixarmos de exercer um papel que é nosso, ou uma função que nos é de direito, abrimos espaço para outros assumirem. Agindo assim, perdemos o controle da nossa vida e passamos a viver sob os domínios dos outros, inclusive por quem não gostaríamos que estivessem no comando.

Um pai ou uma mãe que deixa de exercer o papel de pais transferem o comando da casa para os filhos e essa inversão de papeis é desastrosa para a organização familiar. Um chefe que não coordena seus subordinados pode colapsar uma empresa. Um dirigente que não estabelece as regras da sua instituição, vive sob as regras dos outros e perde o controle.

Para equilibrar e fortalecer as relações entre as pessoas nos meios em que interagimos é necessário uma definição clara dos papeis e atribuições de cada um. Devemos assumir os compromissos que são nossos, ao mesmo tempo, abandonar aqueles que não são nossas funções, delegando responsabilidades, respeitando uma hierarquia.

Somos um só, e somos muitos, mas não somos todos e não podemos assumir tudo sozinhos, e sendo um só precisamos preservar o nosso eu, tão precioso, tão raro, caso contrário, corremos o risco de deixarmos de ser um só para nos tornarmos ninguém. 



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

sábado, 18 de março de 2023

UMA PORTA SE FECHA, OUTRAS SE ABREM

Muitas vezes, na vida, criamos grandes expectativas e somos surpreendidos por um grande "não" e nos frustramos. A resposta tão desejada não acontece como esperávamos, e nos coloca diante de uma questão: E agora, o que fazer?

Não possuímos domínio sobre a resposta do outro, mas diante dela podemos fazer nossas próprias escolhas. Baixar a cabeça, desanimar e desistir diante de um não que não estava em nossos planos significa conformar com a derrota. Mas, não devemos permitir que esses nãos nos paralisem e nos façam desistir, pelo contrário, podemos adotar uma postura diferente e fazer dessa adversidade a alavanca capaz de nos erguer ainda mais fortes e determinados. 

O primeiro passo é fechar os ouvidos para aquele grupo de pessoas que insiste em nos convencer de que não somos capazes, de que não damos conta, de que não vamos conseguir. Aqueles que não acreditam em nós, também não acreditam neles próprios e transferem a descrença em si mesmos, nos outros. Esses, incomodam-se com o sucesso alheio e fazem de tudo para impedir nosso progresso. 

Não podemos dar o direito a outras pessoas de interferirem em nossos projetos, em nossos sonhos, muito menos invadirem a nossa vida prejulgando as nossas capacidades. Se desanimarmos de alcançar nossos planos em função do que escutamos dos outros, não chegamos a lugar algum e validamos a opinião alheia em relação a nós: "eu não disse que você não era capaz"?

Não se trata de não aceitar receber um não como resposta. Eles fazem parte da vida e dependendo do contexto ele sinaliza que precisamos mudar de rota. Existem situações em que precisamos acatar o não recebido, com muita tranquilidade, e nos desprendermos de algo que está travando nossa vida e impedindo novos caminhares. 

Conhecer a si próprio é uma atitude determinante para lidarmos com as frustrações que cruzam nosso caminho com alguma frequência, diferenciando os momentos em que podemos fazer das adversidades a motivação para superarmos os desafios e os momentos em que precisamos soltar as amarrar e mudar os rumos da nossa vida. 

Para isso, precisamos acreditar em nós mesmos. Acreditar na nossa capacidade de superação e também na nossa capacidade de mudar a rota, se preciso for, conscientes de que toda vez que uma porta se fecha para nós, há sempre outras que se abrem. 



Celso Garrefa
Assoc. AE de Sertãozinho SP







domingo, 12 de março de 2023

"PAI, FAZ MAIS UM PIX PRA MIM"

O Pix, um modo de transferências e pagamentos instantâneos, é mais um recurso tecnológico que chegou para facilitar a nossa vida, porém, para muitos familiares isso está se tornando um tormento. Muitos filhos estão achando que seus pais são bancos e a qualquer hora...


Obs.: Em razão de regras contratuais, este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.


                                                               Grato pela compreensão.  





sábado, 4 de março de 2023

OS MEUS LIMITES SÃO MEUS E QUEM OS DEFINE SOU EU

Os nossos recursos são limitados e são nossos, no entanto, muitas vezes damos poderes para outras pessoas invadirem nossa vida, abusar da nossa boa vontade, sugar todos os nossos recursos e energias. Quem não respeita os próprios limites, certamente não respeitará os limites do outro.

Diante dessa realidade, somos nós quem devemos estabelecer os limites do aceitável, em relação a outras pessoas, criando uma barreira protetora capaz de nos proteger daqueles que não possuem escrúpulo algum, que não têm controle sobre a própria vida e, se encontrarem espaço em nós, também vão nos arrastar para o mesmo abismo.

Para evitarmos tamanho prejuízo precisamos nos posicionar com firmeza, diante de pessoas tóxicas, e para isso, precisamos aprender o valor do “não”, essa palavra mágica capaz de frear manipuladores, chantagistas e sanguessugas de plantão.

Mas, esses “nãos” precisam ser ditos com convicção e clareza. Na dúvida, podemos pedir um tempo para pensar no assunto e, definida a resposta, ela deve ser transmitida sem rodeios. Devemos saber que o manipulador está sempre preparado para nossas desculpas, encontrando nelas o que precisa para continuar o ataque.

O Programa Amor-Exigente nos transmite uma grande verdade: não possuímos o poder sobre a vida do outro, porém, possuímos o poder sobre nossa própria vida e não devemos abrir mão disso. Portanto, se os meus limites são meus, quem os define sou eu.



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

domingo, 19 de fevereiro de 2023

"DEPOIS, MÃE"

A mãe, atarefada, olha para o filho adolescente e pede seu apoio: - Filho, você pode colocar ração para o cachorro? Ele, espichado no sofá, com seu celular nas mãos...
                                                      Obs.: Em razão de regras contratuais este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.

Grato pela compreensão



sábado, 11 de fevereiro de 2023

ZONA DE CONFORTO OU DE ACOMODAÇÃO?

Uma das principais barreiras que impede um processo de mudança é a dificuldade de abandonarmos a nossa zona de conforto. O medo do novo, de enfrentar um desafio, de encarar o desconhecido faz com que não nos movamos em busca de novas possibilidades e com isso nos contentamos com o momento vivido, mesmo que não estejamos contentes com ele, sem perceber que essa zona de conforto, muitas vezes, não passa de zona de acomodação.

Nós, seres humanos, somos por natureza adaptáveis às situações vivenciadas. Sem percebermos vamos acostumando com tantas coisas, mesmo que isso nos cause dissabores, e acomodamos. Acostumamos a ser desrespeitados pelo parceiro, para não perder e vamos nos perdendo de nós mesmos. Acostumamos com os gritos em nossos ouvidos. Acostumamos com o som alto, para não contrariar. Acostumamos a nos abandonar em função do outro e transformamos a zona de conforto também em zona de abandono. 

Essa acomodação ao que não nos faz bem não permite enxergamos que a zona de conforto não produz conforto algum. Na verdade nos acomodamos à nossa zona de desconforto, naturalizamos situações que não deveriam ser naturalizadas, e ao nos adaptarmos ao que adoece, não buscamos ajuda, nem a cura, pelo contrário, buscamos justificativas para continuarmos não fazendo nada para corrigir o que precisa de correção.

Portanto, que tenhamos coragem para mudar o que precisa de mudanças e o primeiro passo para isso é nos inconformarmos com tudo aquilo que adoece, que causa estagnação, que impede o crescimento e que nos acorrenta a zona de desconforto. 



Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

"A" DE ABELHA, "E" DE ELEFANTE, "Z" DE ZABUMBA

Recentemente fomos convidados a apresentar o Amor-Exigente para um grupo de pessoas interessadas em implantar o programa em uma cidade vizinha, cuja identidade prefiro preservar. No dia e horário combinados deslocamos até o local e fomos muito bem recebidos por uma equipe de pessoas dispostas e interessadas.

Era uma escola dos anos iniciais e reservaram uma sala de aula para a apresentação. As cadeiras estavam enfileiradas em frente a um quadro negro, onde se via, logo acima, um varal feito com barbante, com muito capricho, onde penduraram as letras do alfabeto acompanhadas de figuras para ajudar as crianças a memorizarem cada letrinha.

Até aí, tudo muito bem, mas o que chamou a nossa atenção foi a figura escolhida para representar a letra “K: uma lata de cerveja cuja marca inicia com “K”.

O varal me fez relembrar da minha escola na infância, da primeira professora, dos colegas de classe, e da cartilha “Caminho Suave”.  Ainda preservo na memória cada figura correspondente a cada letra do alfabeto, desde o “A” de abelha, o “E” de elefante, até o “Z” da zabumba.

A cena vista hoje retrata o quanto vivemos em uma sociedade em que o álcool é culturalmente aceito e glamourizado. As empresas investem alto em campanhas publicitárias, ligando a marca ao prazer, ao sucesso, à alegria e o primeiro contato da criança com a substância costuma acontecer dentro de casa, com anuência dos pais.

Ignora-se que o álcool também é droga, mesmo que lícita para maiores, de alto poder destrutivo para aqueles que se tornam dependentes dele, e não são poucos. Segundo estimativas, uma parcela superior a 10% da população possui problemas relacionados a esse produto.

Infelizmente, a conscientização dos riscos que o consumo do álcool representa é quase nulo. Se é desesperador ver pais mergulharem a chupeta do bebê no copo de cerveja, não menos desesperador é ver uma escola utilizar a imagem de uma substância alcoólica na alfabetização de crianças.

Não consegui sair do local, sem alertar sobre a cena. Trocar a imagem é urgente, mas não basta: precisamos mudar mentalidades. Consciência começa com “C”, mas bem que poderia começar com “K”, assim poderíamos trocar a figura da cerveja por “Konsciência”.


Celso Garrefa

Assoc. AE de Sertãozinho SP

sábado, 24 de dezembro de 2022

SEJA PERMISSIVO COM SEUS FILHOS

Seja permissivo com seus filhos. Permita que eles levantem o traseiro do sofá e vão até a geladeira para se servirem de mais um copo de água. Permita que eles carregam os...

Obs.: Em razão de regras contratuais, este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.


                                                               Grato pela compreensão.  











sábado, 17 de dezembro de 2022

AMOR PRÓPRIO, UM REMÉDIO NATURAL

Amar a si mesmo pode soar como um ato egoísta, por isso, muitos de nós vivemos nos colocando em segundo, terceiro, décimo plano, esperando receber de outros...


Obs.: Em razão de regras contratuais, este texto não está mais disponível neste blog, podendo ser lido na íntegra no livro "ASSERTIVIDADE, UM JEITO INTELIGENTE DE EDUCAR", de Celso Garrefa.


                                                               Grato pela compreensão.  





PREVENÇÃO À RECAÍDA

Um dos maiores desafios no processo de tratamento da dependência química são as frequentes recaídas de uma parte das pessoas que buscam ajud...